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Clínica e Nutrição

Mesmo sem dor, volume atípico pode ser sinal de câncer de mama

Qualquer alteração na região das mamas do pet exige análise do veterinário oncologista
Por Equipe Cães&Gatos
Por Equipe Cães&Gatos

Natalia Ponse, da redação

natalia@ciasullieditores.com.br

Ao fazer carinho em seu pet, você identifica um carocinho ali, na região das mamas. Dá uma apertadinha, o bichinho não reclama, então, você fica tranquilo, não deve ser nada. Mas, esse pode ser um sinal amarelo para buscar um veterinário.

Qualquer presença de aumento de volume na região das mamas, além de feridas que não cicatrizam, pode ser sinal de uma doença preocupante: o câncer de mama. “Nunca espere que um nódulo ou tumor cresça para buscar atendimento”, explica a médica-veterinária Oncologista do Veros Hospital Veterinário, Beatriz Kerr.

E isso vale se o crescimento desse volume for lento ou rápido, com qualquer tipo de consistência, podendo ou não apresentar dor à palpação: “A palpação periódica das mamas, além dos cuidados de rotina com o pet, é fundamental; e o tutor  deve estar sempre atento à  região das mamas, pois podem se apresentar de coloração avermelhadas, inchadas, com secreção e/ou odor desagradável”.

“Nunca espere que um nódulo ou tumor cresça para buscar atendimento”, explica Beatriz Kerr (Foto: divulgação)

O surgimento do câncer de mama nos pets é multifatorial, segundo a profissional: existe a participação de componentes genéticos, nutricionais, ambientais e, nesse caso em específico, o componente hormonal. Por isso, Beatriz enfatiza a castração precoce e recomenda evitar o uso de anticoncepcionais injetáveis – duas decisões que podem prevenir tumores de mama em cadelas e gatas.  

Estar atento aos sinais e manter uma periodicidade nas visitas ao veterinário dão uma chance de, caso diagnosticada a doença no estágio inicial, o animal ter maiores chances de cura. “O diagnóstico é realizado por histopatológico, por meio da cirurgia. Alguns exames adicionais são realizados a fim de estadiar o paciente, como raio-x tórax em 3 projeções e/ou tomografia torácica, ultrassom abdominal e exames de sangue”, conta a médica-veterinária.

Neste caso, o oncologista veterinário é o profissional mais adequado para realizar o diagnóstico, indicar o tratamento mais eficaz, informando riscos e benefícios, além de citar as probabilidades de resposta ao tratamento, bem como manejar adequadamente o paciente durante o tratamento cirúrgico e/ou clínico e controlar os efeitos colaterais do tratamento.

A escolha da opção cirúrgica, de acordo com Beatriz, é uma decisão deste profissional, assim como a técnica cirúrgica a ser empregada e número de mamas a serem removidas,  a depender do tamanho do(s) tumor (es), presença de aderências, presença de ulceração tumoral, condição corpórea e estado geral da paciente.

”Estágios mais avançados, nos quais o pet apresente um tumor muito grande, irressecável cirurgicamente ou presença de metástase a distância (nos pulmões, por exemplo), torna, muita vezes, o tratamento cirúrgico contraindicado e a única opção de tratamento se torna o uso de medicações paliativas como analgésicos, antinflamatórios e/ ou a quimioterapia paliativa”, diz.

A ocorrência desse tipo de doença se estende além das fêmeas, e pode atingir os machos – ainda que em menor número. “A ocorrência de tumores de mama neles é bem baixa, próxima a 1%; porém, nesses casos, geralmente, há um comportamento do tumor mais agressivo e um prognóstico ruim”, afirma Beatriz, acrescentando: “As principais causas que levam a alterações de glândula mamária em machos estão comumente associadas às neoplasias testiculares”.

A quimioterapia nos pets, ao contrário do que muitos pensam, é bem tolerada e os efeitos colaterais costumam ser mais brandos e de fácil manejo em casa, comparada com a terapia em humanos (Foto: reprodução)

Meu pet foi diagnosticado com câncer de mama: e agora?

O carro chefe de qualquer tratamento é a humanização e um olhar acolhedor para aquela família, principalmente quando o câncer é a razão daquela consulta. E isso abrange a relação entre as pessoas e seus pets, uma vez que a importância deles como membros da família cresce cada vez mais nos lares brasileiros. 

“Infelizmente, muitos profissionais ainda não vêem esse elo com empatia e não conseguem entender, verdadeiramente, o sentido dessa relação e ligação que aquele pet tem com sua família”, pontua Beatriz, enfatizando: “Digo isso porque é muito comum tutores de pacientes que já foram consultados por outros veterinários, buscarem um segundo profissional, mais humanizado, para uma segunda opinião”.

O uso certo das palavras, além da entonação utilizada, demonstra empatia, carinho e solidariedade com aquela família frente àquele diagnóstico. Ainda, de acordo com a profissional, ser o mais acolhedor possível nessa hora, faz muita diferença. “Muitos choram, se desesperam e está tudo bem. O mais importante é você entender que aquele pet não é mais um paciente na sua rotina clínica, mas é o grande amor de alguém. E é isso que me motiva a buscar um atendimento cada vez mais humanizado, acolhedor e carinhoso”, compartilha.

Na prática, após o procedimento cirúrgico e o diagnóstico, o médico-veterinário oncologista fará a indicação de tratamento adjuvante, como a quimioterapia, ou, dependendo do tipo de tumor, apenas acompanhamento periódico com exames de imagem (seguimento) e laboratoriais. 

A quimioterapia nos pets, ao contrário do que muitos pensam, é bem tolerada e os efeitos colaterais costumam ser mais brandos e de fácil manejo em casa, comparada com a terapia em humanos. “Em especial nas grandes capitais, é possível tratar um pet com câncer e obter resultados positivos, além de atender às necessidades dos tratamentos oncológicos com o que a Medicina Veterinária  dispõe, atualmente, de recursos no Brasil”, resume Beatriz. 

Atendimento mais humanizado é um ponto primordial no tratamento desse tipo de doença, aliviando o processo tanto para o pet quanto para o tutor (Foto: reprodução)

Para diagnóstico, são utilizados diversos exames de imagem, como os realizados na Medicina Humana, como tomografia computadorizada, ressonância magnética e ultrassonografia com Doppler. Mas o setor já vem registrando avanços nesta área, melhorando as chances de um resultado positivo ao longo deste desafio.

“Temos a disponibilidade de  drogas desenvolvidas com recursos da nanotecnologia, imunoterapia, além de medicações específicas e eficazes para determinado tipo de tumor que já estão sendo utilizadas (medicação em alvo)”, conta Beatriz e finaliza: “Outro ponto positivo é o fato de muitos médicos-veterinários buscarem especialização e estarem mais preparados para atender pacientes com neoplasias”.

Fatores que garantem, ao pet e ao tutor, uma forma individualizada e direcionada de diagnóstico e tratamento, como comentado pela veterinária. Esse tipo de cenário, envolvendo uma atmosfera de segurança e empatia, agregada aos componentes certos – humanos e materiais –, pode conceder a uma jornada desafiadora o prazer de alcançar a linha de chegada com seu pet saudável e recuperado. Por isso, não hesite em marcar uma consulta – essa pode ser a chance que o seu animalzinho precisa para passar mais tempo com você.

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