A toxoplasmose, uma das zoonoses de maior circulação mundial, continua sendo alvo de desinformação ao ter sua transmissão associada de forma simplificada aos felinos.
Dados do Ministério da Saúde indicam que, apenas entre janeiro e julho de 2026, o Brasil registrou 1.134 casos de toxoplasmose gestacional e 597 de toxoplasmose congênita. No estado de São Paulo, no mesmo período, foram contabilizadas 137 ocorrências em gestantes e 56 em recém-nascidos.
Especialistas alertam que a prevenção efetiva exige compreender todo o ciclo do protozoário Toxoplasma gondii, cujas principais vias de contágio envolvem o consumo de água contaminada, hortaliças mal lavadas e carnes cruas ou mal cozidas.
O cenário reforça a relevância do conceito de Uma Só Saúde, que integra a medicina veterinária, a saúde humana e a preservação ambiental na contenção de infecções.
O papel dos felinos no ciclo epidemiológico da doença
Embora os gatos e outros felídeos sejam os hospedeiros definitivos do parasita, eles eliminam oocistos nas fezes por um período limitado após a infecção primária. Além disso, esses oocistos não são infectantes de imediato, necessitando de um a cinco dias no ambiente para esporular e desenvolver capacidade de transmissão.
De acordo com o médico-veterinário Daniel Leite, presidente da Comissão de Políticas Públicas do CRMV-SP, a limpeza diária da caixa sanitária impede que as fezes permaneçam expostas ao tempo necessário para a esporulação do protozoário. O manejo correto, aliado à manutenção dos gatos exclusivamente em ambientes internos sem acesso a caça ou carnes cruas, elimina os riscos do convívio doméstico.

Formas de contágio, sintomas e prevenção na gestação
A infecção em humanos ocorre predominantemente pela via oral. A ingestão acidental de oocistos presentes no solo, na água sem tratamento ou em alimentos não higienizados representa maior perigo do que o contato direto com os animais. Na maioria dos adultos saudáveis, a toxoplasmose é assintomática, mas pode manifestar febre, dores musculares e fadiga em sua fase aguda.
O maior risco reside na transmissão congênita, quando a gestante adquire o parasita durante a gravidez e o transmite ao feto, podendo acarretar complicações neurológicas, visuais e de desenvolvimento motor no bebê.
O acompanhamento pré-natal é fundamental para o diagnóstico precoce, e o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza exames e tratamentos gratuitos. A inspeção sanitária de produtos de origem animal e o saneamento básico completam as ações essenciais de vigilância.
Fonte: CRMV-SP, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.