A otite canina é uma das principais causas de consultas em clínicas veterinárias. No entanto, um novo estudo transversal e multicêntrico realizado na Finlândia, Noruega e Suécia traz dados importantes sobre o tratamento de otite em cães: a grande maioria dos casos agudos pode ser gerida com sucesso sem o recurso imediato a antibióticos.
A investigação, que analisou o atendimento de 1.060 cães com otite externa aguda (com duração igual ou inferior a quatro semanas), concluiu que os antibióticos foram utilizados em apenas 18% dos casos globais. Na maior parte das vezes, a abordagem terapêutica baseou-se no uso de glucocorticoides (94% dos casos) e produtos de limpeza auricular (89%), que combatem a inflamação e ajudam a restabelecer o equilíbrio do conduto auditivo.
Menos fármacos, mais higiene
A pesquisa, baseada em um inquérito de prevalência realizado com médicos-veterinários na primavera de 2024, revelou uma variação significativa na prescrição médica dependendo da região geográfica. Enquanto na Finlândia e na Noruega o uso de antibióticos ficou em 29% e 28% respectivamente, a Suécia registou um índice de apenas 2% dos casos necessitando desse tipo de fármaco.
Os cientistas demonstraram que a escolha por prescrever o antibiótico esteve fortemente associada a achados em exames citológicos (especialmente diante da presença de bacilos e neutrófilos) e não à gravidade dos sintomas clínicos visíveis. Além disso, quando houve a necessidade do medicamento, o uso foi quase exclusivamente tópico — o tratamento por via sistêmica (oral ou injetável) ocorreu em apenas seis ocasiões de toda a amostra.

Diagnóstico e prevenção
O monitoramento da saúde do ouvido deve ser redobrado em animais que possuem predisposição genética ou anatômica. O estudo identificou que as raças mais afetadas por quadros de otite externa canina aguda foram o Beagle, Basset Hound, Golden Retriever e Labradoodle.
A substituição de terapias antimicrobianas agressivas por protocolos baseados em higiene e controle inflamatório serve como um alerta essencial para o mercado pet. O uso racional de medicamentos é a ferramenta mais importante para prevenir o surgimento de resistências bacterianas — um problema de saúde pública global. Diante de sintomas como coceira ou vermelhidão, a recomendação é realizar exames citológicos com um profissional antes de iniciar qualquer medicação.
Fonte: Veterinária Atual, adaptado pela equipe Cães&Gatos.
FAQ sobre otite canina e o uso de antibióticos
Por que a maioria dos casos de otite canina aguda não precisa de antibiótico?
Porque grande parte das otites externas agudas começa com um processo inflamatório ou acúmulo de cerúmen. Ao tratar a inflamação com glucocorticoides e realizar a higienização correta do conduto auditivo, o próprio organismo do cão consegue restabelecer o equilíbrio, controlando a proliferação de agentes oportunistas sem a necessidade de antibióticos.
Quais foram as raças de cães com maior predisposição à otite apontadas no estudo?
O estudo identificou que as raças mais propensas a desenvolver quadros de otite externa aguda foram o Beagle, Basset Hound, Golden Retriever e Labradoodle, devido a fatores anatômicos das orelhas ou predisposições genéticas a problemas de pele.
Qual é o risco de usar antibióticos por conta própria no ouvido do cachorro?
O uso indiscriminado ou sem recomendação médica pode gerar resistência bacteriana, tornando futuras infecções no ouvido muito mais difíceis e caras de tratar. Além disso, gotas otológicas inadequadas podem mascarar os sintomas reais e, em casos de tímpano perfurado, causar danos graves à audição do animal.
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