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Artigos revista Clínica e Nutrição

Taurina: indispensável no pet food

Aminoácido tem presença fundamental nas formulações de alimentos para cães e gatos

Taurina: indispensável no pet food
Por Danielle Assis
30 de abril de 2026

A taurina é um dos aminoácidos mais citados na nutrição de felinos. Diferente de outras espécies, os gatos não são capazes de sintetizá-la em quantidade suficiente para garantir as suas necessidades fisiológicas, por isso devem recebê-la através da alimentação. 

Por ser classificada como aminoácido livre, a taurina não é utilizada para a formação de proteínas estruturais. Mesmo assim, exerce funções fundamentais no organismo, sendo responsável, principalmente, por regular processos fisiológicos.

“De forma geral, esse aminoácido atua na manutenção do equilíbrio fisiológico, influenciando diretamente funções vitais no coração, cérebro, visão e metabolismo”, explica o zootecnista pós-graduado em comportamento animal e nutrição de cães e gatos, João Marcel Camargo. 

Outro aspecto que justifica a sua necessidade para felinos é que os animais da espécie a perdem de forma contínua pela bile. 

João explica que, por esses motivos, a taurina não apenas é importante, como também é essencial na dieta dos gatos, sendo obrigatoriamente incluída em alimentos completos e balanceados para garantir a manutenção da saúde e prevenir doenças graves.

Os cães, por sua vez, já são capazes de sintetizar este nutriente a partir de outros aminoácidos. No entanto, essa autoprodução nem sempre é suficiente. Devido a isso, também é incluído na composição de alimentos específicos para a espécie. 

“Assim, a taurina tem um papel relevante na manutenção da saúde canina, especialmente no suporte cardiovascular, neurológico e metabólico, sendo um nutriente que merece atenção dentro de estratégias nutricionais mais completas”, afirma.

Principais fontes de taurina

As principais fontes de taurina são de origem animal, pois esse aminoácido está presente naturalmente nos tecidos de animais. Por outro lado, os ingredientes de origem vegetal não o contém em sua composição. 

Dessa forma, o nutriente é encontrado em carnes, principalmente músculo, vísceras, como coração e fígado, que são especialmente ricas em taurina, peixes, frutos do mar, ovos e laticínios – nesses em menor quantidade. 

“Na prática da nutrição pet, mesmo com o uso de ingredientes animais, a taurina é frequentemente adicionada de forma suplementar para compensar variações naturais dos ingredientes e possíveis perdas durante o processamento. Deste modo, se assegura o aporte ideal para cães e, principalmente, gatos”, esclarece Camargo. 

Presença na composição dos alimentos

A quantidade ideal de taurina nos alimentos para cães e gatos é determinada com base em estudos científicos e nas diretrizes de órgãos internacionais de referência, como a European Pet Food Industry Federation (FEDIAF) e o National Research Council (NRC)

O zootecnista explica que essas recomendações são construídas a partir de diferentes linhas de evidência, tal como:

  • Estudos de exigência nutricional: avaliam a quantidade mínima necessária para manter funções vitais, prevenindo sinais de deficiência, como alterações cardíacas e oculares;
  • Ensaios de digestibilidade e biodisponibilidade: consideram quanto da taurina presente no alimento é, realmente, absorvida e utilizada pelo organismo;
  • Fatores fisiológicos e metabólicos: incluem espécie (cães vs. gatos), fase de vida, estado fisiológico e particularidades metabólicas; 
  • Interações com a dieta: a composição do alimento – teor de proteína, fibras e processamento, por exemplo – pode influenciar a disponibilidade e a necessidade de taurina; 
  • Margens de segurança: são aplicadas para garantir níveis adequados mesmo diante de variações individuais e perdas durante o processamento e armazenamento. 

No caso dos felinos, deve existir cerca de 1.000 mg de taurina por kg de matéria seca em alimentos secos, e 2.000 mg/kg de matéria seca nos úmidos. 

“Esses valores consideram as particularidades metabólicas dos gatos, incluindo a baixa capacidade de síntese e as perdas contínuas pela bile”, afirma.

Essa diferença de quantidade entre alimentos secos e úmidos é intencional. João esclarece que os alimentos úmidos possuem níveis mais elevados desse aminoácido quando expressos na matéria seca. Já os secos, têm níveis menores, porém suficientes para atender às exigências nutricionais.

A variação ocorre por alguns fatores principais. Um deles é o processamento, visto que os alimentos secos passam por extrusão com altas temperaturas e pressão, o que pode levar a maiores perdas de taurina, enquanto os úmidos, apesar de também sofrerem tratamento térmico, costumam ter maior retenção relativa. 

A composição também interfere nesse aspecto. Alimentos úmidos, geralmente, contêm mais ingredientes de origem animal, que naturalmente fornecem taurina, e, por possuírem alta quantidade de água, os níveis são ajustados para garantir que mesmo com menor ingestão de matéria seca, o animal receba a quantidade adequada do nutriente. 

Além disso, certos componentes da dieta podem influenciar a necessidade de taurina, exigindo ajustes diferentes entre formulações secas e úmidas. 

“Na prática, ambos os alimentos — quando completos e balanceados — são formulados para fornecer taurina em níveis adequados, de acordo com as diretrizes nutricionais”, afirma o especialista. 

Formas de inclusão 

Existem diferentes maneiras de incluir a taurina nos alimentos voltados para a nutrição de pequenos animais. 

A mais comum é através da suplementação direta na formulação. Nesse caso, a taurina sintética, altamente pura e estável, é adicionada à mistura de ingredientes para atingir os níveis recomendados. 

Camargo também comenta que existem pré-misturas vitamínico-minerais, chamadas de premix. Nelas, o aminoácido já vem incorporado em blends nutricionais, que são adicionados ao alimento e garantem padronização e segurança na dosagem. 

“Pode-se, ainda, fazer a incorporação antes ou após o processamento, dependendo do tipo de alimento (seco ou úmido). Nesse processo a taurina é adicionada antes da extrusão ou até mesmo aplicada posteriormente como revestimento, compensando possíveis perdas pelo calor”, pontua.

Por fim, os ingredientes de origem animal, como carnes e vísceras, naturalmente contêm taurina, contribuindo para o seu teor final no alimento. Entretanto, o profissional destaca que, na prática, essas quantias não são suficientes para unicamente garantir níveis ideais, especialmente após o processamento.

“Na indústria, a formulação leva em conta não apenas a quantidade adicionada, mas também as perdas durante o processamento e a estabilidade ao longo da validade, assegurando que o animal receba a quantidade adequada diariamente”, diz.

Confira o artigo completo “Indispensável no pet food”, na íntegra e sem custo, acessando a página 50 da edição de abril (nº 320) da Revista Cães e Gatos.