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Erros anestésicos e como evitá-los são apresentados durante a VMX 2026

Equipe bem treinada e distrações diminuídas no centro cirúrgico são alguns dos pontos destacados para minimizar os erros anestésicos durante procedimentos

Erros anestésicos e como evitá-los são apresentados durante a VMX 2026
Por Danielle Assis
20 de janeiro de 2026

A anestesia faz parte da rotina cirúrgica de cães e gatos. Mesmo que, atualmente, existam fármacos muito seguros, ainda assim podem ocorrer erros anestésicos. Esses erros, se não corrigidos, são passíveis de causar danos à saúde dos pets.

Para ajudar os profissionais nesse momento, a médica-veterinária diplomada pelo American College of Veterinary Anesthesia and Analgesia e docente de Anestesiologia e manejo da dor no College of Veterinary Medicine da Ohio State University, Turi Aarnes, apresentou uma palestra a respeito do tema na VMX 2026.

“Para começar, sabemos que erros na Medicina ocorrem todos os dias. No entanto, a classificação e o relato de erros na Medicina Veterinária não são obrigatórios, nem estão facilmente disponíveis, diferente do que acontece na Medicina Humana, em que é absolutamente obrigatório relatá-los, especialmente quando há impacto no cuidado ao paciente”, afirmou.

Dito isto, a profissional iniciou a sua apresentação relatando que muitas falhas ocorrem devido a características da própria organização. Para exemplificar citou falta de pessoal, fluxo de trabalho inadequado, treinamentos ineficientes, iluminação incorreta no centro cirúrgico e presença de ruídos.

“Algumas distrações incluem música alta no centro cirúrgico ou tentar se manter aquecido em uma sala fria. Esses detalhes podem parecer simples, mas fazem a diferença. Inclusive, de 50% a 90% dos erros não são relatados na Medicina Humana e na veterinária, provavelmente, as taxas são iguais ou piores”, explicou.

Dessa forma, reduzir distrações é fundamental. Sabe-se que um ambiente totalmente livre de distrações é ideal, mas impossível. Logo, a recomendação da profissional é, sempre que possível, limitar o número de pessoas na sala cirúrgica e conversas desnecessárias.

gato no centro cirúrgico
Diminuir distrações no centro cirúrgico é uma das maneiras de minimizar os erros anestésicos (Foto: Reprodução)

A importância dos checklists

Os checklists são usados há muito tempo em várias indústrias, como a aviação, e ajudam a prevenir problemas.

Turi relatou que na cirurgia e anestesia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) os recomenda em todos os procedimentos, sendo necessário adaptá-los conforme a realidade profissional.

“O uso de checklists reduz o tempo anestésico e, consequentemente, o risco de ocorrerem erros anestésicos”, afirmou.

Além disso, é fundamental ter profissionais bem treinados e capazes de realizar uma comunicação efetiva.

De acordo com a veterinária, o melhor monitor é uma pessoa bem treinada e fatores que podem interferir na performance do profissional são temperatura, nível de ruído, presença de distrações, fome, sede e acúmulo de funções.

“O horário também influência o risco anestésico. Cirurgias fora do expediente normal, à noite ou fins de semana, aumentam a chance de complicações. Por isso, é importante usar sensores de oxigênio, alarmes audíveis, doppler, capnografia e protocolos de emergência para aumentar a segurança”, comentou.

Para complementar, os carrinhos de emergência devem estar organizados, completos e com medicamentos dentro do prazo de validade.

Protocolos anestésicos

Os protocolos anestésicos ajudam a identificar rapidamente quando algo não está normal e focam na prevenção de falhas.

Devido a isso, organizações de alta confiabilidade, que operam em ambientes complexos, têm baixas taxas de erro.

“Essas organizações analisam falhas e quase-erros para evitar que se repitam. No fim, sabemos que elas têm melhores desfechos para os pacientes”, concluiu.