Opções
Pets e Curiosidades

Focinho curto e altas temperaturas: cuidados essenciais no passeio com cães braquicefálicos

Em dias quentes, raças como Bulldog, Pug e Shih Tzu enfrentam maior dificuldade para regular a temperatura corporal e exigem planejamento redobrado por parte do responsável

Focinho curto e altas temperaturas: cuidados essenciais no passeio com cães braquicefálicos
Por Melissa Marques
18 de fevereiro de 2026

As altas temperaturas típicas do verão brasileiro acendem um alerta para quem convive com cães braquicefálicos. 

Caracterizados pelo focinho curto e crânio mais arredondado, esses animais têm particularidades anatômicas que comprometem a respiração e dificultam a dissipação do calor. 

Por isso, o simples ato de passear pode se tornar um risco quando não há planejamento adequado. Entre as raças mais conhecidas com essa conformação estão o Bulldog, o Pug, o Shih Tzu e o Boxer. 

Embora sejam populares e muito presentes em ambientes urbanos, esses cães apresentam maior predisposição a quadros de desconforto respiratório, especialmente sob calor intenso.

Segundo a médica-veterinária Paolla Dias, da clínica Polipet, a anatomia das vias aéreas é o principal fator que explica essa vulnerabilidade. 

“Cães braquicefálicos já têm uma limitação natural na passagem de ar. Em dias quentes, quando precisam ofegar para dissipar o calor, essa dificuldade aumenta e o risco de hipertermia se torna significativo”, afirma.

Focinho curto e altas temperaturas: cuidados essenciais no passeio com cães braquicefálicos
A anatomia das vias aéreas dificulta a dissipação do calor em cães de focinho curto (Foto: Reprodução)

Por que o calor afeta mais os braquicefálicos?

Diferentemente dos humanos, os cães não transpiram pela pele como principal mecanismo de resfriamento. 

A regulação térmica ocorre predominantemente por meio da respiração ofegante, que permite a troca de calor pelas vias aéreas superiores.

Nos braquicefálicos, alterações anatômicas, como narinas estreitas e palato mole alongado, reduzem a eficiência da ventilação. 

Isso significa que, ao tentar resfriar o corpo por meio da ofegação, o animal encontra maior resistência à passagem do ar.

“Como a troca de calor depende diretamente da eficiência respiratória, qualquer limitação anatômica impacta na capacidade de resfriamento do organismo. O esforço para respirar pode, inclusive, elevar ainda mais a temperatura corporal”, explica Paolla Dias.

Esse ciclo pode evoluir rapidamente, especialmente quando há associação com exercício físico, exposição direta ao sol e superfícies quentes, como asfalto. 

Em quadros mais graves, pode ocorrer hipertermia — situação em que a temperatura corporal sobe de forma perigosa e exige atendimento veterinário imediato.

Planejamento do passeio: horário, duração e intensidade

Para reduzir riscos, a escolha do horário é um dos pontos mais importantes. O ideal é optar por momentos mais frescos do dia, como início da manhã ou final da tarde, quando a incidência solar é menor e o solo está menos aquecido.

“Evitar o período mais quente do dia é essencial. Mesmo caminhadas curtas podem desencadear desconforto respiratório em cães braquicefálicos”, orienta a médica-veterinária.

A duração também deve ser adaptada. Passeios mais breves e com pausas estratégicas ajudam a evitar sobrecarga respiratória. 

Atividades intensas, como corridas ou brincadeiras muito estimulantes, devem ser evitadas em dias quentes.

Outro ponto relevante é o tipo de trajeto. Ambientes arborizados e com sombra tendem a ser mais seguros do que ruas expostas ao sol. 

Além disso, o responsável deve testar a temperatura do solo com a própria mão: superfícies muito quentes podem causar queimaduras nas almofadas plantares e contribuir para o aumento da temperatura corporal.

Hidratação e observação constante

A oferta de água fresca antes e depois do passeio é indispensável. Em dias mais quentes, é importante garantir que o animal esteja bem hidratado e tenha acesso a ambientes ventilados ao retornar para casa.

Durante o passeio, o responsável deve observar atentamente o comportamento e a respiração. 

Ofegação excessiva, respiração ruidosa, salivação intensa, fraqueza, gengivas muito avermelhadas ou arroxeadas e dificuldade para se manter em pé são sinais de alerta.

“Se o responsável perceber respiração muito acelerada, esforço evidente para puxar o ar ou sinais de apatia, o passeio deve ser interrompido imediatamente. A prioridade é levar o animal para um local fresco e procurar avaliação veterinária o quanto antes”, alerta Paolla.

É importante ressaltar que, nos braquicefálicos, a evolução do quadro pode ser rápida. Por isso, a prevenção é sempre a melhor estratégia.

Focinho curto e altas temperaturas: cuidados essenciais no passeio com cães braquicefálicos
Horários mais frescos e locais com sombra são mais indicados para cães braquicefálicos (Foto: Reprodução)

Quando considerar restrição de passeios?

Em dias de calor extremo, com temperaturas muito elevadas, pode ser mais seguro substituir o passeio externo por atividades leves em ambientes internos e bem ventilados. 

Enriquecimento ambiental, brincadeiras controladas e estímulos cognitivos podem ajudar a manter o bem-estar sem expor o animal a riscos desnecessários.

“Cada animal deve ser avaliado individualmente. Alguns braquicefálicos apresentam grau mais acentuado de dificuldade respiratória e precisam de cuidados ainda mais rigorosos”, reforça a profissional.

O acompanhamento veterinário regular é fundamental para avaliar a condição respiratória e orientar o responsável sobre limites seguros de atividade física ao longo do ano, especialmente nos períodos mais quentes.

FAQ sobre passeio com cães braquicefálicos

Cães braquicefálicos devem evitar passeios no verão?

Não necessariamente, mas os passeios devem ocorrer em horários frescos e terem menor duração e monitoramento constante.

Quais sinais indicam risco durante o passeio?

Ofegação intensa, respiração ruidosa, fraqueza e alteração na coloração das gengivas são sinais de alerta.

O que fazer se o cão apresentar sinais de hipertermia?

Interromper o passeio, levá-lo a um local fresco e buscar atendimento veterinário imediatamente.