Com a chegada da primavera, os jardins voltam a exigir mais atenção. O aumento gradual das temperaturas, os dias mais longos e a intensificação da atividade vegetativa de muitas espécies estimulam brotações, florescimento e crescimento de gramados e plantas ornamentais.
É também nessa época que normalmente aumenta a intervenção nos espaços verdes: podas, adubações, replantios, manutenção de gramados, revolvimento do solo e controle de pragas e doenças passam a fazer parte da rotina de muitas casas e condomínios.
Mas há um aspecto que nem sempre é considerado nesse planejamento: a segurança de animais de estimação e crianças durante e depois dessas atividades.
Para Simone Arthur Nascimento, paisagista e criadora do Jardim do Bicho – Paisagismo Seguro®, a primavera é um bom momento para lembrar que a segurança de um jardim não depende apenas das espécies que estão plantadas nele.
“Normalmente pensamos no risco de uma planta tóxica, mas o jardim é um ambiente dinâmico. Adubos, produtos utilizados no manejo, ferramentas, resíduos de poda e a própria forma como o animal interage com a área também precisam ser considerados”, explica.
Mais manutenção significa mais oportunidades de contato
Com a retomada mais intensa dos cuidados com o jardim, aumentam também as situações em que animais e crianças podem entrar em contato com produtos utilizados no manejo.
Adubos, fertilizantes, produtos para controle de pragas, fungicidas, herbicidas e diferentes insumos de jardinagem não devem ser avaliados apenas pelo resultado que produzem nas plantas.
É preciso observar como são utilizados, onde são armazenados e quanto tempo deve transcorrer antes de permitir novamente o acesso ao local tratado.
No caso dos animais, há ainda uma diferença importante entre a maneira como uma pessoa e um pet utilizam o jardim.
O responsável normalmente observa o ambiente de pé. Já um cachorro explora o espaço muito próximo ao solo: fareja gramados, folhas e canteiros, pisa sobre diferentes superfícies e, posteriormente, pode lamber as próprias patas ou o pelo.
Por isso, a exposição não precisa ocorrer necessariamente pela ingestão direta de um produto.
O contato pode acontecer por diferentes caminhos, como boca, pele, olhos, patas e focinho.
O cheiro também pode despertar interesse
Outro fator importante é o odor.
Alguns adubos, compostos e insumos utilizados no jardim apresentam aromas que podem ser particularmente interessantes para os animais, especialmente cães.
Produtos de origem orgânica ou que contenham componentes derivados de matéria animal, por exemplo, podem despertar curiosidade e estimular o pet a farejar, lamber, cavar ou tentar ingerir o material.
Assim, uma área que o responsável acabou de tratar justamente para cuidar do jardim pode se transformar, pelo cheiro, no ponto mais interessante daquele espaço para o cachorro.
“O comportamento do animal precisa entrar na análise. Não basta perguntar se determinado produto é adequado para a planta. Também devemos pensar se ele pode atrair o pet, de que maneira o animal pode entrar em contato com aquela substância e como evitar essa exposição”, afirma Simone.
Secou. Mas já está seguro?
Um dos erros mais comuns é considerar que uma área está automaticamente liberada porque o produto aplicado já secou.
A aparência do jardim não deve ser o único critério.
Também devem ser observadas as orientações presentes no rótulo e nas instruções do fabricante, inclusive recomendações sobre aplicação, diluição e eventual período de restrição de acesso à área tratada.
A percepção humana de odor também não é suficiente para determinar segurança.
O fato de o responsável já não perceber cheiro ou umidade não significa necessariamente que todas as condições de uso seguro tenham sido cumpridas.
Sempre que houver aplicação de qualquer produto no jardim, o ideal é impedir o acesso de crianças e animais durante o manejo e respeitar integralmente as orientações específicas daquele produto antes da reentrada.

O cuidado continua dentro de casa
A prevenção não termina quando acaba o trabalho no jardim.
Produtos e ferramentas utilizados na manutenção também precisam ser corretamente guardados depois do uso.
Fertilizantes, defensivos, produtos concentrados, sementes tratadas, óleos, solventes e outros insumos devem permanecer em suas embalagens originais, devidamente fechadas e identificadas, evitando transferi-los para garrafas, potes ou recipientes de uso doméstico.
O armazenamento deve ocorrer fora do alcance de crianças e animais.
Ferramentas cortantes ou perfurantes — como tesouras de poda, serras, facões, pás pequenas e outros instrumentos de jardinagem — também devem ser guardadas imediatamente após o uso e em locais seguros.
Outro cuidado importante é não deixar baldes, regadores ou recipientes contendo soluções utilizadas no manejo disponíveis em áreas de circulação.
Para crianças pequenas, produtos coloridos, embalagens e utensílios podem despertar curiosidade. Por isso, um depósito de jardinagem, armário de ferramentas ou área de serviço precisa ser tratado como qualquer outro local da residência onde são armazenados produtos potencialmente perigosos.
Cinco cuidados para preparar o jardim para a primavera
Com a intensificação da manutenção nessa época do ano, algumas medidas simples ajudam a reduzir riscos:
- Leia o rótulo antes da aplicação. Observe forma de uso, diluição, equipamentos necessários e orientações para retorno à área tratada.
- Mantenha crianças e animais afastados durante o manejo. Evite que circulem pelo jardim enquanto produtos estiverem sendo preparados ou aplicados.
- Considere o comportamento do pet. O cachorro pode se interessar pelo cheiro do produto, cavar um canteiro recém-adubado ou lamber as patas depois de caminhar pelo local.
- Não determine a liberação da área apenas pela secagem. Respeite as orientações específicas do produto utilizado.
- Guarde imediatamente produtos e ferramentas. Mantenha-os em suas embalagens originais e em armários ou ambientes inacessíveis a crianças e animais.
Jardim seguro não significa jardim sem manejo
A proposta não é transformar a chegada da primavera em motivo de preocupação, nem eliminar os cuidados necessários para manter as plantas saudáveis.
A mudança está em incorporar a segurança ao planejamento.
“A primavera é justamente uma época de aproveitar mais o jardim. O objetivo é que todos possam utilizar esse espaço com segurança. Quando existem pets ou crianças, isso significa escolher as plantas com critério, mas também pensar nos produtos utilizados, na forma de aplicação, no armazenamento e no comportamento de quem circula pelo ambiente”, conclui Simone.
Fonte: Jardim do Bicho – Paisagismo Seguro®, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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