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Dia do Pet Sitter: cães e gatos exigem cuidados diferentes durante as visitas

Profissional explica como funciona o serviço, quais conhecimentos são importantes para atuar como pet sitter e o que os responsáveis devem avaliar antes da contratação

Dia do Pet Sitter: cães e gatos exigem cuidados diferentes durante as visitas
Por Stéfani Campos Chagas
5 de outubro de 2026

Com a rotina cada vez mais dinâmica dos responsáveis, o serviço de pet sitter se tornou uma alternativa para manter cães e gatos em casa durante períodos de ausência.

Apesar de muitas vezes ser associado apenas ao fornecimento de água e alimento, o trabalho envolve acompanhamento da rotina, observação do comportamento, higiene, enriquecimento ambiental e atenção a possíveis alterações na saúde do animal.

No Dia do Pet Sitter (5 de outubro), a estudante de Medicina Veterinária Eduarda Back Ferreira de Oliveira, que também é formada como auxiliar de veterinária e atua como pet sitter, explica que não existe uma fórmula única para o atendimento.

“Não existe uma receita de bolo para ser pet sitter, porque cada animal tem uma rotina, uma personalidade e necessidades diferentes”, afirma.

Eduarda também possui um hotel e creche para pets e está no último semestre da graduação, com formação prevista para dezembro de 2026.

O que faz um pet sitter?

O serviço geralmente é realizado por meio de visitas à casa do animal, principalmente quando o responsável viaja ou precisa se ausentar por períodos mais longos.

Durante o atendimento, o profissional pode oferecer alimentação e água, realizar cuidados de higiene, limpar caixas de areia, administrar medicamentos quando necessário, brincar e proporcionar atividades de enriquecimento ambiental.

A observação do comportamento também é uma das principais responsabilidades. Para identificar alterações, é importante conhecer previamente como aquele animal costuma agir.

“Para mim, essa observação é uma das partes mais importantes. A gente precisa saber como o pet normalmente se comporta para conseguir perceber quando alguma coisa está diferente”, pontua.

A comunicação com o responsável também integra o trabalho. Fotos, vídeos e informações sobre como foi a visita ajudam a manter a pessoa informada e proporcionam maior segurança durante o período de ausência.

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Atendimento domiciliar de pet sitter exige respeito à rotina e ao espaço de cada animal, especialmente com felinos que demandam abordagens mais graduais (Foto: Reprodução)

Cães e gatos precisam de manejos diferentes

Embora as necessidades básicas — como alimentação, hidratação, higiene, segurança e bem-estar — sejam comuns às duas espécies, a forma de oferecer esses cuidados deve considerar as características individuais e comportamentais de cada animal.

Segundo Eduarda, cães tendem a buscar mais interação com o pet sitter já nas primeiras visitas.

Os gatos, por outro lado, podem apresentar maior sensibilidade diante da presença de uma pessoa desconhecida ou de mudanças na rotina. Esconder-se, permanecer mais quieto ou não querer interação não significa necessariamente que o felino esteja doente ou rejeitando o profissional.

“Com gatos, é muito importante não forçar uma interação. Primeiro o animal precisa se sentir seguro. Às vezes, o melhor cuidado que você pode oferecer é simplesmente respeitar o espaço dele”, explica.

A própria rotina de cuidados também muda. Enquanto os cães podem fazer as necessidades durante passeios ou utilizar tapetes higiênicos, os gatos dependem da caixa de areia, que precisa ser acompanhada e higienizada.

O enriquecimento ambiental também deve respeitar as características de cada espécie, podendo envolver estímulos relacionados à caça e atividades sensoriais para felinos, enquanto cães podem se beneficiar de brincadeiras, brinquedos e atividades envolvendo o olfato.

No caso dos gatos, a atenção aos detalhes ganha ainda mais importância. Alterações na alimentação, hidratação, uso da caixa de areia, comportamento ou interação podem indicar que algo está diferente.

“Gatos podem esconder sinais clínicos de doença muito bem, então uma mudança no comportamento, no uso da caixa de areia, na alimentação ou na interação é muito relevante”, ressalta.

Capacitação e reconhecimento dos limites

Para a profissional, buscar capacitação é fundamental para quem pretende trabalhar como pet sitter.

Entre os conhecimentos importantes estão comportamento animal, manejo e contenção adequada, alimentação, higiene, primeiros socorros para cães e gatos, identificação de sinais de alerta e particularidades de cada espécie.

A formação como auxiliar de veterinária e a graduação em Medicina Veterinária contribuem para sua atuação, mas ela destaca que o aprendizado deve ser contínuo, independentemente da formação do profissional.

A preparação, porém, não significa tentar solucionar sozinho qualquer situação. Em uma emergência, o pet sitter deve saber reconhecer o que foge do normal, conhecer o histórico do animal, ter acesso aos contatos do responsável, do médico-veterinário e de uma clínica de referência.

“O pet sitter não substitui o médico-veterinário. Se eu identifico uma alteração que precisa de avaliação clínica, meu papel é reconhecer isso, comunicar o responsável e, com o consentimento dele, buscar atendimento”, destaca.

A atenção também deve se estender ao ambiente. Durante uma visita, por exemplo, Eduarda encontrou um lírio em um cômodo ao qual os gatos tinham acesso. Como a planta poderia representar risco aos animais, ela retirou o acesso e comunicou a responsável sobre o potencial perigo.

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Além de alimentação e higiene, a capacitação do pet sitter permite identificar pequenas alterações de comportamento e potenciais riscos no ambiente (Foto: Reprodução)

Como escolher um pet sitter?

Antes de contratar o serviço, o responsável deve avaliar mais do que a afinidade do profissional com animais.

Experiência, conhecimentos, forma de realização das visitas, comunicação e conduta diante de alterações ou emergências são alguns dos pontos que podem ser considerados.

Também é importante fornecer informações detalhadas sobre o animal antes do início do atendimento. Histórico, rotina, alimentação, medicamentos, comportamento, contatos de emergência e particularidades ajudam o profissional a oferecer um cuidado mais individualizado.

Entre os erros mais comuns de quem está começando, Eduarda cita justamente a ideia de que o trabalho se resume a colocar comida e água e limpar o ambiente.

Forçar interações, especialmente com gatos, deixar de observar mudanças no comportamento e não prestar atenção aos riscos presentes na casa também podem comprometer o atendimento.

“Ser um bom pet sitter é muito mais do que gostar de animais. É ter responsabilidade, conhecimento, capacidade de observação e, principalmente, entender que cada animal é um indivíduo”, conclui.