A diferenciação entre doença inflamatória intestinal (DII) e linfoma intestinal em gatos foi tema de uma das apresentações do Animal Health 2026, evento que reuniu especialistas para discutir avanços na Medicina Veterinária.
A palestra foi conduzida pela médica-veterinária Renata Camozzi, especialista em atendimento de felinos, e contou com apoio da Nestlé Purina.
Durante a apresentação, a profissional destacou que as duas condições apresentam manifestações clínicas muito semelhantes, o que torna o diagnóstico um verdadeiro desafio na prática clínica.
“Não há, até o presente momento, um exame único que seja capaz de diferenciar a doença inflamatória intestinal do linfoma intestinal em gatos”, explicou Renata durante a apresentação.
Entre os sinais clínicos mais comuns estão perda de peso, vômitos, diarreia, constipação, hiporexia e prostração. A duração dos sintomas também pode variar amplamente entre os pacientes, o que reforça a necessidade de uma investigação diagnóstica criteriosa.
Doença inflamatória intestinal envolve múltiplos fatores
A doença inflamatória intestinal é caracterizada por manifestações gastrointestinais persistentes associadas a alterações inflamatórias na mucosa intestinal.
De acordo com os critérios do grupo de padronização gastrointestinal da WSAVA, o diagnóstico envolve a presença de sinais clínicos por mais de três semanas, resposta parcial a tratamentos iniciais e alterações histopatológicas compatíveis com inflamação intestinal.
Renata destacou que a patogênese da doença envolve diversos fatores, incluindo predisposição genética, microbiota intestinal, ambiente e resposta imunológica da mucosa gastrointestinal.
“É uma condição multifatorial, em que fatores genéticos, microbiota entérica, sistema imunológico e ambiente interagem para desencadear a inflamação intestinal”, afirmou.
Linfoma intestinal está entre as neoplasias mais comuns em gatos
O linfoma intestinal é uma das neoplasias mais frequentes em felinos e pode se apresentar em diferentes formas clínicas.
Entre os principais tipos estão o linfoma de pequenas células, responsável por cerca de 60% a 75% dos casos, o linfoma transmural de grandes células e o linfoma granular, considerado mais raro e geralmente mais agressivo.
A especialista explicou que o linfoma de pequenas células ocorre com maior frequência no jejuno e no íleo, seguido pelo duodeno. Apesar dessas diferenças, a apresentação clínica costuma ser muito semelhante à observada na doença inflamatória intestinal.
“A perda de peso é um dos sinais mais comuns, mas outros sintomas gastrointestinais também podem estar presentes nas duas condições”, destacou.
Exames laboratoriais e de imagem auxiliam na investigação clínica
Durante a investigação diagnóstica, exames laboratoriais e de imagem ajudam a direcionar a avaliação clínica, embora não sejam conclusivos isoladamente.
Alterações como leucocitose, neutrofilia, anemia normocítica e hipocobalaminemia podem ser observadas em pacientes com doenças intestinais crônicas.
A redução da cobalamina, inclusive, tende a ocorrer com maior frequência em casos de linfoma.
A avaliação da função absortiva intestinal, por meio da dosagem de folato e cobalamina, também pode contribuir para identificar a região do intestino afetada.
A ultrassonografia abdominal é outra ferramenta importante nesse processo. Entre os achados mais comuns estão espessamento da parede intestinal, aumento da camada muscular e alterações em linfonodos mesentéricos.
Ainda assim, a especialista reforçou que esses exames devem ser interpretados em conjunto com outros dados clínicos.
“O diagnóstico definitivo depende da integração de diferentes exames e da avaliação clínica completa do paciente”, destacou.
Biópsia intestinal e exames complementares ajudam a confirmar o diagnóstico
A biópsia intestinal continua sendo considerada o padrão para confirmação diagnóstica em casos suspeitos de doença inflamatória intestinal ou linfoma.
O procedimento pode ser realizado por meio de endoscopia ou laparotomia, dependendo das características do caso e da avaliação clínica do paciente.
Ainda assim, mesmo a histopatologia pode apresentar limitações na diferenciação entre inflamação intestinal e linfoma de pequenas células.
“Apesar de ser considerada o padrão ouro, a histopatologia ainda pode não ser capaz de diferenciar completamente essas duas condições”, explicou Renata.
Por esse motivo, exames complementares como imuno-histoquímica, citometria de fluxo e testes de clonalidade genética podem ser utilizados para aumentar a precisão diagnóstica.
Segundo a palestrante, a combinação dessas metodologias pode revelar casos inicialmente classificados como inflamatórios que, após investigação mais aprofundada, são reclassificados como linfoma.
Nutrição também pode contribuir para a saúde intestinal
Durante o evento, representantes da indústria destacaram a importância da nutrição como parte do suporte à saúde gastrointestinal dos felinos.
Tatiana Vita, Representante de Informação Veterinária da Purina, e Priscila Rodrigues, Gerente de Informação Veterinária da Nestlé Purina, explicaram que o apoio da empresa à palestra está relacionado ao papel da nutrição no suporte à imunidade intestinal.
“Optamos por apoiar esta palestra porque o tema dialoga diretamente com uma área em que a nutrição pode contribuir muito, que é a saúde intestinal. Trabalhamos com tecnologias nutricionais específicas, como a inclusão do colostrum em algumas formulações, um ingrediente que auxilia no suporte à imunidade intestinal”, destacaram.
Segundo elas, o ingrediente está presente em formulações super premium e faz parte de uma tecnologia desenvolvida pela empresa.
“Trata-se de um diferencial tecnológico que contribui para fortalecer a resposta imunológica, especialmente no trato gastrointestinal, o que se conecta diretamente com discussões como as apresentadas nesta palestra sobre doenças intestinais em felinos”, acrescentaram.
FAQ sobre diferenças entre DII e linfoma intestinal em gatos
Quais são os principais sinais clínicos da doença inflamatória intestinal em gatos?
Entre os sinais mais comuns estão perda de peso, vômitos, diarreia, diminuição do apetite, constipação e prostração. Esses sintomas podem persistir por semanas ou meses.
Como diferenciar doença inflamatória intestinal de linfoma intestinal em gatos?
A diferenciação geralmente exige investigação diagnóstica completa, que pode incluir exames laboratoriais, ultrassonografia abdominal, biópsia intestinal e exames complementares como imuno-histoquímica ou testes de clonalidade.
A biópsia intestinal é sempre necessária para o diagnóstico?
A biópsia intestinal é considerada o padrão para confirmação diagnóstica. No entanto, a interpretação dos resultados deve ser associada ao histórico clínico e a outros exames para aumentar a precisão do diagnóstico.
LEIA TAMBÉM:
Tecnologia a favor dos felinos: caixa de areia automática realiza limpeza sozinha
Hipotireoidismo felino ganha destaque no Animal Health 2026 com discussão sobre diagnóstico e manejo
