O peixe betta (Betta splendens) está entre as espécies ornamentais mais populares no aquarismo, destacando-se pela grande diversidade de cores e formatos das nadadeiras, facilidade de comercialização e ampla aceitação por criadores iniciantes.
Sua popularidade está relacionada à percepção de que se trata de um animal resistente e de manejo simples, capaz de ser mantido em aquários pequenos e com pouca infraestrutura. Entretanto, essa ideia é um dos principais equívocos relacionados à espécie.
Embora o betta possua adaptações fisiológicas importantes, como o órgão labiríntico, que lhe permite realizar respiração aérea facultativa e sobreviver temporariamente em ambientes com baixa concentração de oxigênio dissolvido, essa característica não reduz suas exigências quanto às condições de manejo.
A qualidade da água, a estabilidade dos parâmetros físico-químicos, a temperatura, a alimentação adequada e o enriquecimento ambiental continuam sendo fatores essenciais para sua saúde e bem-estar.
Os peixes são os animais de estimação mais numerosos do planeta, mas, historicamente, receberam menos atenção em relação ao bem-estar quando comparados a outros vertebrados.
Atualmente, sabe-se que diversas espécies apresentam memória, capacidade de aprendizagem, comportamentos sociais complexos, personalidade individual e são capazes de perceber estímulos dolorosos.
No caso do peixe-betta, ainda é comum sua comercialização e manutenção em aquários pequenos, sem substrato, plantas ou locais de refúgio. Contudo, indivíduos mantidos em aquários maiores e enriquecidos apresentam maior atividade, exploram e expressam comportamentos naturais. Em contrapartida, peixes alojados em recipientes pequenos ou sem enriquecimento ambiental permanecem mais tempo em repouso e apresentam maior sinais de estresse crônico.

Além dos impactos comportamentais, a manutenção em ambientes inadequados favorece alterações na qualidade da água, aumenta a exposição a compostos nitrogenados, compromete a resposta imunológica e eleva a predisposição ao desenvolvimento de enfermidades, reduzindo significativamente a expectativa e a qualidade de vida desses animais.
Quando mantidos sob condições adequadas, podem viver entre três e cinco anos, apresentando comportamento exploratório, territorial e intensa interação com o ambiente.
Mais do que sua importância como peixe ornamental, o betta também se destaca como modelo em pesquisas científicas nas áreas de comportamento, genética, neurobiologia, endocrinologia, desenvolvimento e evolução, contribuindo para o avanço do conhecimento sobre a biologia e o comportamento dos peixes.
Assim, a elevada capacidade de adaptação do Betta splendens não deve ser confundida com ausência de necessidades. Sua sobrevivência em condições adversas não representa bem-estar.
A criação responsável exige um ambiente compatível com suas exigências biológicas, aliado ao monitoramento da qualidade da água, temperatura adequada, alimentação balanceada e enriquecimento ambiental.
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