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A saúde começa pelo bico: nutrição é indispensável para a qualidade de vida de aves

Manejo nutricional é fundamental para garantir longevidade e vida saudável para as aves

A saúde começa pelo bico: nutrição é indispensável para a qualidade de vida de aves
Por Danielle Assis
21 de fevereiro de 2026

A nutrição é a base da saúde de todas as espécies, incluindo as aves. Assim como acontece com cães e gatos, os cuidados com a alimentação desses animais devem ser individualizados e respeitar o estágio de vida, variando entre filhotes, adultos e idosos. 

Conforme explica o médico-veterinário e presidente da Associação Brasileira de Medicina Veterinária em Pets Não Convencionais (ABVPETS), José Manuel Pedreira Mouriño, são necessários anos de estudos para ser assertivo na prescrição de alimentos para as aves.

“Existem aves granívoras, frugívoras, insetívoras e até carnívoras. Felizmente, no mercado já há rações de alta qualidade disponíveis para algumas espécies, o que facilita muito a indicação correta e diminui problemas com desnutrição”, pontua.

Para evitar erros no manejo nutricional da espécie, o profissional oferece algumas dicas. Dentre elas, escolher uma marca de referência, utilizar alimentos variados para atender as necessidades nutricionais de cada ave e avaliar a forma e tipo do alimento, visando auxiliar no enriquecimento ambiental.

Além disso, é essencial evitar alimentos tóxicos e muito calóricos, como abacate, café, chocolate, cebola, alho, pão, leite e derivados. 

Entendendo as alternativas 

Há uma ampla variedade de alimentos comerciais para aves domésticas. De forma simplificada, as alternativas podem ser divididas em extrusadas e granuladas, sendo que o que as difere é o processo de desenvolvimento. 

Segundo o médico-veterinário, os alimentos extrusados são mais modernos e a sua forma de produção facilita muito a entrega de nutrientes. 

“Inclusive, estudos mais modernos já vêm demonstrando ótimos resultados do ponto de vista nutricional para este formato de alimento”, relata.

As rações granuladas, por sua vez, passam por um processo de cozimento menos complexo, no qual os ingredientes são apenas compactados em grânulos, responsáveis por conferir o seu formato. Devido a esse processamento térmico menos intenso, a digestibilidade é considerada menor. 

Composição nutricional 

Por mais que a indústria de alimentos para aves esteja cada vez mais evoluída, José pontua que poucas são as espécies de aves capazes de se beneficiar com a ingestão de um único alimento pronto.

“Com isso, algumas espécies podem receber mais de um tipo de alimento industrializado, como ração extrusada, farinhada e produtos desidratados ou guloseimas. Para complementar, a oferta de alimentos in natura funcionais é sempre bem-vinda e, citando o enriquecimento nutricional, a forragem também deve ser lembrada”, informa.

Outro ponto importante é que a composição ideal dos alimentos prontos é, tecnicamente, única para cada espécie. 

Mouriño também pontua que, mesmo a indústria entregando produtos bem próximos do ideal para as aves, pode ser realizada a adição de suplementos. Porém, esta deve ser estratégica e voltada para reais necessidades.

“Os suplementos são recomendados para situações de estresse, como período de reprodução, viagens e competições, mudanças bruscas na ambientação e em quadros de doenças. As vitaminas também são indicadas juntamente com outros suplementos, como fibras, prebióticos, probióticos, parabióticos ou simbióticos, com a finalidade de melhorar o microbioma gastrointestinal”, cita o profissional.

Manejo nutricional na prática 

Para evitar problemas como desnutrição ou excesso de peso, o manejo nutricional de aves deve ser realizado da forma correta. 

Conforme José, a quantidade de alimento é calculada espécie a espécie e levando em consideração a fase de vida, tipo de ambientação e se o animal está em período de reprodução ou não. 

“Durante a reprodução é crucial fazer ajustes na dieta. Tanto este momento, quanto o inverno, exigem dietas com densidade energética adequada uma vez que o gasto de energia sobe significativamente”, comenta.

Mesmo com todos os cuidados e ajustes, é preciso acompanhamento especializado para analisar como está a saúde nutricional desses animais. 

“A avaliação dos resultados nutricionais deve ser acompanhada de perto por médicos- veterinários especializados ou por medidas zootécnicas bem específicas”, relata.

Desnutrição requer atenção 

Caso ocorram erros na nutrição dos animais alados, pode ocorrer desnutrição, que exibe diferentes sinais. 

Os mais comuns são baixa produtividade reprodutiva ou ausência desta, qualidade de penas ruins, fezes com escores baixos, desenvolvimento de doenças oportunistas e de repetição e alterações respiratórias, oculares, ortopédicas e até neurológicas. 

“Muitas enfermidades em aves podem ficar mascaradas por um longo período ou se manifestar de forma a mimetizar doenças com sinais inespecíficos, como penas eriçadas e prostração”, esclarece o profissional. 

Por isso, é fundamental que os médicos-veterinários instituam um plano de diagnóstico minucioso para assegurar uma abordagem precisa e resultados satisfatórios.

O especialista explica que uma boa anamnese combinada com exame clínico e alguns exames laboratoriais podem apontar para deficiência nutricional. Além disso, a depender da dieta fornecida, esse diagnóstico é mais simples. 

“O veterinário deve sempre conhecer os produtos disponíveis no mercado e saber fazer escolhas que façam sentido caso a caso. Uma mesma espécie de ave pode ter necessidades diferentes de acordo com a avaliação especializada. Portanto, devemos lembrar que a manutenção da massa muscular é a base para uma boa saúde e ajuda no metabolismo de todos os animais”, finaliza.

Confira o artigo completo “A saúde começa pelo bico“, na íntegra e sem custo, acessando a página 52 da edição de fevereiro (nº 318) da Revista Cães e Gatos.