Quando as temperaturas caem, a preocupação com a saúde dos animais costuma se concentrar em cães e gatos. No entanto, os pets não convencionais também sofrem com o frio e exigem cuidados específicos para atravessar o inverno com segurança.
Répteis, aves, coelhos, roedores, peixes e outras espécies possuem características fisiológicas próprias e podem ter a saúde comprometida quando o ambiente e o manejo não atendem às suas necessidades.
“Os desafios vão de acordo com as espécies. Dentro dos pets não convencionais temos um leque muito grande de animais atendidos na rotina. Existem aqueles que não produzem calor e outros que, por manterem temperaturas corporais mais elevadas, acabam tendo maior predisposição a doenças quando os cuidados não são adequados”, explica o médico-veterinário Pedro Fernandes Semensato, clínico e cirurgião de animais selvagens, exóticos e pets não convencionais.
Segundo o profissional, compreender as necessidades de cada espécie é o primeiro passo para garantir bem-estar e reduzir os riscos à saúde durante o inverno.
Répteis são os mais sensíveis ao frio
Entre os pets não convencionais, os répteis merecem atenção especial. Como são animais ectotérmicos, dependem da temperatura do ambiente para regular a temperatura corporal.
Para explicar essa característica, Semensato faz uma comparação simples.
“Um exemplo que costumo dar aos responsáveis é: quando estamos com frio, nos cobrimos porque nosso corpo aquece a coberta, que passa a nos manter aquecidos. Com os répteis isso não acontece. Como eles não produzem calor, a roupa ou a coberta não vão aquecê-los. Na verdade, elas apenas vão manter o animal frio”.
Por esse motivo, o uso de lâmpadas de aquecimento é indispensável durante todo o ano e especialmente no inverno.
A maioria das espécies também necessita de lâmpadas que emitam radiação ultravioleta (UVA e UVB), fundamentais para o metabolismo, o desenvolvimento e a absorção adequada de nutrientes.
Além disso, o frio interfere diretamente na alimentação dos répteis. Como o metabolismo depende da temperatura ambiente, eles tendem a consumir menos alimentos quando a temperatura diminui.
Em algumas situações, alimentos com maior teor calórico podem ser oferecidos, sempre com orientação do médico-veterinário.

Ambiente e alimentação fazem a diferença
As aves também exigem atenção durante os dias frios. Embora produzam calor corporal, mantêm uma temperatura média entre 39°C e 42°C, o que aumenta o gasto energético para manter o organismo aquecido.
“Quando fornecemos uma fonte de calor para a ave, ela consegue manter a temperatura corporal com menos esforço e gasta menos energia. Pensando nisso, durante o inverno também podemos oferecer alimentos com teor calórico mais elevado para suprir essa demanda”, orienta Semensato.
Se vivem em áreas externas, o ideal é que permaneçam em locais protegidos das correntes de ar. Já o uso de lâmpadas de cerâmica, que aquecem sem emitir luz, também é recomendado.
Por outro lado, para coelhos e roedores, a orientação é manter os animais em ambientes protegidos do frio, oferecendo tocas, mantas de tecido macio e bastante feno.
Citando especificamente os coelhos, o feno e o capim continuam sendo a base da alimentação e devem permanecer disponíveis à vontade.
Já entre os roedores, o médico-veterinário lembra que cada espécie possui características anatômicas, fisiológicas e nutricionais próprias, o que exige recomendações específicas de manejo e alimentação.
Outra recomendação importante é evitar oferecer frutas, verduras e legumes diretamente da geladeira. O ideal é aguardar que esses alimentos atinjam a temperatura ambiente antes de serem fornecidos.
Para completar, peixes e outros animais mantidos em aquários ou aquaterrários também precisam de atenção. Aquecedores e termostatos devem funcionar corretamente para manter a água na temperatura adequada.
Sinais de alerta e doenças respiratórias
Identificar problemas de saúde em pets não convencionais pode ser um desafio, já que essas espécies costumam esconder sinais clínicos por instinto.
“No geral, os pets não convencionais são presas. Como mecanismo de defesa, escondem ao máximo qualquer alteração clínica. Quando demonstram que não estão bem, muitas vezes, a doença já está em estágio avançado”, alerta o médico-veterinário.
Perda de apetite, diminuição da atividade, alterações na postura, mudanças nas fezes ou na urina, secreção nasal e chiados respiratórios estão entre os principais sinais que exigem atenção e justificam uma avaliação veterinária.
Durante o inverno, também aumenta a ocorrência de doenças respiratórias, como gripes, bronquites e pneumonias, principalmente quando os animais permanecem expostos ao frio ou vivem em ambientes inadequados.
Além disso, répteis e hamsters podem apresentar um fenômeno chamado brumação, semelhante à hibernação. Nesse estado, o metabolismo desacelera para preservar energia diante das baixas temperaturas.
Embora seja uma resposta natural ao frio, ela não é desejável para animais mantidos como pets e pode indicar que o ambiente precisa de ajustes.

Informação e check-ups previnem problemas
Para Semensato, muitos problemas de saúde poderiam ser evitados se os responsáveis tivessem acesso a informações confiáveis sobre manejo, ambiente e alimentação.
“Muitos responsáveis desconhecem a fisiologia dessas espécies e acabam recebendo informações incorretas na internet ou até mesmo em locais de venda dos animais. Isso favorece erros de manejo e alimentação que podem resultar em doenças graves”, afirma.
O médico-veterinário reforça que cada espécie possui necessidades próprias e que orientações generalizadas nem sempre atendem às exigências de todos os animais.
“Ninguém conhece melhor o comportamento do animal do que o próprio responsável. É responsabilidade dele buscar o manejo ambiental e nutricional correto para a espécie. Também é fundamental realizar check-ups de rotina, porque esses animais escondem alterações clínicas e, muitas vezes, os exames falam por eles”, conclui.

