Opções
Cursos e Eventos

Aplicação de células-tronco em cães e gatos é tema de discussão científica na VMX 2026

O uso de células-tronco na Medicina Veterinária tem se expandido como opção terapêutica em cães e gatos, exigindo critérios claros e respaldo científico para sua aplicação clínica

Aplicação de células-tronco em cães e gatos é tema de discussão científica na VMX 2026
Por Melissa Marques
19 de janeiro de 2026

O uso de células-tronco na Medicina Veterinária tem se expandido como opção terapêutica em cães e gatos, exigindo critérios claros e respaldo científico para sua aplicação clínica

Durante a VMX 2026, a médica-veterinária Rebecca Windsor apresentou uma atualização abrangente sobre as aplicações das terapias com células-tronco em cães e gatos, contextualizando o avanço dessa abordagem na rotina clínica e destacando a importância de utilizá-la com critério científico. 

Segundo a palestrante, o crescimento do interesse pela terapia celular exige responsabilidade técnica e alinhamento com a medicina baseada em evidências.

O papel das células-tronco na Medicina Veterinária atual

De acordo com a profissional, as células-tronco mais utilizadas na clínica de pequenos animais são as células-tronco mesenquimais, obtidas principalmente do tecido adiposo ou da medula óssea. 

Windsor explicou que o efeito terapêutico dessas células está menos relacionado à substituição direta de tecidos e mais à sua ação moduladora.

“Essas células não funcionam como um enxerto que se transforma em cartilagem ou rim novo. Elas atuam principalmente regulando a inflamação e criando um ambiente biológico mais favorável à recuperação”, afirmou

Indicações clínicas mais consolidadas

Ao abordar as principais indicações, a palestrante destacou que as doenças osteoarticulares, como a osteoartrite em cães, concentram o maior volume de evidências científicas. 

Nesses casos, segundo Windsor, os benefícios incluem melhora funcional, redução da dor e, em alguns pacientes, diminuição da necessidade de medicamentos de uso contínuo.

A profissional também comentou sobre outras aplicações em avaliação, como:

  • Doenças inflamatórias intestinais, especialmente em pacientes refratários
  • Doença renal crônica em gatos, com resultados ainda inconsistentes
  • Doenças imunomediadas, nas quais o efeito imunomodulador pode auxiliar no controle clínico

“Nem todo paciente é um bom candidato à terapia celular. A seleção correta do caso é tão importante quanto a técnica utilizada”, ressaltou.

Aplicação de células-tronco em cães e gatos é tema de discussão científica na VMX 2026
Células-tronco mesenquimais atuam principalmente na modulação da resposta imune, auxiliando no controle da inflamação sistêmica e local em cães e gatos (Foto: Reprodução)

Origem das células e vias de administração

Durante a apresentação, Windsor explicou que as terapias podem ser realizadas com células autólogas, coletadas do próprio paciente, ou alogênicas, provenientes de doadores. Segundo a palestrante, os protocolos alogênicos têm se popularizado por facilitarem a logística e permitirem início mais rápido do tratamento.

As vias de administração variam conforme a indicação clínica e incluem aplicações intra-articulares, intravenosas ou locais. 

“Não existe uma única forma correta de aplicação; tudo depende da doença, do estágio e do objetivo terapêutico”, pontuou a profissional.

Evidências científicas e expectativas realistas

Apesar do entusiasmo em torno da terapia celular, a profissional reforçou que ainda há lacunas importantes na literatura científica, especialmente em relação à dose ideal, frequência de aplicações e duração dos efeitos.

“Células-tronco não são uma cura milagrosa, mas podem ser uma ferramenta valiosa quando bem indicadas”, alertou.

Segurança e uso responsável

Do ponto de vista da segurança, os dados atuais indicam baixo risco de efeitos adversos quando as células-tronco mesenquimais são utilizadas de forma adequada. 

Ainda assim, Windsor enfatizou a necessidade de seguir normas regulatórias, garantir rastreabilidade do material biológico e manter uma comunicação clara com os tutores.

“O uso responsável começa com informação de qualidade e consentimento bem esclarecido”, destacou a palestrante.

Perspectivas para o futuro da terapia celular

Windsor ressaltou que a terapia com células-tronco representa uma área em constante evolução na Medicina Veterinária. 

Novas pesquisas devem ampliar as indicações clínicas e tornar os protocolos mais precisos.

“O futuro dessa área depende diretamente de pesquisa sólida e de profissionais dispostos a aplicar essa tecnologia com critério e ética”, concluiu.