Uma análise aprofundada integrando genômica, morfologia e dados ecológicos levou à descrição formal de uma nova espécie de pinguim, o Pygoscelis kerguelensis.
Batizado popularmente como pinguim-gentoo-do-sudeste, o animal habita as remotas Ilhas Kerguelen, no sul do Oceano Índico, e representa a primeira nomeação formal de uma nova espécie do grupo em mais de um século.
O estudo, publicado na revista Communications Biology, do grupo Nature, revelou que as populações anteriormente reunidas sob o nome genérico de pinguim-gentoo (Pygoscelis papua) correspondem, na verdade, a quatro espécies distintas, cada uma com trajetória evolutiva e adaptações genéticas próprias.
Genoma de exemplar de 1897 ajudou a revelar a espécie
Por ser uma espécie críptica — muito semelhante fisicamente a outros representantes da família —, o Pygoscelis kerguelensis permaneceu sem o devido reconhecimento taxonômico por mais de cem anos.
Para identificar a separação, a equipe internacional de cientistas sequenciou o genoma de 64 pinguins de dez colônias reprodutivas no Oceano Austral, catalogando mais de 9 milhões de variações genéticas.
O espécime de referência (holótipo) utilizado para a caracterização formal é um macho adulto coletado no arquipélago em 31 de dezembro de 1897 por Robert Hall, preservado no Museu Americano de História Natural, em Nova York.
A pesquisa constatou que traços comportamentais, como a forte fidelidade ao local de reprodução e a baixa dispersão geográfica, favoreceram a diferenciação genética ao longo das gerações.

Divisão em quatro espécies impacta estratégias de conservação
Com a reclassificação, o grupo dos pinguins-gentoo passa a ser composto por quatro espécies independentes:
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Pygoscelis papua: Gentoo-do-norte
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Pygoscelis ellsworthi: Gentoo-do-sul
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Pygoscelis taeniata: Gentoo-do-leste
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Pygoscelis kerguelensis: Gentoo-do-sudeste
A descoberta altera diretamente as diretrizes de preservação. Atualmente, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) avalia o grupo como uma única espécie em situação de “Menor Preocupação”.
Contudo, as análises mostram que enquanto o gentoo-do-sul cresce na Antártida, linhagens subantárticas, como as das Ilhas Kerguelen e Macquarie, enfrentam declínio populacional e risco de perda de habitat até 2050 devido às mudanças climáticas, exigindo planos de manejo específicos de cada país.
Fonte: g1, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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