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Clínica e Nutrição

Gastroenterologistas veterinários respondem às principais dúvidas sobre doenças gastrointestinais em cães e gatos

Informações podem ajudar tanto tutores com seus pets em casa, quanto veterinários que atuam em Clínica Geral
Por Cláudia Guimarães
pet na clinica
Por Cláudia Guimarães

Quem tem pet, com certeza, já levou o cão ou gato à clínica veterinária por conta de problemas gastrointestinais. Essas situações são comuns nos animais e podem variar de quadros leves e de passageiros a doenças crônicas que precisam de acompanhamento veterinário contínuo.

Para auxiliar nas principais dúvidas que podem surgir em relação ao tema, uma equipe de Gastroenterologia da Clínica Veterinária Ferogastro (São Paulo/SP) responde perguntas de interesse comum de tutores e médicos-veterinários clínicos gerais. Confira a seguir:

1- Quais as principais causas para o tutor buscar um gastroenterologista?

Vet Felipe Romano: Geralmente, vômitos, diarreia, falta de apetite, emagrecimento e alterações hepáticas como inchaço abdominal e icterícia (mucosas amareladas). 

2- Gatos apresentam as mesmas tendências do que os cães ou quadros particulares? 

Vet Letícia Isidoro: Os cães e os gatos apresentam algumas semelhanças em relação às doenças do trato gastrointestinal, mas, por se tratarem de espécies distintas, existem diferenças no padrão da doença, na evolução do quadro e no tratamento. Portanto, ao atender um paciente felino, é importante considerar suas particularidades anatômicas, a metabolização dos medicamentos, os comportamentos alimentares e os fatores estressantes que podem influenciar sua saúde.

Além disso, é importante lembrar que os gatos, por serem mais reservados em demonstrar dor ou desconforto, podem mascarar sintomas de doenças gastrointestinais até que a condição esteja mais grave. Isso exige que o profissional veterinário tenha uma abordagem mais cuidadosa e atenta, observando sinais sutis de alteração no comportamento alimentar, nas fezes e no estado geral do animal.

3- Existe um consenso sobre qual alimentação é melhor? Ração ou comida caseira?

Vet Larissa Duarte: Atualmente, não há um consenso definitivo na Medicina Veterinária sobre se a ração comercial ou a alimentação natural é uma opção melhor que a outra. Em ambas as abordagens existem vantagens e desvantagens, que devem ser consideradas pelos tutores e médicos-veterinários no momento da decisão da dieta.

A ração tem como vantagem a praticidade, conveniência e controle de qualidade. As empresas seguem padrões de produção, garantindo a segurança alimentar, além de serem dietas completas e balanceadas.

A alimentação natural também pode ser feita para qualquer animal que aceite bem este tipo de dieta. É uma boa opção para aqueles que apresentam mais de uma afecção, podendo assim ser formulada de acordo com a necessidade de cada paciente. É importante ressaltar que a alimentação natural deve ser sempre prescrita por um profissional especializado em nutrição veterinária, para que seja cuidadosamente balanceada a fim de evitar deficiências ou excessos nutricionais. Uma alimentação natural sem suplementos ou que consista apenas em alimento cru ou somente proteico é contraindicada para cães. 

4- Além de vômitos e diarreia, quais outros assuntos fazem parte da rotina do gastroenterologista?

Vet Larissa Nonato: Assuntos  como regurgitação, constipação (retenção de fezes), melena (fezes moles e negras), apetite seletivo, dor ou cólicas abdominais, emagrecimento não desejado, tenesmo (dificuldade em defecar), hematoquezia (sangue aparente nas fezes), etc.

5- Faz muita diferença um animal ser filhote ou ser idoso quando ele apresenta histórico de diarreia crônica?

Vet Felipe Romano: Sem dúvida! Diarreia em filhotes tem como principais causas as doenças parasitárias, a ingestão de objetos estranhos, eventual intoxicação ou imprudência alimentar. Nos idosos, além de tudo isso, ainda consideramos a doença renal, a neoplasia (câncer) e as doenças autoimunes intestinais como possíveis causas, por isso, o especialista precisa saber fazer a triagem desse paciente levando em conta sua idade, sua raça e ainda seu contexto epidemiológico. 

6- A endoscopia é sempre obrigatória para o entendimento do diagnóstico ou não? 

