Você conhece a campanha Setembro Vermelho? Trata-se de uma iniciativa de conscientização sobre a importância da saúde cardiovascular. É importante rompermos as barreiras da Medicina Humana e trazermos a temática para discussão, também, na Medicina Veterinária, já que cães e gatos, rotineiramente, são afetados por doenças cardiovasculares.
A médica-veterinária, que possui especialização em Cardiologia de Cães e Gatos e atua na Vetso Veterinária, Patricia Fiorotto, aponta que, nos cães, as doenças mais frequentes são a Degeneração da válvula mitral (muito comum em cães de pequeno porte) e a Cardiomiopatia Dilatada (mais vista em raças grandes).
Já nos gatos, a principal é a Cardiomiopatia Hipertrófica, que leva ao espessamento da parede do coração.
Patricia informa que cães de pequeno porte, como poodle, shih tzu, maltês e cavalier king charles spaniel, têm maior predisposição à doença valvar.
“Já raças de grande porte, como doberman, boxer e dogue Alemão, estão mais sujeitas à Cardiomiopatia Dilatada. Nos gatos, maine coon, persa e ragdoll apresentam maior risco de Cardiomiopatia Hipertrófica”, lista.
O que pode indicar um problema cardiovascular?
A médica-veterinária declara que alguns sinais de alerta nos cães são: tosse persistente, cansaço fácil, desmaios, dificuldade para respirar, língua arroxeada e inchaço abdominal.
“Em gatos, muitas vezes, os sintomas são discretos e só aparecem em fases avançadas, como respiração ofegante ou episódios de trombose. É importante lembrar que muitos animais não apresentam sinais clínicos, mas ainda assim já são cardiopatas”, frisa.
Para saber se está tudo em ordem com a saúde cardiovascular do pet, Patricia orienta os tutores a terem uma atenção especial a partir da meia-idade do animal.
“Cães pequenos, em torno dos 6-7 anos, e cães grandes, por volta dos 4-5 anos, devem começar o monitoramento. Nos gatos, o acompanhamento deve começar mais cedo, a partir de 1 ano em raças predispostas, já com a realização do ecocardiograma, pois eles podem desenvolver doenças cardíacas antes da idade esperada”, indica.

Diagnóstico
Para realizar o diagnóstico de uma cardiopatia em cães e gatos, Patricia conta que o veterinário utiliza um conjunto de ferramentas: exame clínico com auscultação cardíaca, radiografias de tórax, eletrocardiograma e ecocardiograma.
“Este último é o exame de imagem mais completo para avaliar a função do coração e detectar alterações silenciosas”, discorre.
Como reduzir os riscos?
Os tutores podem ter atitudes no dia a dia que ajudam a prevenir as doenças cardiovasculares nos pets.
“Manter o peso adequado, oferecer uma alimentação balanceada, proporcionar exercícios compatíveis com a idade e porte, além de consultas regulares ao veterinário. O check-up anual é fundamental, já que muitas doenças cardíacas não apresentam sinais clínicos no início”, recomenda.
Além disso, dietas de qualidade, específicas para cada fase da vida, ajudam a manter o coração saudável.
“O excesso de sal e a obesidade estão ligados à piora das doenças cardíacas. Em casos já diagnosticados, existem rações terapêuticas próprias que auxiliam no tratamento”, sugere.
A profissional reitera que é preciso monitorar a saúde cardíaca dos pets e, para isso, os principais exames são o ecocardiograma, radiografia de tórax e eletrocardiograma.
“Em algumas situações, exames de sangue específicos, como o NT-proBNP, ajudam a avaliar a sobrecarga cardíaca”, adiciona.

Qualidade de vida
A médica-veterinária garante que, apesar de uma doença cardiovascular, os animais podem ter qualidade de vida.
“O tratamento não retarda a progressão da doença, mas controla os sintomas, melhora o bem-estar e proporciona qualidade de vida ao animal. Com o acompanhamento adequado, muitos pets podem viver anos de forma confortável e ativa”, revela.
Para ela, fomentar a campanha Setembro Vermelho dentro da Medicina Veterinária é importante porque muitas cardiopatias são silenciosas e só dão sinais em fases avançadas.
“Campanhas de conscientização estimulam os tutores a buscar o diagnóstico precoce e realizar o check-up anual, aumentando as chances de manter a qualidade de vida dos animais”, finaliza.
FAQ sobre saúde cardíaca dos pets
Quais são as principais doenças cardíacas que afetam cães e gatos?
Em cães, as mais comuns são a Degeneração da válvula mitral (em raças pequenas) e a Cardiomiopatia Dilatada (em raças grandes). Nos gatos, a principal é a Cardiomiopatia Hipertrófica, que espessa a parede do coração e pode causar trombose.
Quais sinais podem indicar um problema no coração do meu pet?
Tosse persistente, cansaço, desmaios e língua arroxeada são sinais comuns em cães. Já em gatos, a doença muitas vezes é silenciosa, mas pode causar respiração ofegante, trombose ou alterações comportamentais em fases mais avançadas.
Como prevenir ou diagnosticar precocemente doenças cardíacas nos pets?
Fazendo check-ups regulares a partir da meia-idade, com exames como ecocardiograma, eletrocardiograma e radiografia de tórax. Também é importante manter o peso ideal, evitar dietas com excesso de sal e estimular atividades físicas adequadas à idade e porte.
LEIA TAMBÉM:
Veterinária dá dicas para evitar doença cardíacas nos pets
Por que precisamos nos preocupar com o coração dos pets?
Setembro Vermelho: veterinário alerta para os riscos da Dirofilariose nos animais de companhia








