O avanço da Medicina Veterinária no interior de São Paulo vem mudando a forma como casos de maior complexidade são conduzidos fora dos grandes centros.
Tecnologias, especialidades e estruturas hospitalares que durante anos estiveram concentradas principalmente nas capitais começam a ganhar espaço em cidades do interior, permitindo que pacientes tenham acesso a diagnóstico, monitoramento e tratamentos avançados mais próximos de casa.
Em Franca (SP), o Hospital Animal IntensiveUp acompanha esse movimento com uma proposta baseada na integração entre atendimento 24 horas, estrutura hospitalar, diagnóstico, especialidades, tecnologia e recursos voltados aos pacientes de maior complexidade.
Segundo Douglas Gomes Borges, médico-veterinário e diretor do Hospital Animal IntensiveUp, a proposta sempre foi construir uma estrutura capaz de oferecer diferentes níveis de cuidado dentro do mesmo hospital.
“Quando pensamos em alta complexidade, não estamos falando de um único equipamento ou de uma única especialidade. Estamos falando de estrutura, equipe, diagnóstico, monitoramento e capacidade de resposta. Nosso objetivo é fazer com que o paciente encontre esse suporte também no interior”, afirma.
Uma estrutura pensada para diferentes níveis de complexidade
O IntensiveUp reúne atendimento 24 horas, internação, Unidade de Terapia Intensiva (UTI), centro cirúrgico 24 horas, laboratório próprio 24 horas, diagnóstico por imagem, hemocentro, farmácia veterinária e atendimento em diferentes especialidades.
A estrutura permite que diferentes etapas da investigação e do tratamento sejam realizadas de maneira integrada.
Em um mesmo caso, um paciente pode necessitar de exames laboratoriais, hemogasometria, ultrassonografia, radiografia, avaliação cardiológica, transfusão sanguínea, cirurgia, ventilação mecânica ou cuidados intensivos.
Para Douglas, é justamente a integração entre esses recursos que caracteriza a proposta hospitalar.
“Um paciente complexo raramente precisa de apenas uma especialidade ou de um único procedimento. Muitas vezes, ele chega pela emergência, precisa de exames, passa por avaliação de especialistas e pode necessitar de cirurgia ou UTI. Quando esses setores trabalham de maneira integrada, conseguimos dar continuidade ao atendimento sem fragmentar o cuidado”, explica.
Especialidades trabalhando de forma integrada

Outro pilar do modelo é a atuação conjunta entre médicos-veterinários de diferentes áreas.
O hospital conta com profissionais atuando em áreas como Neurologia, Cardiologia, Nefrologia e Urologia, Diagnóstico por Imagem, Cirurgia, Anestesiologia e Intensivismo, permitindo discussões multidisciplinares, principalmente nos casos de maior complexidade.
A proposta é que as especialidades não funcionem de maneira isolada, mas como parte de uma estrutura hospitalar capaz de acompanhar o paciente durante diferentes momentos do diagnóstico e do tratamento.
Essa integração também se estende aos médicos-veterinários externos que encaminham seus pacientes ao IntensiveUp.
“O profissional que acompanha aquele animal conhece seu histórico e sua evolução. Quando ele encaminha um caso para nós, nossa intenção é somar a estrutura hospitalar e as especialidades necessárias naquele momento, mantendo uma relação próxima com o veterinário responsável pelo paciente”, destaca Douglas.
Tecnologia como suporte à Medicina Veterinária
A tecnologia já faz parte da rotina do IntensiveUp e acompanha o desenvolvimento da estrutura hospitalar desde sua concepção.
Recursos como suporte intensivo, ventilação mecânica, hemogasometria, diagnóstico por imagem, hemoterapia, monitorização e estrutura cirúrgica integram a rotina do hospital e dão suporte às diferentes especialidades, especialmente na condução de pacientes de maior complexidade.
A proposta é que a tecnologia não seja vista de forma isolada, mas como uma ferramenta integrada à atuação dos médicos-veterinários e à estrutura disponível para diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes.
Na área de Nefrologia e Urologia, o hospital conta com dois médicos-veterinários especializados, Vitor Silva e Emilly Ferreira, além de realizar procedimentos como microcirurgias renais, implantação de cateter duplo J e bypass urinário.
Mais recentemente, a estrutura passou a contar também com hemodiálise veterinária, ampliando as possibilidades terapêuticas para determinados pacientes renais, intoxicados ou criticamente enfermos.
Hemodiálise passa a integrar os recursos de alta complexidade
A implantação da hemodiálise veterinária representa um dos novos avanços tecnológicos incorporados pelo IntensiveUp.
A terapia renal substitutiva pode ser considerada em situações específicas, como lesão renal aguda grave, determinadas intoxicações, alterações eletrolíticas importantes, sobrecarga de volume e quadros de uremia, sempre de acordo com critérios clínicos e laboratoriais.
O recurso também pode funcionar como suporte enquanto a equipe trata a causa primária e acompanha uma possível recuperação da função renal.
Para o hospital, entretanto, a chegada da tecnologia não pode ser analisada de maneira isolada.
“A máquina é apenas uma parte do processo. Um paciente que necessita de hemodiálise frequentemente é um paciente complexo e pode precisar de estabilização, exames, acompanhamento cardiológico, controle de eletrólitos, suporte intensivo e monitoramento antes, durante e depois da terapia. Por isso, a hemodiálise faz sentido para nós justamente por estar inserida dentro de uma estrutura hospitalar completa”, explica Douglas.
A disponibilidade do serviço em Franca também reduz a necessidade de deslocamento de determinados pacientes para grandes centros em busca desse tipo de suporte.
Plano de saúde aproxima os responsáveis da estrutura hospitalar

