Durante a Semana do Gato, celebrada em torno do Dia Mundial do Gato, em 17 de fevereiro, cresce a atenção para aspectos muitas vezes silenciosos da saúde felina — entre eles, o baixo consumo de água.
Longe de ser desinteresse, essa característica é resultado direto da ancestralidade da espécie. Os gatos domésticos descendem de felinos que viviam em regiões áridas, onde o acesso à água era limitado.
Ao longo da evolução, desenvolveram a capacidade de concentrar a urina para reduzir a perda hídrica, obtendo grande parte da hidratação por meio das presas. Mesmo em ambientes urbanos, com água disponível, esse padrão fisiológico permanece.
Segundo Kelly Carreiro, médica-veterinária da Special Dog Company, compreender essa herança é essencial para orientar os cuidados atuais.
A profissional explica que a urina naturalmente mais concentrada pode favorecer o acúmulo de solutos e alterações no pH urinário, aumentando a predisposição a cálculos, inflamações e obstruções.
Baixa ingestão hídrica e risco urinário
Entre as condições mais associadas à baixa ingestão de água estão cristais urinários, cistites e obstruções uretrais.
Essas enfermidades podem causar dor, desconforto e evoluir para quadros graves quando não identificadas precocemente.
A maior concentração urinária típica dos felinos contribui para a cristalização de minerais e desequilíbrios no trato urinário.
Por isso, estratégias que estimulem o consumo de líquidos são consideradas fundamentais na rotina.
Nutrição e ambiente como aliados
Especialistas reforçam que hidratação adequada e alimentação completa e balanceada formam a base da prevenção.
Quando o gato ingere mais água, há maior diluição da urina e aumento da frequência de micção, fatores que reduzem o risco de formação de cristais.
Nesse cenário, o alimento úmido pode ser um aliado importante. Com cerca de 85% de umidade, ele contribui diretamente para a ingestão hídrica total, favorecendo a diluição urinária e o equilíbrio do pH.
Além da dieta, o ambiente também influencia. Recomenda-se manter recipientes sempre limpos, oferecer mais de um ponto de água pela casa e evitar posicioná-los próximos à caixa de areia.
Fontes de água corrente costumam ser mais atrativas, assim como potes largos e rasos que não encostem nos bigodes.
O controle do estresse também merece atenção. Mudanças no ambiente, conflitos entre animais e ausência de enriquecimento ambiental podem impactar a saúde urinária.
A combinação entre nutrição adequada, incentivo à hidratação e manejo comportamental contribui para o bem-estar ao longo da vida.
Fonte: Race, adaptado por Cães & Gatos
FAQ sobre ancestralidade felina e ingestão de água
Por que os gatos bebem pouca água?
Porque descendem de felinos de regiões áridas e mantêm a capacidade de concentrar a urina, o que reduz o estímulo natural à ingestão hídrica.
Quais problemas podem estar ligados à baixa hidratação?
Formação de cristais urinários, cistites e obstruções uretrais estão entre as condições mais comuns.
Como estimular a ingestão de água?
Oferecer alimento úmido, disponibilizar múltiplos pontos de água limpa e utilizar fontes de água corrente são estratégias recomendadas.

