Um achado alarmante realizado por cientistas na remota Ilha Lord Howe, na Austrália, acendeu um novo alerta sobre o impacto devastador da poluição nos oceanos.
Um único filhote de pardela-de-pés-rosados (Ardenna carneipes) foi encontrado com 894 fragmentos de plástico acumulados no estômago. O caso foi documentado pelo grupo de pesquisa Adrift Lab e publicado na revista científica Earth’s Future.
O volume do material coletado era tão expressivo que superava a metade do peso corporal da ave, estabelecendo um triste recorde mundial de ingestão de resíduos sintéticos por um animal. O recorde anterior, registrado em 2024, era de 407 fragmentos em um único indivíduo.
Ingestão de lixo marinho e o avanço da plasticose
Segundo os pesquisadores, as aves adultas confundem os resíduos que flutuam no Mar da Tasmânia com alimentos como peixes e lulas, devido ao formato e ao cheiro do material. Sem perceber o perigo, os pais coletam esses plásticos e os regurgitam nos ninhos para alimentar seus filhotes.
A ingestão contínua desses detritos causa perfurações e lesões internas graves, impedindo a absorção adequada de nutrientes. Esse quadro leva à “plasticose”, uma doença crônica caracterizada pela inflamação e formação de cicatrizes no trato digestivo dos animais.
Com o estômago permanentemente ocupado pelo lixo, os filhotes sofrem de desnutrição severa, atraso no crescimento e acabam morrendo de fome.

Danos permanentes à fauna e alerta ambiental
Mesmo as aves que sobrevivem a essa fase carregam sequelas permanentes para a vida adulta. Os danos aos órgãos e a fragilidade física comprometem a capacidade de caça, os voos de longa distância e o sucesso reprodutivo.
O estudo reforça a gravidade da crise global do plástico, que já afeta ecossistemas isolados e ameaça a sobrevivência de espécies marinhas.
Fonte: UOL, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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