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Levantamento pretende visualizar a situação do ensino da Zootecnia em São Paulo

Panorama apresentado deverá passar por tratamento qualitativo e gerar a sinopse dos cursos
Por Equipe Cães&Gatos
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Por Equipe Cães&Gatos

Durante o I Encontro de Coordenadores de Cursos de Zootecnia, realizado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), na sede da autarquia, a Comissão Técnica de Zootecnia e Ensino da autarquia apresentou o “Panorama dos Cursos de Zootecnia do Estado de São Paulo”.

O documento, apresentado pela zootecnista Célia Regina Orlandelli Carrer, integrante da Comissão, é um diagnóstico feito a partir de dados disponibilizados pelos coordenadores durante as visitas realizadas às instituições, nos meses de abril e maio deste ano. “Agradeço o apoio do Conselho e também a participação dos coordenadores dos cursos. Em especial pela confiança que tiveram em responder ao questionário elaborado pela Comissão Técnica de Zootecnia e Ensino, muitas vezes com dados sensíveis aos cursos. Nenhum coordenador se negou a apresentar esses dados a nós”, salientou.

A primeira etapa, apresentada durante o evento, foi a análise quantitativa dos dados, cuja metodologia incluiu o levantamento dos cursos de Zootecnia de São Paulo baseado nos dados disponíveis no Cadastro Nacional de Cursos e Instituições de Educação Superior do Ministério da Educação (e-MEC), o desenvolvimento do questionário, o contato com os coordenadores, a coleta de dados a campo, o tratamento inicial quantitativo dos dados, e a apresentação das análises iniciais dos dados primários coletados.

Célia ressaltou, ainda, que, no segundo semestre, será feita uma análise do material apresentado durante o I Encontro, quando haverá o tratamento qualitativo dos dados. “A Comissão fará reuniões presenciais e à distância para amadurecer e discutir ponto a ponto as questões levantadas no questionário qualitativo, bem como para a construção de um documento que possa colaborar de fato com as instituições de ensino superior (IESs) nas reflexões sobre as constantes atualizações pelas quais os cursos devem passar, acompanhando sempre o dinamismo do setor do Agronegócio brasileiro, resultando na confecção de uma sinopse dos cursos de Zootecnia do Estado de São Paulo.”

A ideia, destacou a zootecnista, é fazer tanto a análise qualitativa dos dados coletados a partir dos questionários (dados primários), como incrementar o material com dados secundários, principalmente, da plataforma do Censo da Educação Superior. “Acredito que será um documento muito rico e esperamos estar com ele publicado pela Comissão Técnica de Zootecnia e Ensino antes do final do ano”, enfatizou Célia.

Para o presidente do CRMV-SP, Odemilson Donizete Mossero, o trabalho que tem sido desenvolvido pela Comissão Técnica está alinhado com a proposta de aproximação do Conselho junto às instituições de ensino, e possibilitará maior colaboração para com o ensino da Zootecnia no Estado de São Paulo. “O grupo tem feito um excelente trabalho com as universidades e com os profissionais da classe. É importante gerar conhecimento, apresentar o que o Conselho faz, e promover conhecimento ético, além do técnico. Os zootecnistas são nossos co-irmãos e também devem ser valorizados pelo importante papel que desempenham.”

O ensino da Zootecnia no Estado

De acordo com os dados iniciais do panorama sobre os cursos de Zootecnia, o ensino presencial é predominante nos nove cursos regulares aprovados pelo MEC, sendo o mais antigo o da Unesp Jaboticabal, criado em 1971, e o mais recente o do Centro Universitário de Rio Preto (Unirp), de 2020. Existem também três cursos na modalidade ensino a distância (EaD), todos de instituições privadas e abertos durante a pandemia de Covid-19.

“Vale destacar que não temos cursos de Zootecnia na cidade de São Paulo, pois eles estão estrategicamente em regiões do Estado em que a agropecuária está pujante. No Brasil inteiro, atualmente, temos 124 cursos, sendo que 80% são em instituições públicas, federais ou estaduais”, enfatizou Célia.

No Estado de São Paulo, segundo o Panorama, acontece o mesmo equilíbrio entre os gêneros: 54% (homens) e 46% (mulheres), diferente da Medicina Veterinária que é essencialmente feminina (Foto: divulgação)

Coordenadores e docentes

O perfil dos coordenadores dos cursos mostrou que 88% deles tem, pelo menos, doutorado e são zootecnistas, com tempo médio de magistério superior a 15 anos. “São todos professores bastante experientes, comprometidos com a Zootecnia, que conhecem a fundo as necessidades da formação de um zootecnista, e, portanto, com toda a condição de bem coordenar os seus cursos e presidir os núcleos docentes estruturantes necessários para que as reflexões sobre a graduação aconteçam”, ressaltou Célia.

