Antes de conduzir uma pessoa com deficiência visual pelas ruas, o cão de assistência passa por uma etapa fundamental: aprender a conviver com o mundo.
Regras de convivência, respeito ao espaço, às pessoas e a outros animais fazem parte desse aprendizado inicial, que vai muito além do treinamento técnico.
Nesse processo, os instrutores profissionais não atuam sozinhos. As chamadas famílias socializadoras desempenham um papel decisivo ao acolher os filhotes nos primeiros meses de vida e apresentá-los à rotina da sociedade.
O trabalho voluntário é uma das bases do programa do Instituto Adimax, centro de referência no treinamento de cães de assistência.
O papel das famílias socializadoras na formação do cão
As famílias socializadoras são responsáveis por apresentar o mundo ao filhote de forma estruturada, com afeto, mas também com limites e regras claras.
Segundo Fabiano Pereira, responsável técnico do Instituto Adimax, o comprometimento desses voluntários é indispensável para a existência do programa.
“A gente diz que a família socializadora apresenta o mundo para esse cão, e isso é feito de uma forma muito responsável, com muito carinho, amor, mas também com regras. Esses voluntários precisam estar realmente comprometidos com a causa, pois sem eles, não temos cães de assistência”, afirma.
Por volta dos três meses de idade, o filhote deixa o Instituto e passa a viver com uma dessas famílias.
Durante cerca de um ano, ele aprende a andar de elevador, frequentar supermercados, esperar em filas, ir a restaurantes e lidar com barulho, movimento e pessoas diferentes.
Essa vivência constrói a base emocional e comportamental necessária para que ele se torne um cão de assistência.
Ao final do período de socialização, o cão retorna ao Instituto para iniciar a etapa técnica de treinamento.
Vivência prática constrói a base emocional do cão
É durante a convivência diária com a família socializadora que o filhote desenvolve confiança, autocontrole e capacidade de adaptação.
Qualquer falha nessa fase pode comprometer todo o processo de treinamento futuro.
Dalete Souza, moradora de Sorocaba (SP), já socializou dez cães e atualmente cuida de Café, um labrador.
Alguns dos cães que passaram por sua casa hoje auxiliam pessoas com deficiência, incluindo uma criança dentro do espectro autista.
“Não vou mentir, dá trabalho, mas quando olho o bem que isso vai fazer na vida de uma pessoa, só vejo o resultado”, relata.
Durante o período de socialização, despesas como alimentação, cuidados veterinários, vacinas e banhos são de responsabilidade do Instituto Adimax.
Ainda assim, encontrar voluntários dispostos a assumir esse compromisso não é simples.
“É um trabalho lindo, mas exige entrega e disposição para fazer a coisa certa”, reforça Fabiano.

Despedida faz parte do voluntariado
Deixar o cão partir é uma das etapas mais difíceis do processo. No entanto, é também o momento em que o voluntariado ganha um significado ainda mais profundo: abrir mão de algo que se ama para que outra pessoa conquiste autonomia, mobilidade e independência.
“Hoje eu vim entregar o Pantera, e o meu sentimento é de deixar um filho na universidade pela primeira vez. Estou emocionada, chorei muito, mas tenho a sensação de dever cumprido”, conta Hidelma Ferreira, que viveu a experiência pela primeira vez.
Ser família socializadora não exige experiência prévia com adestramento. O que se pede é tempo, compromisso e disposição para ensinar o básico: educação, rotina, limites, convivência e carinho.
As pessoas interessadas em participar do programa podem se inscrever diretamente no site do Instituto Adimax, na aba “famílias socializadoras”.
Até o momento, a instituição já entregou mais de 100 cães de assistência em diversas regiões do país, resultado de uma rede de voluntários que escolheu fazer a diferença.

Fonte: JTCom, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre famílias socializadoras e cães de assistência
O que faz uma família socializadora?
Ela acolhe o filhote e o ensina a conviver com diferentes ambientes, pessoas e situações do dia a dia.
Por quanto tempo o cão fica com a família socializadora?
Em média, cerca de um ano, antes de retornar ao Instituto para o treinamento técnico.
É preciso ter experiência com adestramento para ser voluntário?
Não. O mais importante é ter tempo, compromisso e disposição para educar e conviver com o cão.

