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Primavera começa hoje e acende alerta para o disparo de alergias e coceiras em cães e gatos

Mudanças da estação podem elevar a exposição a alérgenos, ectoparasitas e microrganismos, exigindo atenção ao diagnóstico e ao manejo dermatológico

Primavera começa hoje e acende alerta para o disparo de alergias e coceiras em cães e gatos
Por Stéfani Campos Chagas
22 de setembro de 2026

A primavera é uma das estações mais desafiadoras para a saúde dermatológica de cães e gatos. O aumento das temperaturas, as alterações de umidade, o crescimento da vegetação, a maior circulação de pólens e condições favoráveis aos ectoparasitas elevam a pressão sobre pacientes com predisposição alérgica ou barreira cutânea comprometida.

Segundo a médica-veterinária Tatiane Evangelista, que atua na área de Dermatologia, Alergologia e Otologia veterinária, a estação não necessariamente provoca uma nova doença, mas pode revelar uma fragilidade já existente.

“O problema acontece quando começamos a somar fatores: maior exposição aos alérgenos, picada de pulga, alteração da barreira cutânea e proliferação de Malassezia ou bactérias, por exemplo. Em determinado momento, esse paciente ultrapassa seu limiar e entra em crise”, explica.

A recorrência dos sinais na mesma época do ano deve ser valorizada na anamnese e pode ajudar a antecipar crises.

Alérgenos e manifestações clínicas

Pólens de gramíneas, árvores e outras plantas, ácaros ambientais, fungos e seus esporos estão entre os agentes que podem ganhar relevância na primavera. As pulgas também merecem atenção. 

A importância de cada alérgeno varia conforme região, clima, ambiente e sensibilização individual. Assim, prurido sazonal não deve ser automaticamente associado à alergia a pólen.

Entre as doenças que podem se manifestar ou piorar na estação estão a dermatite atópica, as dermatopatias alérgicas felinas e a dermatite alérgica à picada de pulgas. Em pacientes atópicos, a sazonalidade pode ser evidente, embora os sinais possam se prolongar ao longo do ano com a evolução da doença.

Nos cães, a dermatite atópica pode desencadear prurido em face, patas, espaços interdigitais, axilas e pavilhões auriculares, além de ter associação com otite externa. 

Nos gatos, a apresentação pode incluir alopecia autoinduzida, dermatite miliar, complexo granuloma eosinofílico e prurido em cabeça e pescoço. Esses padrões não definem, isoladamente, a causa.

Já na alergia à picada de pulgas, a ausência de infestação visível não exclui o diagnóstico.

“Um paciente sensibilizado não precisa estar coberto de pulgas. Poucas picadas podem ser suficientes para desencadear uma crise importante”, ressalta Tatiane.

Início da primavera
Início da primavera eleva a circulação de pólen e o risco de alergias, provocando coceiras, vermelhidão e otites em cães e gatos (Foto: Reprodução)

Pele e ouvido no mesmo processo

O aumento de temperatura e umidade pode modificar o microambiente cutâneo e otológico.

Em uma barreira comprometida, inflamação e alterações da microbiota podem favorecer a proliferação de Staphylococcus pseudintermedius e Malassezia spp., contribuindo para a manutenção do prurido e da inflamação.

A repercussão também chega aos ouvidos.

“A orelha é pele. Uma otite externa recorrente não deveria ser encarada simplesmente como ‘mais uma infecção de ouvido’”, afirma. 

No paciente alérgico, a otite pode ser uma manifestação da doença dermatológica. Tratar apenas bactérias ou leveduras sem investigar por que o ouvido adoece repetidamente pode deixar a causa primária sem controle.

Confira o artigo completo “Primavera: gatilhos à flor da pele”, na íntegra e sem custo, acessando a página 36 da edição de agosto (nº 325) da Revista Cães e Gatos.