Outraquestão que chama a atenção é o corpo docente que está envolvido nos cursos de Zootecnia. 92% dos professores que ministram aulas no curso têm o doutorado já finalizado, são professores experientes que têm bastante bagagem para passar aos estudantes. Além disso, 30% deles são zootecnistas.

Estudantes

Segundo dados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade/MEC) de 2019, na Zootecnia há um equilíbrio entre estudantes homens (55%) e mulheres (45%). No Estado de São Paulo, segundo o Panorama, acontece o mesmo equilíbrio entre os gêneros: 54% (homens) e 46% (mulheres), diferente da Medicina Veterinária que é essencialmente feminina. Outro dado importante é que 59% dos alunos que cursam Zootecnia trabalham.

Atualmente, há cerca de seis mil zootecnistas formados no Estado de São Paulo, sendo 4.717 em instituições públicas, e 1.206 em IESs privadas. Desse universo, somente 1.505 estão inscritos no CRMV-SP. Célia lembrou que a relação do Conselho com os zootecnistas ao longo desses mais de 50 anos de história ainda precisa avançar.

“Desde a implantação dos Conselhos, em 1968, o zootecnista sempre se sentiu bastante alijado desse processo. Então, esse relacionamento precisa ser construído. A gestão do Dr. Odemilson (Donizete Mossero) tem propiciado que esse relacionamento seja construído de maneira positiva e propositiva. Acredito que melhorando o relacionamento dos zootecnistas com o Conselho haverá sim uma maior adesão e participação dos profissionais. A Comissão Técnica de Zootecnia e Ensino tem buscado ser interlocutora para que essa construção sempre aconteça de maneira a valorizar a participação do zootecnista e as pautas da classe dentro do Conselho”, ressaltou Célia.

Estrutura dos cursos

Outro ponto a se destacar do levantamento feito pela Comissão é a infraestrutura para oferta das atividades práticas necessárias aos cursos de Zootecnia, sejam elas disciplinas básicas ou profissionalizantes. “Nós encontramos uma infraestrutura muito boa nos cursos. Para a parte básica, 100% das instituições atendem às necessidades dessas disciplinas e para os setores de produção, só duas instituições não estavam com 100% dessa infraestrutura adequada, mas estão localizadas em regiões estratégicas do Estado de São Paulo e fazem parcerias com fazendas, institutos de pesquisa e outras instituições de ensino superior que possibilitam a realização dessa parte prática, então, o prejuízo para os estudantes é muito pequeno”, afirmou Célia.

Diretrizes Curriculares

Em relação às disciplinas obrigatórias definidas pelas Diretrizes Curriculares da Zootecnia, a integrante da Comissão do CRMV-SP ponderou que, mesmo que as IESs tenham autonomia para definir a carga horária, é preciso atenção, pois existem áreas, como Ciências Ambientais, que deveriam ter mais peso.

“Acredito que a carga horária dedicada a esse campo do saber Ciências Ambientais, no rol das disciplinas obrigatórias dos cursos de Zootecnia, merece atenção, tanto do núcleo docente estruturante como pelas coordenações de curso. É esperado que questões emergentes como a sustentabilidade e o ESG (environmental, social and governance – sigla em inglês utilizada para definir se uma empresa é socialmente consciente, sustentável e corretamente gerenciada) estejam perpassando conteúdos de várias disciplinas de maneira transversal. Para que isso ocorra, há necessidade de um acompanhamento de perto, tanto das coordenações, como do Núcleo Docente Estruturante (NDE). Caso isso não esteja acontecendo será preciso estimular e fomentar medidas para que essas discussões apareçam no currículo”, explicou a zootecnista.

Célia lembra, ainda, que, nas Diretrizes Curriculares, os campos do saber não necessariamente precisam estar refletidos na forma de disciplinas, eles podem e devem também estar na forma dessas discussões transversais. “Então, o que a gente espera é que um assunto tão contemporâneo como é o da sustentabilidade esteja de fato incorporado nos currículos de Zootecnia”, conclui.

Fonte: CRMV-SP, adaptado pela equipe Cães e Gatos VET FOOD.

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