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Cade intensifica apuração sobre fusão entre Petz e Cobasi diante do risco de monopólio

Hoje acontece em Brasília uma audiência pública para tratar do assunto com a participação de representantes do setor, especialistas e interessados em discutir os possíveis impactos concorrenciais da fusão entre Petz e Cobasi

Cade intensifica apuração sobre fusão entre Petz e Cobasi diante do risco de monopólio
Por Equipe Cães&Gatos
17 de outubro de 2025
Última atualização: 17/10/2025 - 12:07

Desde que a fusão entre Petz e Cobasi foi anunciada o assunto está gerando polêmicas e passando por diversas análises para avaliar a viabilidade do negócio.

Ainda sob aprovação, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ampliou a investigação para checar os impactos da fusão. Para isso, a autarquia acionou 218 empresas do setor, sendo 92 concorrentes e 125 fornecedores.

Através de documentos enviados à elas, a autoridade questiona, entre outros pontos, o impacto que a junção das duas gigantes do mercado pet pode gerar sobre os preços e o acesso de pequenas lojas e clínicas veterinárias aos fornecedores.

Entre as perguntas estão, por exemplo, se há “favorecimento das grandes redes em marketplaces”, se “a atuação de Petz e Cobasi impacta o tráfego e as vendas de pet shops menores nas plataformas digitais” e se “mudanças de preço feitas pelas grandes redes afetam diretamente os valores praticados no varejo físico”.

Já aos fornecedores, o órgão questiona se existem políticas de desconto aplicadas exclusivamente às grandes redes e se há exigência de “contratos de exclusividade” ou incentivos comerciais que “desestimulem o fornecimento a pequenos pet shops”.

Também pede esclarecimentos sobre a “formação de preços diferenciada conforme o porte do comprador” e eventuais barreiras que dificultem o acesso de micro e pequenos empreendedores aos principais produtos do mercado.

Relembre 

A fusão entre Petz e Cobasi chegou a ser aprovada sem questionamentos pela Superintendência-Geral do Cade. Contudo, o processo voltou a ser analisado após a concorrente Petlove apresentar um recurso apontando, entre outras coisas, a pressão que a fusão das gigantes exerceria sobre os fornecedores de produtos pets.

Após as consultas a fornecedores realizada pelo Cade, ao menos sete empresas que produzem rações e outros produtos do mercado pet se manifestaram de forma contundente sobre os impactos negativos da fusão. Os fornecedores relataram pressões, cláusulas abusivas e práticas predatórias já adotadas pelas duas gigantes para prejudicar concorrentes.

Além de empresas, associações de defesa dos animais já demonstraram contrariedade com a operação. O Instituto Caramelo, por exemplo, lançou uma campanha em que manifesta a preocupação que a elevação de preços implique no aumento de casos de abandono de animais.

Petz Ana Costa
Anteriormente, o Cade aprovou a fusão, mas o processo voltou para análise por conta de um recurso apresentado pela Petlove (Foto: Divulgação / Petz)

O acontece agora?

Uma audiência pública para tratar do assunto está marcada para hoje, 17 de outubro, em Brasília. O encontro deve reunir representantes do setor, especialistas e interessados em discutir os possíveis impactos concorrenciais da fusão.

Por meio de nota conjunta, a Cobasi e a Petz afirmaram que “seguem acompanhando com transparência todas as etapas do processo em análise pelo Cade”. “O envio de ofícios e questionários a fornecedores e demais agentes do setor faz parte do trâmite natural desses processos e reforça o compromisso do órgão com uma avaliação técnica ampla e criteriosa”, diz o texto.

“As empresas permanecem confiantes de que a análise técnica do Cade demonstrará que a fusão não representa qualquer preocupação concorrencial. Ao contrário, a operação ampliará a eficiência do setor e trará benefícios concretos para tutores e pets, com melhores preços e maior variedade de produtos e serviços”, continua o comunicado.

A nota ainda alega que “a empresa resultante da fusão terá menos de 10% de participação de mercado, que é caracterizado pela concorrência qualificada e combativa, com presença de lojas grandes, médias e pequenas, além de marketplaces, supermercados, atacarejos e outros agentes relevantes”.

“Importante ressaltar que as manifestações contrárias partem, em grande parte, de uma concorrente direta — a Petlove, patrocinadora do Instituto Caramelo —, que tem atuado de forma sistemática para questionar a legitimidade da fusão, inclusive por meio de estudos com vieses e conclusões sem respaldo técnico”, conclui o texto.

Fonte: Metrópoles, adaptado pela equipe Cães e Gatos.

FAQ sobre os desdobramentos da fusão entre Petz e Cobasi

Por que ainda não foi concluída a fusão entre as duas redes de pet shop?

À princípio, a fusão entre Petz e Cobasi chegou a ser aprovada pela Superintendência-Geral do Cade. Contudo, voltou para análise após a Petlove apresentar um recurso apontando, entre outras coisas, o risco de monopólio.

O que o Cade está fazendo para avaliar os riscos da fusão entre Petz e Cobasi?

A última ação do Cade para analisar os impactos da junção entre as duas redes foi o acionamento de 218 empresas do setor, sendo 92 concorrentes e 125 fornecedores, para que elas dessem a sua opinião quanto ao tema.

Quando ocorre a próxima audiência para discutir o assunto?

Uma audiência pública será realizada em 17 de outubro, em Brasília, com representantes do setor, especialistas e interessados em discutir os possíveis impactos concorrenciais da fusão entre Petz e Cobasi.

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