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Farmácias veterinárias ganham espaço com avanço do mercado pet e novas demandas de consumo

Maior longevidade dos animais, tratamentos personalizados e busca por conveniência impulsionam o segmento, mas expansão exige qualidade, rastreabilidade e rigor técnico

Farmácias veterinárias ganham espaço com avanço do mercado pet e novas demandas de consumo
Por Stéfani Campos Chagas
8 de outubro de 2026

O mercado de medicamentos para animais de companhia acompanha uma transformação mais ampla na relação entre famílias e pets.

Com o aumento da longevidade dos cães e gatos, a evolução da Medicina Veterinária e a busca por tratamentos cada vez mais individualizados, cresce também a demanda por soluções farmacêuticas capazes de atender às particularidades de cada paciente.

Nesse cenário, as farmácias veterinárias, especialmente as de manipulação, ganham espaço ao lado de uma mudança no perfil dos responsáveis, que estão mais informados e buscam maior praticidade para seguir os tratamentos prescritos.

Ao mesmo tempo, a expansão dos canais de venda e o avanço da tecnologia colocam novos desafios para o setor, principalmente em relação à qualidade, segurança e rastreabilidade dos medicamentos.

Para Elaine Cici, engenheira química e coordenadora responsável pela Farmácia de Manipulação Veterinária Petlove, o amadurecimento do segmento está diretamente relacionado à evolução da própria relação das famílias com os animais.

“Hoje temos animais vivendo mais, tratamentos mais sofisticados e uma Medicina Veterinária cada vez mais individualizada. Isso aumenta a necessidade de soluções farmacêuticas que acompanhem as particularidades de cada paciente”, afirma.

Mudanças no consumo acompanham evolução dos cuidados

O perfil dos responsáveis também passou por mudanças. Mais participativos e exigentes, eles passaram a buscar não apenas acesso aos medicamentos, mas alternativas que facilitem a administração dos tratamentos na rotina.

Na avaliação de Elaine, existe uma diferença importante entre simplesmente adquirir um produto e tratar um paciente.

“Medicamento exige orientação e responsabilidade. Por isso, acredito que o papel do mercado não seja simplesmente facilitar a compra, mas facilitar o acesso ao tratamento prescrito pelo médico-veterinário”, pontua.

Dentro desse contexto, a manipulação pode permitir adaptações relacionadas à apresentação do medicamento, incluindo formas farmacêuticas e características que favoreçam sua administração. A possibilidade de personaliza

ção ganha relevância especialmente diante da diversidade de pacientes e das diferentes necessidades encontradas na rotina clínica.

Para a profissional, o objetivo é transformar a prescrição em uma solução que possa ser incorporada à rotina do responsável sem perder de vista os critérios técnicos envolvidos na produção do medicamento.

Elaine Cici, engenheira química e coordenadora responsável pela Farmácia de Manipulação Veterinária Petlove
Elaine Cici é engenheira química e coordenadora responsável pela Farmácia de Manipulação Veterinária Petlove (Foto: Divulgação / Petlove)

Mais canais de acesso, maior necessidade de controle

A ampliação dos canais de venda e o uso de recursos digitais também modificaram a dinâmica do mercado farmacêutico veterinário.

Ferramentas tecnológicas podem facilitar etapas como envio de receitas, elaboração de orçamentos, comunicação e entrega, mas, segundo Elaine, a conveniência não deve substituir os processos técnicos.

“A tecnologia pode facilitar, mas não deve substituir os processos técnicos e os controles que garantem a qualidade do medicamento”, ressalta.

Na manipulação magistral, em que cada preparação é produzida de acordo com uma prescrição específica, o controle das etapas ganha ainda mais importância.

A profissional destaca a utilização de recursos como rastreamento de matérias-primas por código de barras e leitura de lote, pesagem monitorada, documentação de qualidade e homologação de fornecedores.

A combinação entre personalização e controle aparece, assim, como um dos pontos centrais da profissionalização do segmento. “A flexibilidade da manipulação” precisa estar acompanhada “do rigor de um processo controlado”.

Farmácias e médicos-veterinários: uma relação de parceria

O crescimento do mercado também amplia a necessidade de integração entre os diferentes profissionais envolvidos na jornada de saúde dos animais. Nesse processo, a farmácia veterinária pode atuar como apoio à decisão estabelecida pelo médico-veterinário.

“A farmácia precisa ser uma parceira do médico-veterinário, e não uma concorrente na relação com o responsável”, evidencia a engenheira química.

Conforme diz, enquanto o profissional da Medicina Veterinária conhece o paciente, estabelece o diagnóstico e define a conduta, a farmácia possui conhecimento farmacêutico e estrutura para executar a preparação conforme a prescrição.

Essa divisão de responsabilidades reforça a importância de canais de comunicação entre os profissionais. Na experiência da Petlove, a proposta inclui manter um canal para que médicos-veterinários possam conversar com farmacêuticos diante de eventuais necessidades relacionadas às fórmulas.

“Nosso papel é apoiar a prescrição e garantir que ela seja respeitada em cada etapa da manipulação”, assegura.

Profissionalização exige processos e rastreabilidade

Com a expansão do segmento, um dos principais desafios está em crescer sem comprometer os controles necessários para a produção de medicamentos.

De acordo com Elaine, uma operação profissional precisa contemplar todas as etapas, desde a seleção das matérias-primas até a manipulação, conferência, armazenamento, rastreabilidade e entrega.

Na manipulação magistral, esse cuidado ganha uma dimensão adicional porque cada preparação está vinculada a uma prescrição específica.

“Quanto mais individualizado é o medicamento, maior precisa ser o controle sobre cada etapa da sua produção”, ressalta.

Além da tecnologia, a profissional destaca a importância das equipes envolvidas no processo. O conhecimento técnico e a atenção durante a execução das fórmulas são considerados elementos fundamentais para garantir que a preparação corresponda ao que foi prescrito.

A qualidade, portanto, não começa apenas na conferência do produto final. Ela envolve também a seleção e qualificação de fornecedores, documentação das matérias-primas e controles realizados durante a produção.

“Para nós, rastreabilidade e controle não são burocracia: são parte da segurança que o veterinário espera de uma farmácia que participa do tratamento do seu paciente”, sustenta.

A manipulação permite criar medicamentos personalizados e está ganhando espaço na Medicina Veterinária (Fogo: Reprodução / Magnific) 

Mercado deve avançar em personalização e integração

O crescimento do setor pet vem atraindo investimentos, novas empresas, tecnologias e modelos de negócio.

Para Elaine, o momento representa uma fase de amadurecimento do mercado de medicamentos para animais de companhia, mas também aumenta a responsabilidade dos diferentes agentes envolvidos.

Entre as tendências para os próximos anos, ela cita a personalização, a digitalização da jornada, o desenvolvimento de novas formas farmacêuticas e a busca por soluções que favoreçam a realização dos tratamentos.

Outro movimento apontado é a maior integração entre os atores da saúde veterinária. Nesse cenário, o médico-veterinário permanece como responsável pela decisão clínica, enquanto as farmácias podem contribuir com conhecimento técnico e estrutura para a execução da prescrição.

A perspectiva reforça uma mudança importante no mercado: a farmácia veterinária deixa de ser vista apenas como um ponto de aquisição de medicamentos e passa a integrar uma jornada mais ampla de cuidado, na qual acesso, conveniência, tecnologia e controle precisam caminhar juntos.