A Doença Renal Crônica (DRC) é uma das enfermidades mais frequentes na rotina do atendimento veterinário de felinos, principalmente em gatos maduros e idosos.
Progressiva e irreversível, a condição afeta múltiplos sistemas do organismo e, entre suas complicações mais relevantes, está a anemia — fator diretamente associado à piora do prognóstico e à redução da expectativa de vida desses pacientes.
Segundo Camila Paula Camalionte, gerente técnica de Pet Health da Elanco Saúde Animal, compreender essa relação é fundamental para ampliar a sobrevida e a qualidade de vida dos gatos diagnosticados com DRC.
O que é a Doença Renal Crônica?
A Doença Renal Crônica caracteriza-se pela perda progressiva e irreversível dos néfrons ao longo do tempo.
Com a redução da taxa de filtração glomerular, o organismo perde a capacidade de manter o equilíbrio hídrico, eletrolítico, ácido-base e endócrino, o que gera repercussões sistêmicas crescentes.
“Do ponto de vista funcional, o comprometimento da taxa de filtração glomerular leva à incapacidade de manutenção da homeostase hídrica, eletrolítica, ácido básica e endócrina, com repercussões sistêmicas crescentes e necessidade de abordagem terapêutica multimodal”, explica Camila.
Na prática clínica, o estadiamento da DRC segue as diretrizes da IRIS (International Renal Interest Society), com base nos valores de creatinina e/ou SDMA em pacientes estáveis e hidratados, além de ter subestadiamento por proteinúria e pressão arterial sistêmica, auxiliando na definição do prognóstico e do plano terapêutico.

Por que a DRC é mais comum em gatos do que em cães?
Embora a DRC também acometa cães, sua incidência é significativamente maior em felinos.
De acordo com a especialista da Elanco, essa diferença não tem uma única explicação, mas envolve uma combinação de fatores anatômicos, fisiológicos e comportamentais.
“Diversos aspectos explicam a maior incidência observada na espécie felina, incluindo particularidades anatômicas e fisiológicas, padrão comportamental de baixa ingestão hídrica e predisposição a nefropatias tubulointersticiais crônicas”, afirma Camila.
Além disso, o aumento da expectativa de vida dos gatos nas últimas décadas contribuiu para uma maior prevalência diagnóstica da doença, especialmente em animais idosos.
Idade, raça e o risco de desenvolver DRC
A DRC está fortemente associada ao envelhecimento. Gatos com mais de 10 anos devem ser acompanhados de forma regular, com avaliação seriada da função renal através de exames laboratoriais, urinálise e aferição da pressão arterial.
Em relação à predisposição racial, algumas raças apresentam maior frequência de DRC ou de nefropatias específicas, como persa, abissínio, siamês e maine coon, muitas vezes, associadas a doenças hereditárias.

A relação entre anemia e DRC em gatos
A anemia é uma das complicações mais relevantes da DRC felina, especialmente nos estágios IRIS 3 e 4. Além de comum, ela está diretamente associada a um pior prognóstico.
“Os gatos com DRC que desenvolvem anemia têm menor tempo de sobrevida, sendo um parâmetro onde a intervenção e o tratamento aumentam a sobrevida do paciente”, destaca Camila Camalionte.
O principal mecanismo envolvido no quadro é a substituição das células renais produtoras de eritropoietina (EPO) por tecido fibroso.
No entanto, outros fatores também contribuem, como redução da vida média das hemácias, alterações no metabolismo do ferro, má nutrição e distúrbios hormonais associados à doença renal.
Principais sinais clínicos da anemia felina
Os sinais clínicos iniciais costumam ser inespecíficos e incluem prostração, letargia e redução do apetite.
Em avaliações clínicas, podem ser observadas mucosas pálidas, taquicardia e taquipneia compensatórias.
Em quadros mais graves, comportamentos PICA, como a ingestão de granulado sanitário — e prostração intensa também podem estar presentes, exigindo intervenção imediata.
O papel do Varenzin no tratamento da anemia associada à DRC
Diante desse cenário, o manejo da anemia torna-se parte essencial do tratamento de gatos com DRC.
Desenvolvido especificamente para a espécie felina, o Varenzin, da Elanco Saúde Animal, surge como uma alternativa aos protocolos tradicionais.
“Esse medicamento representa uma alternativa aos esquemas baseados em transfusões sanguíneas seriadas, suplementação de ferro isolada e uso extrarrótulo de agentes eritropoietínicos humanos”, explica Camalionte.
O objetivo do Varenzin é elevar e manter as hemácias dentro da faixa alvo recomendada pela IRIS, reduzindo a necessidade de transfusões e contribuindo para a melhora dos sinais clínicos e do tempo de sobrevida dos gatos com anemia não regenerativa associada à DRC.
“A inibição do HIF-PH induz um aumento dose-dependente da eritropoietina endógena, estabilizando o fator induzível por hipóxia e resultando no aumento da eritropoiese em gatos”, detalha a gerente técnica da Elanco.
Entre os principais diferenciais do medicamento estão a formulação oral, palatável e de administração diária, além da eliminação da necessidade do uso de eritropoietina recombinante humana.
Orientações de uso e monitoramento
O Varenzin deve ser administrado por via oral, uma vez ao dia, por até 28 dias consecutivos, com possibilidade de repetição do tratamento após pausa mínima de sete dias.
O peso corporal do gato deve ser determinado antes de cada ciclo, garantindo a dose correta.
Durante o tratamento, o monitoramento do hematócrito ou volume corpuscular médio é essencial, especialmente a partir da segunda semana, para assegurar a segurança e a eficácia da terapia.
FAQ sobre anemia na DRC felina
A anemia sempre ocorre em gatos com DRC?
Não. A anemia é mais comum nos estágios avançados da doença, mas nem todos os gatos desenvolvem essa complicação.
A DRC e a anemia também afetam cães?
Sim. Embora mais prevalente em felinos, a DRC e a anemia associada também podem ocorrer em cães.
O tratamento da anemia melhora a sobrevida do gato?
Sim. A intervenção adequada na anemia está associada ao aumento da sobrevida e à melhora da qualidade de vida dos gatos com DRC.

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