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Cães “designer” podem apresentar mais problemas comportamentais, aponta estudo

Pesquisa do Royal Veterinary College indica que cruzamentos populares, como cockapoos e labradoodles, podem ter comportamentos mais intensos do que os de seus pais de raça pura

Cães “designer” podem apresentar mais problemas comportamentais, aponta estudo
Por Equipe Cães&Gatos
26 de março de 2026

Cães de raças mistas conhecidas como “designer”, como cockapoos, labradoodles e cockapoos, podem apresentar mais comportamentos indesejáveis do que seus progenitores de raça pura. 

É o que aponta um estudo conduzido pelo Royal Veterinary College (RVC), no Reino Unido, que analisou dados de 9.402 cães por meio de um questionário online aplicado entre fevereiro e abril de 2023.

Esses cães, geralmente resultantes do cruzamento entre poodles e outras raças, ganharam popularidade nos últimos anos por sua reputação de serem fáceis de treinar e manejar. 

No entanto, segundo os pesquisadores, essa percepção nem sempre corresponde à realidade, especialmente em aspectos como ansiedade, agressividade e dificuldades de treinamento.

Comportamentos podem ser mais intensos

Os resultados mostraram que os cães “doodle” diferiram de seus pais de raça pura em mais da metade das comparações realizadas. 

Em 82% dos casos em que um dos pais apresentava algum comportamento problemático, os descendentes demonstraram uma versão mais acentuada desse comportamento.

Entre os sinais avaliados estavam medo de barulhos ou tráfego, problemas relacionados à separação e níveis elevados de excitação. 

Muitos responsáveis relataram dificuldades significativas para treinar seus cães ou até mesmo para deixá-los sozinhos em casa.

No caso específico dos cockapoos, o estudo identificou maior tendência à agressividade e rivalidade com outros cães. 

Os pesquisadores destacam que características herdadas das raças parentais podem se intensificar nos cruzamentos.

Cães “designer” podem apresentar mais problemas comportamentais, aponta estudo
Estudo aponta maior incidência de comportamentos intensos em cães “designer”, como cockapoos (Foto: Reprodução)

 

Influência das características das raças de origem

Um dos exemplos citados envolve o cocker spaniel, originalmente desenvolvido para atividades de caça, com alta energia, inteligência e resistência. 

Em ambiente doméstico, esses traços podem se tornar desafiadores.

Quando combinados com o poodle — outra raça inteligente e ativa —, e considerando ainda o porte menor dos cruzamentos, esses fatores podem contribuir para comportamentos mais intensos ou difíceis de manejar.

Para a pesquisadora Rowena Packer, autora sênior do estudo, ignorar esses sinais pode trazer consequências. 

“Esses não são comportamentos que devemos ignorar. Eles não são benignos”, afirmou. 

Ela também alerta para o risco de expectativas equivocadas: a crença de que cães “designer” são naturalmente fáceis ou seguros com crianças pode levar a problemas se não for baseada em evidências.

Perfil dos responsáveis também influencia

O estudo identificou diferenças entre os perfis de responsáveis por cães de raça pura e de raças mistas. 

Aqueles que optam por cães “designer” têm maior probabilidade de serem responsáveis de primeira viagem e de buscar orientações em fontes não profissionais, como redes sociais, amigos ou familiares.

Esse fator pode impactar diretamente o manejo e a socialização dos animais, contribuindo para o desenvolvimento de comportamentos indesejados.

Caso real reforça desafios

A pesquisa também trouxe o relato de uma responsável que adquiriu uma cockapoo influenciada pela popularidade da raça e pela ideia de que seria mais fácil de lidar. 

No entanto, a cadela passou a apresentar comportamentos ansiosos e agressivos, chegando a morder familiares em diferentes ocasiões.

O animal precisou de medicação e acompanhamento comportamental especializado, e a responsável relatou perda de confiança na convivência com a cadela, especialmente em ambientes externos ou com crianças.

Comportamento não depende apenas da raça

Apesar dos achados, especialistas reforçam que o comportamento canino não é determinado exclusivamente pela genética. Fatores como saúde, socialização, experiências de vida, ambiente e até o estresse materno durante a gestação podem influenciar significativamente.

Organizações como a Dogs Trust destacam que a raça, por si só, não é um indicador confiável do comportamento individual. 

Práticas como criação responsável, socialização adequada e acompanhamento profissional são fundamentais para o desenvolvimento equilibrado do animal.

Além disso, o aumento da popularidade dessas raças pode estimular práticas de reprodução inadequadas, incluindo criação irresponsável e comércio irregular, o que também impacta a saúde e o comportamento dos cães.

Cães “designer” podem apresentar mais problemas comportamentais, aponta estudo
Socialização e manejo adequado são fundamentais para o comportamento equilibrado (Foto: Reprodução)

Importância da escolha consciente

O estudo reforça a necessidade de que futuros responsáveis pesquisem profundamente as características das raças — sejam elas puras ou cruzadas — antes de adquirir um animal.

Buscar orientação com profissionais qualificados, conhecer o comportamento dos pais do filhote e compreender as necessidades físicas e comportamentais do cão são etapas essenciais para alinhar expectativas e garantir uma convivência saudável.

Mais do que seguir tendências, a escolha de um pet deve considerar preparo, conhecimento e compromisso com o bem-estar do animal ao longo de toda a sua vida.

Fonte: BBC, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre comportamento de cães “designer”

O que são cães “designer”?

São cães resultantes do cruzamento entre duas raças, como poodle com outras raças, com objetivo de combinar características específicas.

Esses cães são mais difíceis de treinar?

Segundo o estudo, podem apresentar comportamentos mais intensos, o que pode dificultar o treinamento em alguns casos.

A raça define totalmente o comportamento do cão?

Não. Fatores como socialização, ambiente, saúde e manejo têm grande influência no comportamento animal.