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Otite e surdez em cães e gatos: qual é a relação?

Inflamações persistentes no ouvido podem comprometer a audição; diagnóstico e tratamento precoces são decisivos para evitar danos irreversíveis

Otite e surdez em cães e gatos: qual é a relação?
Por Rebecca Vettore
13 de janeiro de 2026

A otite é uma das afecções otológicas mais frequentes em cães e gatos e, embora muitas vezes seja encarada como um problema localizado e de fácil resolução, pode evoluir para quadros graves quando não identificada e tratada corretamente.

Entre as complicações mais importantes está a perda auditiva, que pode se tornar permanente, dependendo da região do ouvido afetada.

Segundo a médica-veterinária Caren Lopes Oliveira, membro do Afrovet e mestranda em Clínica e Reprodução Animal na Universidade Federal Fluminense, a otite é caracterizada pela inflamação da orelha e pode acometer diferentes estruturas.

“Ela pode se restringir ao canal auditivo externo ou avançar para o ouvido médio e interno, situações em que o quadro se torna mais grave”, explica.

A inflamação não surge de forma isolada. Alergias, infecções bacterianas ou fúngicas, parasitas, corpos estranhos e características anatômicas das orelhas estão entre os fatores que favorecem o desenvolvimento da doença.

Quando a otite ameaça a capacidade de ouvir

A possibilidade de perda auditiva está diretamente relacionada à profundidade da inflamação.

O tipo interno é a forma que apresenta maior risco de surdez permanente, pois atinge estruturas responsáveis por transformar o som em estímulos enviados ao cérebro. Quando essas regiões sofrem danos, a recuperação tende a ser improvável.

A otite média também representa um risco importante. Embora nem sempre causa surdez imediata, a inflamação nessa região pode se estender para o ouvido interno ao longo do tempo.

“Já quadros crônicos ou recorrentes aumentam significativamente a chance de comprometimento auditivo definitivo, especialmente quando há perfuração do tímpano ou acúmulo persistente de secreção”, explica a médica-veterinária.

Por outro lado, quando a condição é externa, se tratada de forma adequada e precoce, raramente leva à surdez permanente.

No entanto, se o processo inflamatório se tornar crônico, podem ocorrer alterações estruturais no canal auditivo que facilitam a progressão da doença para regiões mais profundas.

Espécies, raças e fatores predisponentes

Em cães, a otite é mais frequente em indivíduos com determinadas conformações anatômicas.

Orelhas pendentes, canais auditivos estreitos, excesso de pelos e predisposição a doenças alérgicas aumentam o risco ao longo da vida.

Por isso, raças como cocker spaniel, basset hound, labrador retriever e algumas braquicefálicas aparecem com maior frequência em levantamentos populacionais.

“Nos gatos, não há evidência de predisposição racial para otite externa. Entretanto, condições como o complexo respiratório superior felino podem interferir no funcionamento da Trompa de Eustáquio, estrutura responsável pela ventilação do ouvido médio”, conta Caren.

Quando essa função é prejudicada, ocorre acúmulo de secreção na bula timpânica, favorecendo o desenvolvimento de otite média com efusão, mesmo sem sinais evidentes no ouvido externo.

Otite e surdez em cães e gatos: qual é a relação?
Algumas raças de cães são mais predispostas ao desenvolvimento de otite (Foto: Reprodução)

Sinais clínicos que merecem atenção

 

A diminuição da resposta a sons familiares costuma ser um dos primeiros indícios de comprometimento auditivo.

O animal pode deixar de atender quando é chamado, não reagir ao barulho da ração ou demonstrar menor resposta a ruídos repentinos.

Em perdas da capacidade de ouvir unilaterais, é comum que o indivíduo vire a cabeça sempre para o mesmo lado ao tentar localizar um som, alteração que muitas vezes passa despercebida.

Balançar frequente da cabeça, coceira intensa, dor à manipulação e secreção com odor forte são fatores que indicam inflamação ativa e aumentam a preocupação quando persistentes.

Quadros mais avançados podem incluir alterações de equilíbrio, como inclinação da cabeça, dificuldade para caminhar em linha reta e movimentos involuntários dos olhos, sinais compatíveis com comprometimento do ouvido interno.

Diagnóstico e prevenção de danos permanentes

A avaliação começa pela análise clínica detalhada do ouvido, que permite identificar inflamações, obstruções, secreção e alterações do tímpano.

A análise do material coletado orienta o tratamento, evitando a progressão da infecção para regiões mais profundas.

Para confirmar a presença e o grau de perda auditiva, o exame mais confiável é o teste de resposta auditiva do tronco encefálico (BAER), que avalia objetivamente como o cérebro responde aos sons.

Em casos suspeitos de acometimento do ouvido médio ou interno, análises de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, tornam-se fundamentais.

“O tratamento precoce é decisivo para preservar a capacidade de ouvir. Ao controlar rapidamente a inflamação, reduz-se o risco de perfuração do tímpano, a progressão da doença e danos irreversíveis às estruturas responsáveis pela audição”, conclui a médica-veterinária.

Além disso, o diagnóstico antecipado permite o uso mais seguro de medicamentos, evitando substâncias potencialmente prejudiciais quando há lesões no ouvido.

Otite e surdez em cães e gatos: qual é a relação?
Sintomas como balançar de cabeça e coceira podem indicar a presença da otite (Foto: Reprodução)

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FAQ sobre otite e surdez em cães e gatos

A otite pode causar surdez permanente em cães e gatos?

Sim. A perda auditiva pode se tornar permanente, principalmente quando a inflamação atinge o ouvido interno. Nesses casos, estruturas responsáveis por transformar o som em estímulos enviados ao cérebro podem sofrer danos irreversíveis.

Quais tipos de otite apresentam maior risco para a audição?

A otite interna é a forma com maior risco de surdez permanente. Porém, a otite média também oferece perigo, especialmente quando se torna crônica ou recorrente, pois pode se estender ao ouvido interno.

Quais sinais podem indicar que a capacidade de ouvir está sendo comprometida?

Entre os principais sinais estão a diminuição da resposta a sons familiares, dificuldade para localizar a origem dos ruídos, balanço frequente da cabeça, coceira, dor ao toque e secreção com odor forte.