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Peixe betta: muito além dos pequenos aquários

Apesar de sua famosa resistência, a espécie exige aquários amplos, controle da água e enriquecimento ambiental para viver com saúde.

Peixe betta: muito além dos pequenos aquários
Por Raquel Naomi Tanaka Scaduto
16 de agosto de 2026

O peixe betta (Betta splendens) está entre as espécies ornamentais mais populares no aquarismo, destacando-se pela grande diversidade de cores e formatos das nadadeiras, facilidade de comercialização e ampla aceitação por criadores iniciantes. 

Sua popularidade está relacionada à percepção de que se trata de um animal resistente e de manejo simples, capaz de ser mantido em aquários pequenos e com pouca infraestrutura. Entretanto, essa ideia é um dos principais equívocos relacionados à espécie. 

Embora o betta possua adaptações fisiológicas importantes, como o órgão labiríntico, que lhe permite realizar respiração aérea facultativa e sobreviver temporariamente em ambientes com baixa concentração de oxigênio dissolvido, essa característica não reduz suas exigências quanto às condições de manejo. 

A qualidade da água, a estabilidade dos parâmetros físico-químicos, a temperatura, a alimentação adequada e o enriquecimento ambiental continuam sendo fatores essenciais para sua saúde e bem-estar.

Os peixes são os animais de estimação mais numerosos do planeta, mas, historicamente, receberam menos atenção em relação ao bem-estar quando comparados a outros vertebrados. 

Atualmente, sabe-se que diversas espécies apresentam memória, capacidade de aprendizagem, comportamentos sociais complexos, personalidade individual e são capazes de perceber estímulos dolorosos. 

No caso do peixe-betta, ainda é comum sua comercialização e manutenção em aquários pequenos, sem substrato, plantas ou locais de refúgio. Contudo, indivíduos mantidos em aquários maiores e enriquecidos apresentam maior atividade, exploram e expressam comportamentos naturais. Em contrapartida, peixes alojados em recipientes pequenos ou sem enriquecimento ambiental permanecem mais tempo em repouso e apresentam maior sinais de estresse crônico. 

peixe betta
Apesar de ser resistente, o peixe betta exige aquários adequados, água tratada e temperatura controlada para viver bem (Foto: Reprodução)

Além dos impactos comportamentais, a manutenção em ambientes inadequados favorece alterações na qualidade da água, aumenta a exposição a compostos nitrogenados, compromete a resposta imunológica e eleva a predisposição ao desenvolvimento de enfermidades, reduzindo significativamente a expectativa e a qualidade de vida desses animais. 

Quando mantidos sob condições adequadas, podem viver entre três e cinco anos, apresentando comportamento exploratório, territorial e intensa interação com o ambiente.

Mais do que sua importância como peixe ornamental, o betta também se destaca como modelo em pesquisas científicas nas áreas de comportamento, genética, neurobiologia, endocrinologia, desenvolvimento e evolução, contribuindo para o avanço do conhecimento sobre a biologia e o comportamento dos peixes.

Assim, a elevada capacidade de adaptação do Betta splendens não deve ser confundida com ausência de necessidades. Sua sobrevivência em condições adversas não representa bem-estar. 

A criação responsável exige um ambiente compatível com suas exigências biológicas, aliado ao monitoramento da qualidade da água, temperatura adequada, alimentação balanceada e enriquecimento ambiental.

Confira o artigo completo “Peixe betta: muito além dos pequenos aquários”, na íntegra e sem custo, acessando a página 52 da edição de agosto (nº 324) da Revista Cães e Gatos. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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