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O Brasil está preparado para se tornar um dos maiores exportadores de pet food do mundo?

Crescimento das exportações, qualidade da indústria e abertura de novos mercados colocam o país em posição estratégica, mas tributação e logística ainda limitam a competitividade

O Brasil está preparado para se tornar um dos maiores exportadores de pet food do mundo?
Por Stéfani Campos Chagas
14 de julho de 2026

As exportações brasileiras de produtos para animais de estimação seguem em expansão. Em 2025, o setor registrou crescimento de 12%, alcançando R$3,30 bilhões, sendo o pet food responsável por 90,1% desse valor.

O desempenho positivo continuou no primeiro trimestre de 2026, quando as vendas externas avançaram 9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para a Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (Abempet), esses resultados refletem a evolução da indústria nacional e sua capacidade de atender à crescente demanda global.

“O crescimento das exportações brasileiras de pet food é resultado da combinação de uma indústria altamente desenvolvida, com capacidade produtiva, rigorosos padrões de qualidade e crescente oferta de produtos de maior valor agregado”, afirma Caio Villela, CEO da entidade.

O executivo explica que a ampla disponibilidade de matérias-primas, a profissionalização do setor e a abertura gradual de novos mercados também impulsionam esse desempenho.

Segundo ele, os resultados poderiam ser ainda melhores se a indústria não enfrentasse uma das maiores cargas tributárias do mundo para o segmento, fator que reduz a competitividade e limita novos investimentos.

Potencial para ampliar a presença internacional

Além de possuir a segunda maior produção industrial de pet food do mundo e a terceira maior população de animais de estimação, o Brasil reúne uma cadeia produtiva consolidada, disponibilidade de insumos, capacidade tecnológica e empresas reconhecidas pela qualidade de seus produtos.

“O Brasil reúne condições estruturais muito favoráveis. O principal desafio é transformar esse potencial em competitividade plena, reduzindo obstáculos como a elevada tributação e ampliando acordos comerciais que facilitem o acesso aos mercados internacionais”, destaca Villela.

Outro diferencial apontado pela Abempet é o avanço dos alimentos premium e super premium, acompanhando uma tendência mundial de maior valorização da nutrição animal.

A indústria naiconal também ampliou sua capacidade de atender às exigências sanitárias de diferentes países, fortalecendo sua posição no comércio exterior.

“A indústria brasileira combina qualidade, tecnologia, capacidade de produção em larga escala, diversidade de formulações e acesso a matérias-primas estratégicas”, ressalta o CEO.

alimentos premium
Alimentos premium e super premium ganham espaço no comércio exterior apesar da alta tributação (Foto: Reprodução)

Custo Brasil ainda é o principal desafio

Apesar do cenário favorável, a entidade avalia que ainda existem barreiras importantes para ampliar a participação brasileira nas exportações.

“A elevada carga tributária, que pode variar entre 30% e 51%, reduz a competitividade da indústria brasileira frente a concorrentes internacionais que operam com alíquotas significativamente menores”, pontua Villela.

Na avaliação da Abempet, também é necessário avançar na infraestrutura logística, ampliar acordos comerciais, acelerar os processos de habilitação sanitária e facilitar o acesso a novos mercados.

A diversificação dos destinos das exportações é outro fator estratégico.

“Cada novo mercado habilitado representa novas possibilidades de negócios e contribui para sustentar o crescimento das exportações no médio e longo prazo”, evidencia o executivo.

Exportações de pet food
Exportações de pet food crescem 12% e impulsionam a indústria nacional no mercado global (Foto: Reprodução)

Perspectivas seguem positivas

A expectativa da Abempet é de continuidade do crescimento das exportações brasileiras de pet food, impulsionadas pela qualidade dos produtos, capacidade produtiva da indústria e expansão da demanda global.

Mercados da Ásia, Oriente Médio, América Latina e algumas regiões da África aparecem entre os mais promissores, enquanto países já consolidados continuam oferecendo oportunidades para alimentos premium e super premium.

“O aumento das exportações estimula investimentos em capacidade produtiva, tecnologia, inovação, pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. Também fortalece toda a cadeia de fornecedores, gera empregos diretos e indiretos”, sustenta Villela.

Apesar dos desafios relacionados à tributação, logística e acordos comerciais, a Abempet avalia que o Brasil reúne condições para ampliar sua participação nas exportações de pet food.

Com um ambiente de negócios mais competitivo e a continuidade da abertura de mercados, a expectativa é de que a indústria nacional fortaleça sua presença global e consolide o país entre os principais exportadores do setor.