Vet Flavio Tchilian: A endoscopia é uma ferramenta essencial na investigação de doenças gastrointestinais, mas sua obrigatoriedade depende do caso clínico. Exames laboratoriais, a ultrassonografia e a tomografia podem fornecer informações valiosas, porém, a endoscopia permite a avaliação direta da mucosa, coleta de biópsias para histopatologia e remoção de corpos estranhos de forma minimamente invasiva. Ou seja, mais da metade dos animais com quadros crônicos certamente terão indicação da endoscopia, mas eles antes costumam passar por uma chamada triagem. Aqueles idosos e com suspeita de neoplasia (câncer) são mais urgentes. 

7- Petiscos comerciais e frutas são proibidos para esses animais com histórico de doença gastrointestinal? 

Vet Mariane Ruiz: Podem, sim, ser proibidos por um período na chamada “fase de exclusão”, onde deixamos a dieta mais restrita. Quando um animal apresenta problemas gastrointestinais, alguns alimentos podem inflamar o estômago e os intestinos, agravando os sintomas e sinais da doença. Mas não é uma regra para todos. Existem, hoje, alguns petiscos “hipoalergênicos”. Algumas frutas são mais desejadas do que outras. 

8- Já sabemos que a microbiota (antiga Flora Intestinal) é formada por trilhões de bactérias e que esse ambiente tem a ver não só com a saúde intestinal. Por quais outras razões a microbiota dos animais deve ser conservadora e bem cuidada (modulada)?  

Vet Lylian Sodré: É no trato gastrointestinal que se encontra uma grande parte essencial do sistema imunológico que é responsável pela proteção contra microrganismos prejudiciais e por absorção eficiente de nutrientes. A microbiota intestinal é composta por uma diversidade de microrganismos bastante ampla (trilhões), incluindo bactérias, vírus, fungos e protozoários.  Quando a microbiota está em equilíbrio, saudável (eubiose), exerce funções positivas no organismo não só nos intestinos como também nos rins, no fígado, no coração e no sistema nervoso. O tema deixou de ser um assunto simples. Disbiose quase sempre é secundária a diferentes causas, vindo de dentro ou de longe dos intestinos. Então, a microbiota deve ser mantida da forma mais saudável possível através de condutas médicas e não médicas. 

9- Quase tudo é alergia / hipersensibilidade alimentar ou isso não é verdade?

Vet Felipe Romano: Quase tudo PODE SER alergia alimentar. Mas existem muitas doenças que não vão melhorar a partir de uma nova alimentação, portanto, não podemos limitar os casos de vômitos e de diarreias apenas a partir da tentativa com dietas hipoalergênicas ou comidas caseiras de alto valor, pois, embora elas possam ajudar muitos animais, NEM TODOS serão resolvidos com isso. Lembrando que, geralmente, casos MUITOS graves (aqueles com histórico de anemia, perda de peso e evidente abatimento do animal) não são frutos de alergia ou intolerância alimentar.

10- Qual é o verdadeiro potencial do exame ultrassonográfico no diagnóstico e no acompanhamento destes animais?

Vet Raquel Romano: A ultrassonografia é uma ferramenta de imagem complementar ao diagnóstico das diversas afecções do trato gastrointestinal de cães e gatos. É um exame facilmente exequível, indolor e acessível. 

A contribuição desta técnica de exame permite ao gastroenterologista adequada triagem do paciente, instituição de protocolo terapêutico e condução clínica para o diagnóstico definitivo dos casos que requerem a realização de biópsia, endoscopia digestiva e/ou intervenções cirúrgicas. Além disso, a ultrassonografia é uma ferramenta muito utilizada para o acompanhamento dos pacientes que já estão em tratamento, auxiliando, também, na determinação de seu prognóstico. Mas o exame avalia morfologia (estruturas) e cinesia (movimento – peristaltismo) e não substitui a avaliação histológica numa suspeita de inflamação crônica que ainda precisa ser compreendida.

FAQ

Quais são os principais sintomas gastrointestinais que levam um tutor a procurar um especialista?
Vômitos, diarreia, falta de apetite, emagrecimento e alterações hepáticas, como inchaço abdominal e icterícia.

A alimentação natural é melhor que a ração comercial?
Não há consenso. Ambas têm vantagens e desvantagens, e a escolha deve ser feita com orientação veterinária para garantir equilíbrio nutricional.

A endoscopia é sempre necessária para o diagnóstico de doenças gastrointestinais?
Não sempre. Exames laboratoriais e ultrassonografia podem ajudar, mas a endoscopia é fundamental para avaliar a mucosa e coletar biópsias em casos mais graves.

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