Com a proximidade de 2027, a reforma tributária está deixando muitos empresários do setor preocupados com os impactos das novas alíquotas sobre os negócios veterinários.
Por mais que as mudanças já tenham iniciado neste ano, o cenário ainda é de incertezas e muitas dúvidas. No entanto, existem oportunidades a serem exploradas.
Para os negócios veterinários, as alterações nos tributos exigem atenção especial, principalmente diante da possibilidade de aumento da carga tributária efetiva, dos impactos no fluxo de caixa e da necessidade de adaptação dos sistemas e processos internos.
Segundo Ronaldo Dias Oliveira, contador, tributarista e sócio da PetCont, contabilidade especializada no mercado Pet & Vet, 2026 é o ano de preparação e 2027 é quando o jogo começa a valer de verdade.
Isso porque, no próximo ano o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) deixam de existir e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) entra efetivamente em funcionamento, assim como o novo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) avança dentro da transição.
“As principais mudanças estão relacionadas à nova carga tributária e quanto esses aspectos vão afetar os caixas das empresas e suas vendas. Não é simplesmente trocar de tributos. Irá mudar a lógica de créditos, custos e formação de preços. Para clínicas, hospitais veterinários e pet shops, isso exige entender como cada atividade e cada produto serão tributados”, destaca.
Com a substituição gradual de tributos, como PIS, Cofins, Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e Imposto sobre Serviços (ISS) pelo IBS e pela CBS, o novo modelo estabelece uma sistemática de tributação baseada no Imposto sobre Valor Agregado Dual (IVA-Dual), com regras que podem variar conforme a natureza de cada operação.

A advogada, sócia e fundadora do escritório Bandeira de Mello, D’Ambrosio Advogados, diretora tributária e de agronegócio da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) e coordenadora do WAWL – GAFFFF 2026, Adriana Bandeira de Mello, explica que, embora a reforma tenha como um de seus objetivos reduzir distorções e simplificar a tributação sobre o consumo, seus efeitos não serão iguais para todos os segmentos.
Conforme relata, no mercado veterinário, clínicas, hospitais, laboratórios e empresas que comercializam produtos precisarão avaliar como as novas regras se aplicam às suas atividades, considerando os serviços prestados, os insumos adquiridos, o tamanho e a estrutura tributária de cada negócio.
“Especificamente em relação à prestação de serviços nos mercados veterinário e pet, a nova tributação pelo chamado IVA-Dual estabeleceu uma regra geral, bem como regimes específicos de tributação para determinados tipos de serviços, produtos e insumos”, explica.
Dessa forma, a diversidade de tratamentos tributários torna indispensável uma análise individualizada das operações, já que a mudança pode afetar tanto os custos quanto os preços praticados no mercado veterinário.

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