Embora pouco frequente na rotina da clínica veterinária, a dermatose responsiva ao zinco pode provocar alterações dermatológicas importantes em cães.
A condição está relacionada, principalmente, à deficiência ou dificuldade de absorção desse mineral essencial, que participa de diversos processos metabólicos e da manutenção da integridade da pele.
Para entender melhor o tema, conversamos com Átila Adão da Rocha Albuquerque, médico-veterinário e mestre em reprodução animal pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP).
“A enfermidade já não aparece mais com tanta frequência porque a qualidade da alimentação dos animais domésticos melhorou ao longo dos anos. No caso específico dessa dermatose, os episódios podem ocorrer, principalmente, em raças nórdicas, especialmente durante o inverno ou quando há histórico de dietas baseadas em cereais”, explica Átila.
Entre os principais sinais clínicos que costumam aparecer estão: as alterações inflamatórias na pele, frequentemente acompanhadas de prurido. Em alguns casos, o quadro evolui com queda de pelos nas áreas afetadas.
“Os cachorros podem apresentar prurido eritematoso seguido de alopecia ou lesões com hiperqueratose, que é o espessamento da pele”, afirma o médico-veterinário.
As manifestações surgem com maior assiduidade nos coxins plantares, cotovelos, jarretes, plano nasal, área periocular, região ao redor da boca e também no escroto.
Como essas alterações podem se assemelhar a outras doenças dermatológicas, como sarna sarcóptica, dermatofitose, piodermite e necrose epidérmica, a avaliação clínica e os exames complementares se tornam fundamentais para direcionar a investigação diagnóstica.
“O veterinário analisa o histórico do animal e pode recorrer a análises como raspado cutâneo, citologia, esfregaços por impressão das crostas e cultura fúngica”, explica o mestre.

Predisposição genética e influência da dieta
A literatura descreve três síndromes relacionadas à deficiência de zinco em cães. A primeira delas está associada, principalmente, a algumas raças nórdicas.
“A síndrome I é descrita em Husky Siberiano, Malamute do Alasca e Samoieda. Mesmo quando recebem dietas equilibradas, esses animais podem apresentar dificuldade na absorção do mineral”, explica o especialista.
Já a síndrome II está ligada à composição da alimentação. Dietas ricas em cereais podem conter altos níveis de fitatos — substâncias que se ligam ao zinco e reduzem sua absorção no trato gastrointestinal.
“Apesar de poder surgir em adultos, esse quadro é mais observado em filhotes durante o crescimento”, conta Átila.
Há, ainda, uma terceira apresentação, considerada mais rara, que afeta cachorros da raça Bull Terrier. Nesse caso, trata-se de uma condição hereditária conhecida como acrodermatite letal.
“Esse distúrbio tem caráter autossômico recessivo e impede que o animal absorva o mineral adequadamente. O quadro costuma evoluir de forma grave e pode levar ao óbito antes da fase adulta”, relata.
Tratamento depende da causa da deficiência
Quando falamos de tratamento, a abordagem terapêutica varia conforme o tipo de síndrome identificada. Em situações associadas à dieta, a correção do desequilíbrio nutricional tende a apresentar bons resultados em aproximadamente quatro a seis semanas.
“Além disso, podem ser necessários cuidados voltados ao controle de infecções secundárias, como aquelas causadas por bactérias ou leveduras”, conclui o veterinário.
Nos casos relacionados à dificuldade de absorção do mineral, o manejo pode envolver ajustes alimentares e suplementação adequada, muitas vezes, mantidos por longos períodos ou ao durante a vida do animal.

REFERÊNCIAS:
PATEL, Anita; FORSYTHE, Peter J. Dermatologia em pequenos animais. St. Louis: Elsevier Health Sciences, 2011.
BALDA, Ana Cláudia; VIEIRA, Juliana Ferreiro; GOMES, Renata Répeke. Dermatose responsiva ao zinco: relato de caso. Medvep Derm, p. 64-65, 2014.
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINÁRIA. Resolução nº 1.649, de 13 de junho de 2025. Brasília, DF: CFMV, 2025.
FAQ sobre dermatose responsiva ao zinco em cães
A enfermidade é comum em cachorros?
Não. Essa dermatose trata-se de uma condição pouco frequente na rotina clínica.
Quais são os principais sinais clínicos da doença?
Os animais podem apresentar prurido, vermelhidão na pele, queda de pelos e lesões com hiperqueratose em áreas como coxins plantares e cotovelos.
Como é feito o diagnóstico da enfermidade?
O diagnóstico envolve a análise do histórico clínico e a realização de exames dermatológicos.

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.