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2º Workshop de Nutrição Geriátrica Veterinária destaca diagnóstico da sarcopenia

Em entrevista exclusiva à Cães&Gatos, Diego Mendes, presidente da SBGV, aborda os desafios para identificar a perda muscular e aprimorar os cuidados com cães e gatos idosos

2º Workshop de Nutrição Geriátrica Veterinária destaca diagnóstico da sarcopenia
Por Stéfani Campos Chagas
20 de outubro de 2026

A sarcopenia em cães e gatos idosos exige atenção dos médicos-veterinários, especialmente na avaliação da massa muscular e na identificação precoce de alterações relacionadas ao envelhecimento.

O tema será um dos destaques do 2º Workshop Nutrição Geriátrica Veterinária – Edição Sarcopenia, realizado nesta terça-feira (20), com programação dedicada ao diagnóstico, manejo nutricional e prevenção da perda de massa muscular em pacientes geriátricos.

Em entrevista exclusiva à equipe Cães&Gatos, o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria Veterinária (SBGV), Diego Silva Mendes, ressaltou que a avaliação clínica precisa ir além do peso e do escore de condição corporal. A análise da massa muscular e da fragilidade também é fundamental para reconhecer pacientes vulneráveis e orientar intervenções adequadas.

“Na rotina dos clínicos e, principalmente, dos geriatras, a avaliação tanto do escore de condição corporal, mas principalmente do escore de massa muscular, é uma ferramenta valiosíssima para a gente conseguir diagnosticar de forma precoce a sarcopenia”, explicou.

Sarcopenia e caquexia: diferenças importantes no diagnóstico

Um dos primeiros passos para avaliar a saúde de cães e gatos idosos é diferenciar a sarcopenia da caquexia. Segundo Mendes, a sarcopenia está relacionada à perda de massa muscular decorrente do processo de envelhecimento. Já a caquexia é uma síndrome metabólica associada à perda rápida de peso e de massa muscular, geralmente vinculada a doenças crônicas, como neoplasias, doença renal crônica e cardiopatias em estágios avançados.

O presidente da SBGV também destaca a importância de incluir a avaliação da fragilidade na rotina clínica. A perda muscular pode estar associada a uma maior vulnerabilidade e à suscetibilidade a doenças frequentes nessa fase da vida.

“É importante sempre avaliar o escore de condição corporal e a escala de fragilidade. A gente precisa definir e colocar isso na rotina dos geriatras cada vez mais”, afirmou.

De acordo com Mendes, o envelhecimento não deve ser tratado como sinônimo de doença. Embora determinadas condições sejam frequentes em animais idosos, isso não significa que sejam consequências normais e inevitáveis da idade.

Obesidade sarcopênica ainda precisa ser mais discutida

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Diego Silva Mendes, presidente da SBGV (Foto: Divulgação)

Outro desafio na geriatria veterinária é reconhecer a obesidade sarcopênica, condição caracterizada pela combinação de excesso de tecido adiposo e redução da massa muscular. Conforme diz o médico-veterinário, avaliações superficiais podem dificultar a identificação do quadro, especialmente quando a análise do escore de condição corporal não é acompanhada pela palpação e pela avaliação muscular.

“Um ponto importante, falando, por exemplo, da obesidade sarcopênica, é que é algo pouco explorado ainda na medicina veterinária. A gente precisa trazer o assunto muito mais à tona”, enfatizou.

Para Mendes, o diagnóstico precoce permite estabelecer planos de cuidados mais adequados às necessidades de cada paciente. Isso inclui estratégias nutricionais individualizadas, manejo do peso, estímulo à recuperação ou preservação da massa muscular e, quando indicado, fisioterapia e suplementação nutricional.

O planejamento, porém, precisa considerar o quadro clínico de forma ampla. Um animal idoso pode apresentar obesidade e perda muscular simultaneamente, além de doenças concomitantes que influenciam as decisões nutricionais. Por isso, a intervenção não deve se concentrar em apenas uma alteração.

“É sempre necessária uma abordagem multimodal e um olhar mais amplo sobre o paciente. Não dá para a gente só olhar para a sarcopenia, para a caquexia ou para a obesidade, porque muitas vezes esse paciente vem com essas alterações e com essas doenças”, pontuou.

Workshop busca ampliar o conhecimento em geriatria veterinária

A programação do 2º Workshop Nutrição Geriátrica Veterinária – Edição Sarcopenia reúne temas relacionados à avaliação geriátrica, estratégias nutricionais, obesidade sarcopênica, fragilidade e cuidados paliativos. A proposta é aproximar o conhecimento científico da prática clínica e ampliar a capacitação dos profissionais que atendem cães e gatos idosos.

Segundo o presidente da SBGV, a iniciativa integra o esforço da entidade para aprofundar a compreensão sobre o envelhecimento animal e incentivar a produção de conhecimento científico na área.

“Nosso principal objetivo com a SBGV é, de fato, trazer à tona uma maior quantidade de conteúdo técnico-científico relacionado à geriatria veterinária”, garantiu.

Mendes também ressaltou a importância do intercâmbio entre a medicina veterinária e as áreas da saúde humana para ampliar a compreensão sobre o envelhecimento. Ele é mestrando e pesquisador do programa de Gerontologia da Universidade de São Paulo (USP), experiência que contribui para aproximar conhecimentos e perspectivas sobre o tema.

Para o presidente da entidade, ampliar a educação continuada e a divulgação científica pode favorecer a identificação de pacientes que precisam de atendimento geriátrico especializado e contribuir para uma melhor qualidade de vida durante o envelhecimento.

A cobertura exclusiva da equipe Cães&Gatos acompanha a discussão sobre os desafios da geriatria veterinária e as estratégias para qualificar o diagnóstico e o cuidado de cães e gatos idosos.