Abre em uma nova aba
Opções
Artigos revista VET

Estudo brasileiro aponta benefícios da associação de tramadol e dipirona no pós-operatório de cães

Pesquisa publicada na Frontiers in Veterinary Science traz novas evidências sobre o uso da associação em protocolos de analgesia multimodal

Estudo brasileiro aponta benefícios da associação de tramadol e dipirona no pós-operatório de cães
Por Equipe Cães&Gatos
15 de outubro de 2026

O período pós-operatório exige atenção especial ao manejo da dor, sobretudo após procedimentos associados a estímulos nociceptivos moderados ou intensos. Nesses casos, atuar em diferentes vias envolvidas na dor pode ampliar as possibilidades de controle analgésico, o que torna a abordagem multimodal uma estratégia importante na rotina clínica.

É nesse contexto que a associação de tramadol e dipirona vem sendo estudada. Enquanto o tramadol atua por mecanismos opioides e pela modulação das vias de serotonina e noradrenalina, a dipirona apresenta ação analgésica por mecanismos centrais e periféricos. A utilização conjunta busca, portanto, explorar efeitos complementares no controle da dor.

Novos dados sobre essa estratégia foram apresentados em um estudo clínico brasileiro publicado na revista científica internacional Frontiers in Veterinary Science. A pesquisa avaliou 30 cadelas submetidas à ovariohisterectomia associada à mastectomia unilateral.

Os animais foram distribuídos em três grupos, tratados com tramadol e dipirona associados ou com cada um dos fármacos isoladamente, sempre dentro de um protocolo analgésico multimodal. Durante cinco dias, foram avaliados escores de dor, necessidade de analgesia de resgate e concentrações séricas de cortisol.

Os resultados mostraram diferenças principalmente no período inicial da recuperação, momento em que os estímulos nociceptivos e inflamatórios tendem a ser mais intensos. 

No primeiro dia após a cirurgia, o grupo que recebeu a associação (tramadol + dipirona) apresentou melhor controle da dor em comparação ao tratado apenas com dipirona, além de maior número de animais classificados sem dor.

A combinação de tramadol e dipirona via oral oferece controle mais consistente da dor no período inicial após cirurgias de médio e grande porte (Foto: Reprodução)

Outro resultado chamou atenção: após o início do tratamento oral, nenhum cão que recebeu a associação necessitou de analgesia de resgate. Os pesquisadores apontam o achado como um possível indicativo de controle mais consistente da dor no período inicial.

As concentrações de cortisol permaneceram dentro do intervalo de referência no grupo tratado com a associação, enquanto aumentos transitórios foram registrados nos demais. Além disso, não foram observados efeitos adversos clinicamente relevantes durante o acompanhamento.

Para a prática clínica, os achados ampliam as evidências sobre o potencial da associação de tramadol e dipirona como parte de protocolos multimodais, especialmente no período inicial da recuperação. A possibilidade de manter essa estratégia por via oral também ganha relevância após a alta, quando a continuidade do manejo analgésico passa a depender da administração pelo responsável do animal.

Nesse cenário, reunir diferentes mecanismos de ação em uma mesma estratégia pode representar um recurso importante para prolongar a cobertura analgésica e facilitar a condução do tratamento ao longo da recuperação do animal.

Confira o artigo completo “Estudo brasileiro aponta benefícios da associação de tramadol e dipirona no pós-operatório de cães”, na íntegra e sem custo, acessando a página 46 da edição de outubro (nº 326) da Revista Cães e Gatos.

Referência: 

MASTROCINQUE, S. et al. Efficacy and safety of a fixed-dose oral tramadol–dipyrone combination for postoperative analgesia in dogs undergoing ovariohysterectomy and unilateral mastectomy: a randomized clinical trial. Frontiers in Veterinary Science, v. 13, 2026.