Celebrado hoje, 7 de julho, o Dia Mundial do Chocolate é uma oportunidade para lembrar que um dos alimentos mais apreciados pelos humanos representa um sério risco para cães e gatos.
A ingestão de chocolate pode provocar desde alterações gastrointestinais até complicações cardíacas e neurológicas graves, exigindo atendimento veterinário imediato.
Segundo a médica-veterinária com pós-graduação em Nutrição de Cães e Gatos e atuação em nutrição clínica, Carla Maion, a toxicidade está relacionada, principalmente, à dificuldade que os pets têm para metabolizar determinadas substâncias presentes no alimento.
“O chocolate é tóxico porque contém metilxantinas, principalmente teobromina e cafeína, substâncias que cães e gatos metabolizam com dificuldade. Elas estimulam o sistema nervoso central e cardiovascular, podendo causar vômitos, diarreia, agitação, arritmias, tremores, convulsões e, em casos graves, óbito”, explica.
Quanto mais cacau, maior o perigo
Nem todo chocolate apresenta o mesmo nível de risco. De acordo com a veterinária, quanto maior a concentração de cacau, maior a quantidade de teobromina e, consequentemente, o potencial tóxico.
“Cacau em pó e chocolate amargo e meio amargo são os mais perigosos. O chocolate ao leite contém menor concentração de teobromina, mas também pode causar intoxicação. Já o chocolate branco possui pouca teobromina, porém não deve ser oferecido aos animais por causa do elevado teor de gordura e açúcar, que pode favorecer alterações gastrointestinais e até pancreatite”, informa.
Embora cães e gatos sejam sensíveis às metilxantinas, os cães aparecem com mais frequência nos atendimentos por ingerirem alimentos de forma menos seletiva. Já os gatos costumam demonstrar menor interesse por doces, embora também possam sofrer intoxicação.

Sintomas exigem atendimento imediato
Os primeiros sinais costumam surgir poucas horas após a ingestão e podem persistir por até 72 horas, dependendo da quantidade consumida e do tipo de chocolate.
Entre os sintomas mais comuns estão vômitos, diarreia, sede excessiva, aumento da produção de urina, agitação, respiração ofegante, tremores, taquicardia, arritmias, elevação da temperatura corporal e convulsões.
A gravidade do quadro varia conforme o peso do animal, o tipo e a quantidade de chocolate ingerida e o intervalo entre a ingestão e o atendimento veterinário.
“O tratamento pode incluir indução do vômito, administração de carvão ativado, fluidoterapia e medicamentos para controlar arritmias, tremores e convulsões. Quanto mais rápido o atendimento, melhor o prognóstico”, destaca Carla.
Prevenção ainda é a melhor estratégia
A orientação é manter chocolates e outros doces sempre fora do alcance dos animais, principalmente em datas comemorativas, quando esses produtos costumam estar mais presentes nas residências.
“A prevenção começa em casa. É importante guardar chocolates em locais inacessíveis aos pets, inclusive em bolsas, mesas, lixeiras e embalagens abertas. Também é fundamental orientar crianças e visitas para que nunca ofereçam esse tipo de alimento aos animais”, ressalta.

Mitos podem colocar a vida dos pets em risco
A médica-veterinária também alerta para informações equivocadas que ainda circulam entre os responsáveis e podem atrasar a procura por atendimento.
Entre os mitos mais comuns estão a ideia de que “um pedacinho não faz mal”, que “chocolate branco está liberado”, que “apenas chocolate amargo intoxica”, que “gatos não correm risco porque comem pouco” ou que “se o animal não vomitou, está tudo bem”.
“Nenhuma dessas afirmações é segura. A intoxicação varia de acordo com cada caso e deve ser avaliada por um médico-veterinário”, conclui.
FAQ sobre intoxicação por chocolate em cães e gatos
Por que o chocolate faz mal para cães e gatos?
Porque contém teobromina e cafeína, substâncias que esses animais metabolizam lentamente e que podem causar alterações neurológicas e cardíacas.
Qual chocolate oferece maior risco?
Os produtos com maior teor de cacau, como cacau em pó e chocolates amargo e meio amargo, concentram mais teobromina e apresentam maior potencial tóxico. Porém, nenhum tipo de chocolate deve ser oferecido a cães e gatos.
O que fazer se o pet comer chocolate?
O responsável deve procurar atendimento veterinário imediatamente, mesmo que o animal ainda não apresente sintomas. O diagnóstico precoce aumenta as chances de recuperação.

