Você sabia que a África é considerada o berço da domesticação dos gatos? Documentos históricos demonstram que a maior proximidade dos seres humanos com os felinos teve início neste continente, influenciando totalmente a relação existente hoje com esses animais.
Segundo Renata Lima, médica-veterinária e professora do curso de Medicina Veterinária da Estácio, o continente africano, mais especificamente a região chamada de Crescente Fértil – que engloba partes do Norte da África e o Oriente Médio, é considerado o berço da domesticação por dois motivos científicos principais.
O primeiro está relacionado a genética dos gatos. Estudos comprovam que o gato doméstico moderno, denominado Felis silvestris catus, é descendente direto do Gato Selvagem Africano (Felis silvestris lybica), tendo DNA quase idêntico entre ambos.
“O segundo motivo está ligado diretamente a domesticação dos gatos, que não foi algo forçado, mas sim uma “parceria”. Com o início da agricultura, há cerca de 12 mil anos, os humanos passaram a estocar grãos, o que atraiu ratos. Os felinos africanos se aproximaram das vilas para caçar esses roedores e os humanos permitiram sua permanência pelo controle de pragas”, explica.
Está no DNA
No continente africano, a espécie de felino com maior destaque é o Gato Selvagem Africano (Felis silvestris lybica), que é ancestral direto do gato doméstico.
Renata comenta que, além dele, existem outros grandes e pequenos felinos nativos da África. Exemplos são o Panthera, que corresponde ao Leão e o Leopardo, o Acinonyx, que corresponde ao Guepardo (Cheetah), e o Caracal, que corresponde ao Caracal, Serval e o Gato Dourado Africano.
“Apesar de existirem esses grandes predadores, foi o pequeno Felis silvestris lybica, com sua pelagem cor de areia e hábitos noturnos, que iniciou o convívio conosco”, cita.
Outra curiosidade interessante é que, geneticamente, há uma diferença muito pequena entre os felinos selvagens e os domésticos.
Na prática, as principais características distintas entre essas duas classes estão relacionadas, principalmente, a questões físicas e anatômicas.
“O gato selvagem possui pernas mais longas que a maioria dos gatos domésticos, responsáveis por o auxiliar na locomoção e caça em terrenos abertos, e sua pelagem funciona muito bem como uma espécie de camuflagem. A cor padrão nesses felinos é descrita como cinza ou amarelada com listras discretas, ideal para se esconder na paisagem de areia e vegetação seca da região”, explica.
Além disso, os gatos selvagens são estritamente caçadores noturnos e possuem hábitos solitários.

A variedade atual
Para a docente da Estácio, todos os gatos domésticos são, em essência, de origem africana.
De acordo com ela, o conceito de raças como conhecemos hoje é um fenômeno relativamente recente e as principais raças profundamente ligadas à África, conforme registros de associações internacionais, como a Cat Fanciers’ Association (CFA) e a The International Cat Association (TICA), são:
- Mau Egípcio: possui sua origem no Egito e é uma das raças mais emblemáticas, tendo um padrão de manchas naturais que parecem hieróglifos do Antigo Egito;
- Sokoke: é conhecido como o gato mais raro do mundo;
- Abissínio: possui uma pelagem no qual cada fio de pelo individual apresenta faixas alternadas de tons claros e escuros, resultando em uma aparência mesclada característica da raça;
- Savannah: embora desenvolvida nos Estados Unidos, não existiria sem a genética africana, pois foi baseada no Serval Africano;
- Chausie: é semelhante ao Savannah, porém tem um ancestral africano diferente.
Por mais que no Brasil não sejam vistos muitos animais dessas raças, tecnicamente, todo gato doméstico brasileiro é considerado descendente direto do Gato Selvagem Africano.
“Nossos gatos carregam essa herança biológica africana. Contudo, sabemos que as raças foram modificadas através da seleção artificial na Europa e na América do Norte. Portanto, embora a origem seja africana, a variedade de raças é uma invenção humana recente e em nosso país apenas encontramos felinos Abissínio e Savannah”, cita.

Características marcantes
Os felinos domésticos africanos ainda mantém algumas características dos seus descendentes.
Uma delas é a chamada dobra cutânea primordial, um aspecto anatômico que confere ao animal agilidade extrema e o permite alcançar velocidades superiores a 48 km/h.
“Eles também possuem instintos aguçados e padrões de camuflagem naturais, como o aspecto de “casca de árvore” do Sokoke, que refletem uma adaptação evolutiva muito mais próxima da vida selvagem do que raças desenvolvidas artificialmente”, relata Lima.
No quesito comportamento, apresentam personalidade solitária e, diferente dos cães, não caçam em matilha, mas sim de forma independente e, principalmente, à noite.
Para finalizar, segundo a veterinária, o físico atlético desses animais também chama atenção, pois vem do seu ancestral, que possui pernas mais longas para percorrer grandes distâncias na areia.
FAQ sobre as raças de gatos da África
Por que a África é chamada de berço da domesticação dos gatos?
Um dos principais motivos para isso é que a domesticação no continente ocorreu de forma natural há cerca de 12 mil anos. Nessa época, os humanos passaram a estocar grãos, que atraíram os ratos, fazendo com que os gatos africanos se aproximassem para caçar os roedores.
Quais as raças de gatos africanos mais comuns?
Dentre as principais raças de gatos domésticos com origem no continente africano estão: Mau Egípcio, Sokoke, Abissínio, Savannah e Chausie.
No Brasil existem raças de gatos africanos?
A únicas raças de gatos africanos encontradas no Brasil são o Abissínio e Savannah. Porém, elas não são comuns no país.
