Uma pesquisa científica caracterizou as profundas alterações imunitárias, metabólicas e genéticas que ocorrem no organismo dos cães com o passar dos anos.
Focando na raça Beagle, os pesquisadores estabeleceram uma referência multiômica inédita do envelhecimento canino, revelando como o sistema de defesa e o metabolismo dos animais se reconfiguram durante a fase sênior.
Diferente de pesquisas anteriores que analisavam fatores isolados ou pequenas amostras, este trabalho utilizou tecnologias de sequenciamento celular em larga escala. Os achados fornecem uma base sólida para que a medicina veterinária compreenda a longevidade canina e desenvolva intervenções focadas no envelhecimento saudável dos pets.
Maior base de dados celulares mapeia 27 populações imunitárias
Por meio do mapeamento de células sanguíneas, os cientistas reuniram aproximadamente 318 mil perfis celulares individuais, o maior conjunto de dados de células isoladas já catalogado para a espécie canina. A partir dessa análise profunda, foram identificadas 27 populações imunitárias distintas no sangue dos animais.
As transformações associadas à idade avançada revelaram um padrão claro de alteração no sistema imune:
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Redução de linfócitos virgens: O organismo dos cães idosos apresenta menor capacidade de resposta inicial a novos agentes patogênicos.
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Aumento do perfil inflamatório: Populações celulares associadas a processos inflamatórios tornaram-se mais expressivas em animais mais velhos.
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Queda na reparação celular: Células da imunidade adaptativa demonstraram menor atividade em processos de reparo de ADN, ciclo celular e vias mitocondriais.

Alterações metabólicas e descoberta de genes candidatos
A investigação metabólica revelou ainda uma diminuição expressiva na concentração de certos lípidos no soro sanguíneo dos cães mais velhos, incluindo componentes vitais para a integridade da membrana celular.
Para validar a utilidade do modelo, a equipe identificou genes específicos envolvidos no envelhecimento imunitário e metabólico, com destaque para os genes PLA2G4A e IRF4.
O estudo envolveu o exame detalhado de 50 Beagles, divididos entre 25 jovens e 25 adultos sêniores. Além dos biomarcadores clínicos e metabólitos do soro, os pesquisadores analisaram a expressão gênica e a sequenciação de ARN celular.
Essa compreensão sistêmica abre caminho para novos tratamentos preventivos e suplementações que visem desacelerar a imunossenescência em cães de diversas raças.
Fonte: Veterinária Atual, adaptado pela equipe Cães&Gatos.

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