O avanço da idade traz mudanças naturais para humanos, assim como para cães e gatos. Com o aumento do risco de doenças crônicas e degenerativas, é preciso ampliar a atenção sobre esse período da vida. Pensando nisso, foi criada a campanha Fevereiro Roxo, que promove informação e orientação sobre saúde, bem-estar e responsabilidade com animais idosos.
Esse movimento é voltado à conscientização dos responsáveis sobre os sinais de envelhecimento, a necessidade de acompanhamento clínico e a importância de evitar o abandono nessa fase.
Segundo Camila Freitas, médica-veterinária e coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Estácio, a proposta é estimular o cuidado contínuo e preventivo.
“O Fevereiro Roxo é uma campanha de conscientização dedicada à saúde e ao bem-estar de cães e gatos idosos. O foco principal é alertar os responsáveis sobre as mudanças naturais que ocorrem com a idade e as doenças que podem surgir ao longo do envelhecimento”, explica.
Quando começa a fase idosa
De acordo com a médica-veterinária, a entrada na terceira idade varia conforme espécie e porte corporal. De modo geral, os gatos começam a envelhecer por volta dos sete anos e costumam ser considerados idosos a partir dos 10. Já entre os cães, o tamanho influencia diretamente essa conta.
“Os de porte médio, por exemplo, entram nessa fase entre sete e oito anos. Já os grandes e gigantes podem ser considerados idosos a partir dos cinco anos. Essas referências servem como base, mas a avaliação individual deve ser feita em consulta clínica”, explica a coordenadora.

Principais doenças em pets geriátricos
Entre os quadros mais comuns no envelhecimento estão alterações cognitivas, problemas osteoarticulares e doenças cardíacas, renais e metabólicas. Mudanças de comportamento costumam ser um dos primeiros indícios de que algo não vai bem.
“Entre as afecções mais comuns em pets idosos estão a Síndrome da Disfunção Cognitiva, condição semelhante ao Alzheimer em humanos, que pode se manifestar por desorientação, alterações no ciclo de sono e perda de comandos já aprendidos”, afirma Camila.
Dificuldade para subir escadas, rigidez, cansaço excessivo, mudança na ingestão de água, perda de peso, apetite irregular e alterações urinárias também estão entre os sinais que merecem atenção. Porém, nem toda mudança deve ser atribuída apenas à idade.
A docente reforça que alguns comportamentos podem até ser esperados — como dormir mais e ter movimentos mais lentos —, mas confusão mental, andar em círculos, se perder dentro de casa e variações bruscas de peso são alertas importantes.
Rotina adaptada faz diferença
Nessa fase o cuidado diário com cães e gatos precisa ser ajustado. A alimentação, por exemplo, deve ser adequada para a faixa etária, o controle de peso, os estímulos físicos leves e as atividades cognitivas contribuem para manter a qualidade de vida.
A adaptação do ambiente também é recomendada.
“No dia a dia, os cuidados com pets idosos devem ser contínuos e atentos às mudanças naturais do envelhecimento. A adaptação do ambiente, com camas confortáveis, rampas e fácil acesso à comida e à água, ajuda a preservar a autonomia do pet”, orienta a médica-veterinária.
Já consultas periódicas permitem identificar alterações de forma precoce e ajustar dieta, medicações e manejo. O monitoramento clínico também ajuda a acompanhar a resposta a tratamentos e antecipar complicações.

Prevenção e responsabilidade ao longo da vida
O movimento Fevereiro Roxo também aborda um ponto sensível: o abandono na velhice. Por isso, é válido ressaltar que a fase mais frágil exige mais atenção — e não o rompimento do vínculo.
“A idade avançada não justifica o abandono, que é uma forma de maus-tratos e é penalizado pela legislação brasileira. O compromisso com um animal deve ser vitalício, incluindo os momentos mais frágeis da sua vida. A proposta do Fevereiro Roxo é, justamente, reforçar esse compromisso, promovendo informação, prevenção e cuidado contínuo para garantir bem-estar até os anos mais avançados”, conclui Camila.
FAQ sobre a campanha Fevereiro Roxo
O que é esse movimento?
É uma campanha de conscientização dedicada à saúde e ao bem-estar de cães e gatos mais velhos, com foco em mudanças do envelhecimento, doenças crônicas e degenerativas, identificação precoce de sinais clínicos e prevenção, além do combate ao abandono nesse momento.
Com que idade cães e gatos são considerados idosos?
Cães de pequeno porte entram nessa fase por volta dos sete anos; os de porte médio, entre sete e oito; os de grande e gigante porte, a partir dos cinco. Os gatos começam a envelhecer por volta dos sete anos e, geralmente, são considerados idosos a partir dos 10.
Quais problemas de saúde são mais comuns em animais mais velhos?
São frequentes a Síndrome da Disfunção Cognitiva, enfermidades osteoarticulares como artrose, problemas cardíacos e renais, além de diabetes e outras alterações metabólicas.

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