Paralelamente aos investimentos em estrutura, equipe e tecnologia, o IntensiveUp desenvolveu seu próprio plano de saúde veterinário.
A proposta é ampliar as possibilidades de acesso aos diferentes serviços disponíveis e aproximar os responsáveis de uma rotina de acompanhamento preventivo, diagnóstico e hospitalar.
Segundo Adrieli Morais, responsável pela operação do Plano de Saúde IntensiveUp, o objetivo é fazer com que toda a estrutura construída pelo hospital esteja mais próxima do cliente ao longo da vida do animal, e não apenas diante de uma situação de emergência ou de maior complexidade.
O modelo permite aproximar os responsáveis de consultas, exames, acompanhamento preventivo e dos procedimentos previstos em cada modalidade do plano.
“Não queremos construir uma estrutura de alta complexidade que o responsável conheça apenas quando o animal está gravemente doente. O plano de saúde também tem esse papel de aproximar o cliente do hospital, estimular o acompanhamento e facilitar o acesso aos recursos disponíveis quando eles forem necessários”, afirma Douglas.
Novas especialidades, novos serviços e expansão
O projeto de crescimento do IntensiveUp continua e envolve tanto a ampliação das especialidades quanto o desenvolvimento de novas formas de relacionamento e cuidado com seus clientes.
Entre as próximas áreas previstas para integrar a estrutura estão Fisioterapia, Medicina Felina e Oncologia, ampliando o atendimento multidisciplinar oferecido pelo hospital.
Para 2027, o grupo também projeta a abertura, em Franca, de uma clínica inteiramente direcionada à Medicina Felina. A iniciativa considera o crescimento desse segmento e, principalmente, as particularidades dos gatos em relação ao ambiente, manejo, comportamento e atendimento médico.
Dentro desse mesmo movimento, o IntensiveUp também aposta em um serviço premium de vacinação em domicílio. A proposta é levar parte da experiência e do cuidado do hospital para dentro da casa dos responsáveis, criando uma relação mais próxima e personalizada com seus clientes.
O serviço terá atenção especial aos pacientes felinos, para os quais o deslocamento, o transporte e a mudança de ambiente podem representar fatores importantes de estresse. A vacinação domiciliar permite que determinados cuidados preventivos sejam realizados em um ambiente familiar ao animal, mantendo os protocolos e o acompanhamento veterinário.
Ao mesmo tempo, o grupo avalia a possibilidade de levar o modelo desenvolvido em Franca para outras cidades do interior paulista.
A intenção é replicar uma estrutura baseada na integração entre atendimento hospitalar, diagnóstico, especialidades, tecnologia, prevenção e acesso.

R$ 2,8 milhões em estrutura, equipamentos e tecnologia
Até o momento, aproximadamente R$ 2,8 milhões foram destinados à construção e ao desenvolvimento do IntensiveUp.
O investimento vai além da estrutura física e contempla equipamentos médicos, tecnologia, desenvolvimento de novos serviços e ferramentas voltadas à modernização tanto da rotina hospitalar quanto da experiência dos clientes.
Uma das frentes desse processo é a incorporação de inteligência artificial à rotina do hospital, com o objetivo de otimizar processos, organizar informações, apoiar fluxos internos e tornar a comunicação e o atendimento mais eficientes.
O IntensiveUp também trabalha no desenvolvimento de um aplicativo próprio, pensado para ampliar a conexão entre o hospital e seus clientes.
Entre as funcionalidades previstas estão agendamentos, compra de medicamentos e acesso ao histórico do paciente, concentrando informações e serviços em um único ambiente digital.
A estratégia reflete uma visão de hospital que não se limita à estrutura física. O investimento em tecnologia busca acompanhar o responsável antes, durante e depois do atendimento, ao mesmo tempo em que oferece ferramentas para tornar a operação hospitalar mais integrada e eficiente.
“Quando falamos em investimento, não estamos falando apenas de prédio ou equipamentos médicos. Estamos investindo também em tecnologia, inteligência artificial e em novas formas de relacionamento com nossos clientes. Queremos que a experiência acompanhe a evolução da Medicina Veterinária, tanto dentro quanto fora do hospital”, afirma Douglas.
A perspectiva é de continuidade dos investimentos à medida que novas especialidades, tecnologias e serviços forem incorporados.
“Foi uma decisão de longo prazo. Acreditamos que existe espaço no interior para uma Medicina Veterinária cada vez mais estruturada, tecnológica e especializada. Não precisamos pensar que determinados recursos devem existir apenas nos grandes centros”, completa.
Mais do que concentrar seu posicionamento em um único serviço ou especialidade, o IntensiveUp pretende consolidar um modelo hospitalar no qual diferentes recursos trabalhem de maneira complementar.
Nesse contexto, tecnologias como a hemodiálise passam a fazer parte de uma estrutura mais ampla, ao lado da UTI, centro cirúrgico, diagnóstico por imagem, laboratório, hemocentro, especialidades, tecnologia e demais serviços necessários para o atendimento de pacientes complexos.
“Nosso objetivo é fazer com que morar no interior não seja uma limitação para ter acesso à Medicina Veterinária de alta complexidade. Queremos continuar trazendo tecnologia, profissionais e novos serviços, mas sempre pensando no hospital como um todo e naquilo que o paciente precisa em cada etapa do atendimento”, conclui Douglas.

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