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Dia Nacional de Prevenção à Obesidade pet: muito além dos quilos a mais

Cada vez mais comum entre os pets, a obesidade possui impacto direto na longevidade e na saúde de cães e gatos

Dia Nacional de Prevenção à Obesidade pet: muito além dos quilos a mais
Por Danielle Assis
11 de outubro de 2026

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a obesidade uma epidemia global entre as pessoas e esse cenário não é muito diferente do visto em cães e gatos. 

Nas últimas décadas, diferentes estudos mostraram um aumento da prevalência do excesso de peso nos animais e diversos são os motivos apontados para esse cenário. 

Entre eles está a humanização dos pets e a rotina sedentária, que podem contribuir para um maior aporte de calorias frente a um gasto calórico menor diariamente. Além disso, fatores genéticos também podem estar envolvidos. 

Conforme relatam Aulus Cavalieri Carciofi, médico-veterinário, diretor técnico do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA) e professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), e Giovanna Cavalcanti Fiorillo, médica-veterinária e aluna do 2º ano do programa de Aprimoramento Profissional em Medicina Veterinária na área de Nutrição e Nutrição Clínica de Cães e Gatos, a tendência ao ganho de peso é de origem multifatorial e envolve aspectos genéticos, ambientais, comportamentais e o estado reprodutivo do animal. 

“Esse processo se dá por meio do desbalanço entre o gasto energético e a ingestão calórica, situação em que ocorre um balanço energético positivo, caracterizado pela estocagem de energia na forma de ganho de peso”, afirmam.

Os responsáveis possuem um papel importante quando se fala em obesidade. Entre os erros de manejo que mais levam a essa condição está o excesso na oferta de petiscos, que causa um aumento da ingestão de calorias não provenientes do alimento completo do animal, assim como a alimentação em livre demanda, que pode proporcionar um aporte calórico acima do ideal. 

Impactos importantes no organismo 

O consumo aumentado em relação ao gasto energético desencadeia um aumento da capacidade de armazenamento do tecido adiposo. Mais do que elevar os números na balança, a gordura é capaz de gerar no organismo um estado pró-inflamatório crônico, e predispõe à produção de citocinas inflamatórias e a liberação de hormônios reguladores de apetite. 

Segundo Aulus e Giovanna, a obesidade também gera sobrecarga articular relacionada ao processo de osteoartrite, influência no ciclo reprodutivo devido à síntese de leptina pela extensão do tecido adiposo e causa desconforto respiratório associado à dificuldade de expansão do tórax, que pode gerar quadros clínicos de baixa tolerância ao esforço físico, dificuldade respiratória, cianose e síncope. 

Outras consequências são a produção de citocinas e moléculas inflamatórias, como as interleucinas e o fator de necrose tumoral relacionadas à proliferação e angiogênese envolvidas em processos de desenvolvimento neoplásico.

“A sobrecarga das articulações pode influenciar o desenvolvimento de processos crônicos de dor, como a osteoartrite, se apresentando através da claudicação, dificuldade de deslocamento e comprometimento das atividades fisiológicas. No caso dos gatos, a dor e a dificuldade de locomoção podem comprometer a auto-higienização do pelame, bem como promover episódios de automutilação com remoção dos pelos”, destacam.

Gato obeso
A obesidade em cães e gatos gera um estado inflamatório crônico que reduz a qualidade de vida e pode diminuir a expectativa de vida do pet em até dois anos (Foto: Reprodução)

Citando exclusivamente os felinos, pode ocorrer ainda resistência insulínica, que está diretamente associada ao desenvolvimento de diabetes mellitus.

Todos esses aspectos impactam diretamente a qualidade de vida e a longevidade dos animais. 

Prova disso é um estudo realizado por Kealy, em 2002, com cães da raça Labrador Retriever. De acordo com a pesquisa citada pelos médicos-veterinários, cachorros em estado de obesidade tiveram expectativa de vida e sobrevida reduzidas em dois anos em relação ao grupo que apresentava adequada condição corporal. 

“Nesses animais, também foram constatadas alterações em outros parâmetros, como a concentração sérica de triglicerídeos, colesterol, resistência insulínica e inflamação crônica”, explica.

Logo, é importante destacar que os efeitos da obesidade em cães e gatos são diferentes. Sabe-se que ambas as espécies desenvolvem um processo inflamatório crônico com posterior resistência insulínica devido à inibição dos receptores de insulina causada pelos mediadores inflamatórios do tecido adiposo. 

Contudo, os profissionais comentam que apenas nos gatos a resistência insulínica foi comprovadamente relacionada ao desenvolvimento de diabetes mellitus. 

A boa notícia é que muitos dos efeitos deletérios causados pela obesidade podem ser resolvidos através do emagrecimento. O emagrecimento, mesmo que o peso ideal não seja alcançado, de forma geral, melhora a qualidade de vida e reduz a sobrecarga das articulações. 

Também contribui para a descompressão do tecido adiposo no tórax e na traqueia, diminuindo os efeitos sobre o fôlego e a tolerância a exercícios. 

“Estudos mostram ainda que o emagrecimento parece resolver o processo inflamatório crônico, uma vez que está relacionado com à obesidade. Além disso, em gatos, o diabetes mellitus pode ser revertido com a perda de peso, em razão da eliminação da glicotoxicidade”, explicam.

Confira o artigo completo “Muito além dos quilos a mais”, na íntegra e sem custo, acessando a página 32 da edição de outubro (nº 326) da Revista Cães e Gatos.