Cada vez mais, cães e gatos ocupam um lugar que vai muito além da companhia: são considerados parte da família. Entretanto, conciliar a crescente importância dos animais com os custos dos cuidados veterinários ainda é um desafio, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso à saúde animal.
Nesse cenário, centros veterinários vinculados a universidades podem exercer um papel relevante ao aproximar atendimento de qualidade, formação acadêmica e serviços a preços mais acessíveis para a população.
Uma pesquisa publicada na revista científica Anthrozoös mostrou que enxergar o pet como membro da família está associado à percepção de maior suporte social oferecido pelo animal e a melhores indicadores de bem-estar dos responsáveis, mas, no Brasil, a condição socioeconômica ainda é uma barreira para manter a saúde pet por longos anos de vida.
Um estudo transversal realizado em Santa Maria (RS), com 414 domicílios atendidos pela Estratégia de Saúde da Família (ESF), identificou que 88,5% tinham animais de estimação (cães e gatos), mas apenas 18,4% foram castrados. Os níveis mais elevados de renda estavam associados a maior frequência de monitoramento veterinário, vacinação, esterilização e tratamentos antiparasitários.
Em 2026, a Frontiers in Veterinary Science, realizou uma pesquisa com 1.885 responsáveis por cães e gatos nos Estados Unidos e investigou a percepção dos custos dos atendimentos veterinários, destacando a sua importância para auxiliá-los no planejamento dos cuidados.
Diante desses estudos, conversei com o coordenador clínico do Centro de Medicina Veterinária (CVM) da Universidade São Judas, Antero Matias, que me contou sobre um novo centro recém inaugurado.
“A Universidade São Judas investe na formação de profissionais e na ampliação do acesso à saúde animal, desde 2017, com a criação do primeiro Centro de Medicina Veterinária (CMV). A inauguração no campus Santana representa mais um passo nessa direção, ao oferecer à população atendimento de qualidade com preços acessíveis. Nossa intenção é contribuir para que o cuidado com cães e gatos esteja cada vez mais ao alcance das famílias, ao mesmo tempo em que proporcionamos aos nossos estudantes uma experiência prática de formação”.
A clínica funciona de segunda à sexta em horário noturno, das 17 às 21h, de portas abertas para atender cães e gatos com valores de baixo custo para consultas, vacinas e cirurgias bem como as unidades Santos, Mooca e Vila Leopoldina.
Alunos do último semestre da graduação acompanham os procedimentos com a supervisão da médica-veterinária Fernanda Mantovani, especializada em Oftalmologia e responsável pela unidade. Em casos cirúrgicos, alunos aprendem em tempo real via câmera instalada.
Precisamos de mais ações como essa!
Co-escrito por Ana Purchio, jornalista pós-graduada em mídias sociais e estudante de psicologia.
Referências:
MCCONNELL, Allen R.; LLOYD, E. Paige; HUMPHREY, Brandon T. We are family: viewing pets as family members improves wellbeing. Anthrozoös, v. 32, n. 4, p. 459-470, 2019. DOI: 10.1080/08927936.2019.1621516.
FELIPETTO, L. G.; FERNANDES, F. D.; VOGEL, F. S. F.; FLORES, E. F.; BOTTON, S. A.; SANGIONI, L. A. Demographics and health care profiles of dogs and cats associated with the socioeconomic profile of their tutors in areas assisted by Family Health Strategies in Brazil. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 74, n. 6, p. 1007-1016, 2022. DOI: 10.1590/1678-4162-12708.
NEILL, Clinton L.; SHALEK-BRISKI, Abby. Species-specific differences across the rural–urban spectrum for perceived veterinary visit costs among U.S. pet owners. Frontiers in Veterinary Science, v. 13, 2026. DOI: 10.3389/fvets.2026.1879445.

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