Celebrado hoje, 6 de julho, o Dia Mundial das Zoonoses chama a atenção para a necessidade de combater as enfermidades transmissíveis entre os animais e os seres humanos.
Embora muitas delas sejam amplamente evitáveis, infecções como esporotricose, leptospirose, leishmaniose e raiva ainda representam importantes desafios para a saúde pública brasileira.
“Prevenção é a cura sem remédio. É a forma mais barata de evitar graves doenças aos animais e, consequentemente, aos responsáveis. Proteger a saúde do seu animal é a maneira mais eficaz de proteger sua própria saúde”, afirma a médica-veterinária especializada em Prevenção Animal e proprietária da Vacina Cão e Gato Centro de Prevenção Animal, localizada em Sorocaba (SP), Nataly Bahu Andréo.
Segundo a profissional, essas patologias, desencadeadas por vírus, bactérias, fungos e parasitas, impactam diretamente a saúde coletiva.
“Elas classificam a saúde da sociedade de forma geral e podem sobrecarregar hospitais e unidades de pronto atendimento, além de gerar prejuízos econômicos e mudanças na rotina de toda a população”, explica.
Quais zoonoses exigem maior atenção no Brasil?
Entre os principais focos de preocupação, Nataly destaca a esporotricose, causada pelo fungo Sporothrix brasiliensis. Nos felinos, ela se manifesta em feridas profundas na pele, e a transmissão para o homem ocorre por meio de arranhaduras, mordidas ou pelo contato direto de secreções com uma pele previamente lesionada.
Outra enfermidade de alta relevância é a leishmaniose (tanto a visceral quanto a tegumentar). Ela é transmitida pela picada do mosquito-palha infectado após ele se alimentar de um animal doente, considerado o principal reservatório do parasita no ambiente urbano.
A leptospirose também permanece no radar. O ciclo começa, principalmente, com a urina de ratos em enchentes e águas contaminadas. Os animais adquirem a bactéria ao caçar roedores ou nadar em locais infectados, passando a eliminá-la pela própria urina, o que favorece novos ciclos de contágio humano.
Além destas, verminoses comuns em cães e gatos, como a ancilostomíase e a toxocaríase, geram larvas que se espalham pelas fezes nos quintais e contaminam as pessoas.

Sinais clínicos inespecíficos dificultam o diagnóstico
Nem todas as zoonoses apresentam sintomas evidentes logo no início, o que costuma retardar o socorro médico.
“A maioria das doenças começa de forma assintomática ou com sinais clássicos e comuns a várias outras condições, como a falta de apetite e o desânimo generalizado”, alerta Nataly.
A orientação é nunca ignorar alterações físicas visíveis. Lesões ulceradas na pele que não cicatrizam, mudanças repentinas no comportamento do pet, emagrecimento rápido sem motivo aparente e o crescimento exagerado das unhas são fortes indicativos de que algo está errado.
Ao notar qualquer um desses sinais, o responsável deve procurar atendimento veterinário imediatamente para que o diagnóstico seja realizado de maneira precoce.
Como estruturar a medicina preventiva na rotina pet
Para interromper o ciclo biológico de transmissão antes que ele alcance as famílias, a Medicina Veterinária de prevenção deve ser tratada como o eixo central do cuidado.
Consultas periódicas, recomendadas a cada seis meses ou um ano para cães e gatos – dependendo da idade do animal, servem para criar uma barreira imunológica e sanitária eficaz.
Além do acompanhamento profissional, o responsável deve pode adotar alguns cuidados práticos no dia a dia para reduzir os riscos ambientais:
- Manter o calendário de vacinação atualizado;
- Utilizar antiparasitários contra pulgas e carrapatos, além de coleiras repelentes contra mosquitos;
- Impedir o acesso de gatos à rua por meio da instalação de telas nas residências;
- Manter caixas de areia, quintais e o ambiente doméstico sempre limpos;
- Passear com cães utilizando apenas coleira e guia, evitando áreas com animais errantes;
- Recolher as fezes imediatamente, tanto na rua durante os passeios quanto em casa;
- Evitar que o animal tenha contato com águas paradas ou potencialmente contaminadas;
- Lavar muito bem os alimentos antes do consumo;
- Higienizar corretamente as mãos após manipular o pet ou limpar seus utensílios e dejetos.

Desinformação sobre os felinos gera abandono
Nataly alerta que a falta de informação científica qualificada sobre o funcionamento das zoonoses continua motivando o abandono de animais de estimação, uma prática que configura crime ambiental. O desconhecimento atinge principalmente a imagem dos gatos em relação à toxoplasmose, esporotricose e raiva.
“Muitas vezes, as pessoas se desfazem do pet antes mesmo de saber como prevenir ou tratar a doença. Os animais não possuem culpa alguma. No caso da raiva, por exemplo, o ciclo silvestre continua ativo em morcegos e a vacina anual é o que garante o bloqueio”, pontua.
Em relação à toxoplasmose, o preconceito contra os felinos é ainda maior. A veterinária reforça que, embora o gato participe do ciclo do parasita, a infecção humana ocorre majoritariamente por falhas de higiene do próprio homem, como a ingestão de carne crua ou mal cozida, vegetais mal lavados e água não tratada.
“Os responsáveis devem buscar conhecimento técnico e fazer o que deve ser feito para proteger os animais, as pessoas e o meio ambiente”, finaliza.
FAQ sobre a prevenção de zoonoses
O que define uma zoonose?
Zoonoses são doenças infecciosas causadas por vírus, bactérias, fungos ou parasitas que se espalham de forma natural entre animais vertebrados e seres humanos.
O gato é o principal culpado pela transmissão da toxoplasmose?
Não. Embora o felino faça parte do ciclo de reprodução do parasita, a contaminação em humanos ocorre, principalmente, pela ingestão de carnes cruas ou mal passadas, frutas e verduras mal lavadas, água contaminada ou pela falta de lavagem das mãos após mexer na terra.
Qual é a frequência ideal para exames preventivos no veterinário?
A recomendação técnica é que cães e gatos passem por consultas clínicas preventivas pelo menos uma vez ao ano. Essa regularidade garante o diagnóstico precoce de enfermidades silenciosas e mantém os protocolos de imunização em dia.
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