Com a chegada das temperaturas mais baixas, muitos responsáveis acreditam que a pelagem é suficiente para proteger cães e gatos do frio. No entanto, essa é uma das crenças mais comuns — e também uma das mais equivocadas.
“A pelagem oferece certa proteção térmica, mas nem sempre é suficiente, especialmente para filhotes, idosos, animais debilitados ou de raças mais sensíveis”, afirma a médica-veterinária Dra. Aline Ambrogi, docente do curso de Medicina Veterinária e supervisora da Clínica de Pequenos Animais do Hospital Veterinário da UniFAJ.
Além da falsa sensação de que os pelos resolvem o problema, outro mito frequente é acreditar que os pets não sentem frio como os humanos.
Segundo a veterinária, eles também sofrem com as baixas temperaturas e podem apresentar mudanças naturais de comportamento, como dormir mais, buscar locais aquecidos e reduzir o nível de atividade física.
Entender essas alterações ajuda os responsáveis a oferecer mais conforto e qualidade de vida aos animais durante o inverno.
Nem toda pelagem protege contra o frio
Embora a pelagem funcione como uma barreira natural contra as baixas temperaturas, ela não é capaz de proteger todos os animais da mesma forma.
Filhotes, idosos, pets debilitados e algumas raças costumam ser mais vulneráveis ao frio e podem precisar de cuidados extras.
Outro ponto importante é que essa atenção não deve se limitar apenas aos cães e gatos.
“Eles também sofrem com as baixas temperaturas e podem apresentar desconforto e alterações comportamentais”, explica a Dra. Aline, destacando que aves, répteis e pequenos roedores também precisam de proteção durante os dias mais frios.
A tolerância ao frio varia bastante entre os animais e raças de pelo curto, pequeno porte e aquelas com pouca gordura corporal costumam ser mais sensíveis.
Entre os cães, a médica-veterinária cita Pinscher, Chihuahua, Whippet e Galgo como exemplos que frequentemente necessitam de proteção adicional no inverno.

Por que os pets dormem mais no inverno?
Quem convive com cães e gatos costuma perceber que eles ficam mais tranquilos durante os dias frios. Na maioria das vezes, essa mudança faz parte de uma adaptação natural do organismo.
“Durante os períodos mais frios, muitos animais tendem a reduzir a atividade física e aumentar o tempo de descanso. Isso ocorre porque o organismo busca economizar energia e manter a temperatura corporal”, informa a Aline.
Segundo a docente, desde que o animal continue se alimentando normalmente e não apresente outros sinais clínicos, dormir mais durante o inverno costuma ser um comportamento esperado.
Cães e gatos sentem o frio da mesma forma?
Embora ambas as espécies sejam afetadas pelas baixas temperaturas, elas costumam reagir de maneiras diferentes.
Os gatos, por exemplo, geralmente são mais sensíveis ao frio e procuram locais quentes e abrigados para descansar. Já os cães apresentam respostas variadas, influenciadas pela raça, idade, porte e tipo de pelagem.
Essa diferença ajuda a explicar um comportamento bastante comum durante o inverno: a busca constante por locais aquecidos.
“Procurar áreas ensolaradas, permanecer enrolado ou se acomodar em locais mais fechados são comportamentos naturais que ajudam a conservar calor corporal. Essas estratégias permitem que o animal mantenha uma temperatura confortável com menor gasto energético”, sustenta a profissional.
Inclusive, uma curiosidade que costuma chamar a atenção dos responsáveis é que muitos pets passam a escolher lugares inusitados para descansar.
“Muitos gatos e cães procuram locais como dentro de armários, sob cobertores, próximos a eletrodomésticos ou onde recebem luz solar direta. Esse comportamento é uma adaptação natural para buscar conforto térmico”, complementa.
Cobertores ajudam, mas não substituem outros cuidados
Cobertores, camas confortáveis e outros recursos de aquecimento podem contribuir para o bem-estar dos animais, principalmente daqueles mais vulneráveis.
“Cobertores podem ser muito importantes para filhotes, idosos, animais de pequeno porte, pacientes em recuperação ou aqueles com doenças crônicas. O principal cuidado é garantir um ambiente seguro e protegido do frio. Recursos de aquecimento devem ser utilizados com segurança para evitar acidentes ou queimaduras”, confirma a veterinária.
Mesmo durante o inverno, manter os pets ativos continua sendo importante. Brinquedos interativos, enriquecimento ambiental e momentos de interação ajudam a estimular cães e gatos dentro de casa. Para os cães, os passeios devem ser mantidos sempre que possível, preferencialmente nos horários mais quentes do dia.

Hidratação também merece atenção no inverno
Quando as temperaturas diminuem, muitos responsáveis concentram os cuidados apenas na proteção contra o frio.
No entanto, outro ponto importante é incentivar a ingestão de água, já que os animais costumam beber menos nessa época do ano.
Aline também recomenda evitar que os pets permaneçam em locais úmidos ou expostos ao vento.
Além disso, animais idosos ou com doenças articulares merecem atenção redobrada, pois o inverno pode intensificar dores e limitações de movimento.
De acordo com a médica-veterinária, manter um ambiente confortável, estimular a hidratação e realizar acompanhamento veterinário quando necessário são medidas que ajudam a preservar a saúde e a qualidade de vida dos animais durante toda a estação.
