Diversos aspectos do comportamento de cães e gatos podem representar muito mais do que a personalidade do animal e, na realidade, indicar dor.
Para abordar um pouco mais esse tema foi criado o Simpósio Dor e Comportamento, evento realizado na modalidade presencial nos dias 18 e 19 de outubro, em São Paulo.
Com uma programação científica composta por especialistas de renome, como Maira Formenton, Lucas Pimentel, Thiago Vendramini, Rita Carmona, Ana Luisa Lopes e a inglesa Sarah Heath, o simpósio reuniu mais de 170 pessoas.
Dentre os temas das palestras estavam: “Castração, dor e comportamento”; “Relação da obesidade com dor e comportamento”; “Pode não parecer, mas esse comportamento pode ser dor”; e “Micção fora da caixa e Síndrome de Pandora: dor ou comportamento?”.
Como o intensivismo pode estar diretamente relacionado a dor e mudanças de comportamento nos pacientes, a palestra “Da internação ao pós-operatório: como a dor molda o comportamento dos nossos pacientes”, ministrada pelo médico-veterinário mestre em Ciências da Saúde, especializado em Anestesiologia Veterinária e em Clínica da Dor e Cuidados Paliativos, Lucas Pimentel, foi uma das que despertou maior interesse do público.

Identificando a dor no pós-operatório
Um dos focos da apresentação de Lucas foi orientar os médicos-veterinários quanto às formas de classificar e identificar a dor em cães e gatos.
De acordo com ele, a sensação dolorosa pode ser classificada em quatro aspectos: temporal, intensidade, localização e mecanismos neurofisiológicos.
Dentro do comportamento estão agressividade, vocalização espontânea ou durante a palpação e postura defensiva. Já no critério de mobilidade, deve-se avaliar se existe menor movimentação, claudicação, espasmos musculares e alterações no padrão de marcha, por exemplo.
Por outro lado, alterações fisiológicas relacionadas à dor podem ser olhar fixo em um ponto, respiração curta, inapetência e mudanças na expressão facial. O quarto aspecto, postura, diz respeito aos posicionamentos do animal, apresentando alterações como aversão ao toque, cabeça baixa, dificuldade em se levantar e posição de tripé.
“Um dos maiores desafios dos médicos-veterinários pensando em dor é a comunicação e a descrição não verbal, pois nossos pacientes não falam e cada animal se comporta de uma forma diferente na internação”, relatou.
Escalas de avaliação da dor
Além da classificação, escalas de avaliação de dor são ferramentas fundamentais para os médicos-veterinários conseguirem identificar a necessidade de realizar o resgate analgésico em seus pacientes.
Nesse sentido, uma das escalas de avaliação de dor mais comuns é a numérica, que varia de 0 (sem dor) até 10 (dor intensa). No entanto, essa é mais subjetiva.
Há também a Escala de Lascelles que, assim como a anterior, usa números para pontuar a dor. Segundo o médico-veterinário, caso o animal se enquadre em uma classificação a partir do nível dois é indicado o resgate analgésico.
Outras alternativas são as escalas espécie-específicas, que existem em versões para dor aguda e crônica.
O especialista indicou para cães a Escala de Glasgow, que também é utilizada em seres humanos.
