Acompanhando os desdobramentos da crise externa no Oriente Médio, que já atinge o Brasil, provavelmente o número de abandono de cães e gatos no Brasil vai aumentar porque o preço da ração cresceu muito.
Li que o mercado de produtos e serviços para pets, que deslanchou na pandemia e cresceu dois dígitos entre 2020 e 2023, registrou a sua primeira retração. O setor faturou R$ 77,96 bilhões em 2025, o que representa uma alta nominal de 3,45% sobre o ano anterior. Considerando, no entanto, a inflação medida pelo IPCA, que ficou em 4,26% no ano passado, houve retração nas vendas.
Consultei os dados da Abempet (Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação), que monitora o setor desde 2013. A retração de 2025 foi a primeira desde 2019, quando o setor havia crescido 3%, frente a uma inflação de 4,31% ao ano.
De acordo com a associação, a desaceleração nas vendas de 2025 está relacionada à retração no consumo, à inflação e ao câmbio, que puxa os preços das rações para cima. Parte dos ingredientes de alimentos para pets é importada ou tem seu preço cotado em dólar.
No entanto, o segmento pet food representa 53,1% do faturamento total. Qualquer coisa que o atinja gera impacto também no setor como um todo.
Segundo José Edson Galvão de França, presidente do conselho gestor da Abempet, “em 2025 foram produzidas quatro milhões de toneladas, o que está abaixo da metade da capacidade instalada nacional”.
Depois de ração, cujas vendas cresceram 1,6% no ano passado, atingindo R$ 41,41 bilhões, o segmento mais representativo é o de venda de animais (R$ 8,56 bilhões, com alta de 5,2% na comparação anual), seguido por medicamentos (R$ 8,21 bilhões, +5%), serviços veterinários (R$ 8,18 bilhões, +6,7%), serviços gerais (R$ 6,94 bilhões, +6,9%, que incluem banho, tosa, passeador etc.) e produtos para cuidados (R$ 4,63 bilhões, +3,9%).
A reclamação da Abempet é que o setor não foi contemplado na reforma tributária, o que torna o cenário para 2026 mais difícil.
Em 2024, a associação apresentou em Brasília um estudo econômico demonstrando que a redução da carga tributária do setor poderia elevar a produção industrial de ração para até 9 milhões de toneladas ao ano, gerando um aumento de até 210% na arrecadação de tributos.
E enquanto o setor reclama com o governo federal para reduzir impostos e produzir alimentos para os pets em melhores condições, o cenário de abandono cresce.
Conforme dados do Instituto Pet Brasil, 4,8 milhões de cães e gatos vivem em situação de vulnerabilidade no país, número que inclui animais abandonados ou sem tutela definida.
Desse total, mais de 201 mil estão sob responsabilidade de ONGs, que atuam no resgate, acolhimento e cuidados básicos desses animais.
É preciso que algo de muito urgente seja feito para que esse quadro não se agrave ainda mais! Nossos amiguinhos merecem todo o cuidado e respeito!
Escrit0 por José Luiz Tejon, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai, mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie, jornalista e publicitário, com especializações em Harvard, MIT e PACE/USA e Insead na França.
Co-escrito por Ana Purchio, jornalista pós-graduada em mídias sociais e estudante de psicologia.
