O diabetes mellitus é uma condição comum na clínica médica de felinos e tem correlação direta com a obesidade, visto que o excesso de peso pode desencadear um quadro de resistência insulínica.
Frente a esses casos, o manejo nutricional tem papel central, seja para o processo de perda de peso ou para manter a doença estabilizada. Todavia, representa desafios importantes para veterinários e responsáveis.
A médica-veterinária com aperfeiçoamento nível III em Clínica Médica de Pequenos Animais com ênfase em Endocrinologia e Metabologia pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP) e mestre em Ciência Animal, Gabriela Pinheiro Tirado Moreno, afirma que um dos principais problemas relacionados ao protocolo alimentar de felinos com diabetes mellitus é a dificuldade em seguir o protocolo dietético, pois muitos animais são habituados a ter o alimento disponível o tempo todo.
“Além disso, muitas casas possuem gatos que apresentam necessidades nutricionais diferentes. Por exemplo, podemos ter no mesmo ambiente um animal que faz uso de alimento coadjuvante para doenças renais, um felino que necessita de ração para obesidade e outro em uso da hipoalergênica”, relata.
Cuidado fundamental

Uma rotina adequada de alimentação é crucial para os gatos diabéticos. Gabriela destaca que, caso o paciente esteja acima do peso ideal, é fundamental que entre em um protocolo de emagrecimento com o uso de alimento específico para obesos.
Dessa forma, pode-se reduzir a resistência insulínica e aumentar a chance de atingir a remissão.
Já se o animal tiver um escore corporal ideal, é importante oferecer um alimento coadjuvante para diabetes, a depender das comorbidades, para minimizar a variabilidade glicêmica e preservar a massa muscular, o que nem sempre é possível devido às doenças associadas.
Com isso, entre os objetivos nutricionais buscados para um felino diabético, temos: manter o gato com um escore ideal e atingir a remissão diabética.
Considerando a escala de nove pontos, manter o Escore de Condição Corporal (ECC) em 5/9 seria ideal para a maioria dos gatos adultos, enquanto alguns idosos podem se enquadrar melhor no ECC 6/9, além de preservar a massa muscular e evitar hiperglicemia pós-prandial ou hipoglicemias”, destaca a veterinária.
Portanto, de forma simplificada, a nutrição atua de maneira coadjuvante para evitar glicemias muito altas no período pós prandial através de carboidratos em baixa quantidade, favorecer a manutenção de massa magra com altos teores proteicos e contribuir no controle da saciedade com as fibras.
Composição da dieta
Após o diagnóstico do diabetes mellitus não existe um momento ideal para a troca da dieta do paciente e isso varia conforme cada caso clínico.
Segundo Gabriela, geralmente, se inicia o tratamento com insulina ou com os inibidores SGLT2 e aguarda-se a mínima estabilização do quadro para, então, instituir uma nova dieta.
Já para definir qual alimento escolher é preciso entender que a dieta adequada para animais com a doença deve apresentar restrição de carboidratos para evitar glicemias muito altas após o período de alimentação.
“Essas dietas devem, ainda, ter elevado teor de proteínas de alta digestibilidade para favorecer a manutenção de massa magra e teor moderado a alto de fibras para contribuir no controle da glicemia” , explica.
Além disso, mais do que conferir controle da glicemia, as fibras proporcionam aumento de saciedade, pois retardam o esvaziamento gástrico e reduzem a velocidade de absorção dos carboidratos.
“Para os animais diabéticos e obesos em que a restrição calórica é indicada, o incremento nas quantidades de fibras é uma ótima estratégia para aumentar a saciedade”, destaca.
Outro aspecto que pode ser interessante na composição nutricional do alimento é a presença de arginina, um aminoácido essencial para gatos que estimula a secreção de insulina.

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