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Transporte de pets no carro: cuidados que garantem a segurança durante o trajeto

Uso de equipamentos adequados, adaptação ao veículo e planejamento ajudam a reduzir riscos de acidentes e estresse para cães e gatos

Transporte de pets no carro: cuidados que garantem a segurança durante o trajeto
Por Stéfani Campos Chagas
18 de setembro de 2026

Viajar de carro com cães e gatos exige mais do que acomodar o animal no veículo.

A forma como o pet é transportado interfere diretamente na segurança dele e dos ocupantes, já que, em uma frenagem brusca ou colisão, um animal solto pode ser projetado contra bancos, painel, para-brisa ou até mesmo contra uma pessoa.

Além do risco de traumas, o pet sem contenção pode circular entre os bancos, aproximar-se do motorista e interferir na condução. Também há possibilidade de fuga quando portas ou janelas são abertas, especialmente durante paradas em locais desconhecidos.

Segundo Vanessa Genari, médica-veterinária que atua no setor de clínica geral do Hospital Veterinário Taquaral, a segurança deve ser planejada de acordo com a espécie, o porte, o peso e o comportamento do animal.

Como transportar cães e gatos com segurança?

A recomendação é utilizar equipamentos de contenção específicos ou caixas de transporte que mantenham o cão ou gato seguro durante todo o trajeto.

Para cães, podem ser utilizados sistemas de retenção próprios para veículos, compatíveis com o peso e o porte do animal e associados a um peitoral adequado. Já os gatos tendem a ser transportados com mais segurança em caixas de transporte, que podem ser fixadas ao cinto de segurança.

Em ambos os casos, o equipamento deve limitar os movimentos do pet sem impedir que ele permaneça em uma posição natural.

A caixa precisa ser resistente, bem ventilada, ter fechamento seguro e tamanho suficiente para permitir pequenos movimentos. Também deve ser posicionada de maneira que não deslize ou tombe durante o deslocamento.

No caso dos cintos, Vanessa alerta que o dispositivo não deve ser preso diretamente à coleira, principalmente nos cães, devido ao risco de uma tração brusca sobre o pescoço durante uma frenagem.

“Não basta apenas ‘prender’ o animal, o sistema precisa efetivamente funcionar como um mecanismo de retenção”, pontua.

Outro cuidado é verificar se o equipamento foi desenvolvido para transporte veicular e se é compatível com o tamanho e o peso do pet.

caixas de contenção
Gatos e animais de pequeno porte devem ser transportados em caixas de contenção presas ao cinto de segurança para evitar fugas e traumas (Foto: Reprodução)

Cabeça para fora da janela também oferece riscos

Permitir que o cão ou gato coloque a cabeça para fora da janela pode parecer uma cena comum durante os passeios, mas a prática oferece riscos. Em uma eventual colisão, frenagem ou movimento inesperado, o animal pode sofrer uma queda ou ser projetado para fora do veículo.

A exposição ao vento também pode provocar lesões oculares e auriculares, além de permitir o contato das vias respiratórias com poeira e outras partículas.

Outros comportamentos que devem ser evitados são transportar o pet no colo, no banco dianteiro ou solto no banco traseiro. Mesmo em trajetos curtos, essas situações não garantem proteção adequada em caso de acidente.

“Um dos erros mais comuns entre os responsáveis é pensar que, por ser um trajeto curto, não há necessidade de contenção”, explica a médica-veterinária.

Também é importante evitar equipamentos improvisados e conferir, antes da partida, se a caixa ou o sistema de retenção está corretamente instalado.

Adaptação ajuda a reduzir medo e enjoo

Vanessa Genari
Vanessa Genari, médica-veterinária do setor de clínica geral do Hospital Veterinário Taquaral (Foto: Divulgação)

A segurança não é o único aspecto a ser considerado. Animais que não estão acostumados ao carro podem apresentar medo, estresse, salivação excessiva, náusea, vômitos e alterações comportamentais.

Por isso, a adaptação deve começar antes da viagem. O responsável pode realizar trajetos curtos inicialmente e aumentar o tempo de permanência no veículo de maneira gradual, permitindo que o pet se familiarize tanto com o carro quanto com o equipamento de contenção.

Para viagens mais longas, é importante programar paradas em locais seguros para oferecer água, permitir que o animal faça suas necessidades e se movimente um pouco, sempre com a contenção adequada.

Também vale evitar refeições volumosas imediatamente antes do deslocamento em animais com tendência a enjoo. Levar água, alimento, medicamentos de uso contínuo e objetos familiares pode ajudar a tornar a experiência mais confortável.

Caso o pet apresente muito medo ou enjoo, a recomendação é buscar orientação veterinária antes da viagem. A profissional reforça que medicamentos não devem ser administrados por conta própria.

Planejamento deve incluir saúde e temperatura

Animais idosos, filhotes ou que possuem doenças crônicas podem precisar de cuidados adicionais.

Uma avaliação prévia com o médico-veterinário ajuda a identificar necessidades específicas, enquanto os medicamentos de uso contínuo devem ser levados em quantidade suficiente para todo o período da viagem.

Outro ponto indispensável é a temperatura. O animal nunca deve ser deixado sozinho dentro do carro, principalmente em dias quentes, pois a temperatura interna pode subir rapidamente e provocar uma emergência grave.

Para Vanessa, antecipar a preparação é uma das principais formas de tornar o deslocamento mais tranquilo.

“Não espere a viagem para descobrir como o animal reage ao carro. A adaptação antecipada reduz o estresse e torna o deslocamento mais seguro e tranquilo para todos”, orienta.

Assim, antes de colocar o veículo na estrada, o responsável deve verificar o equipamento de contenção, planejar as paradas, separar água e itens necessários e considerar as condições de saúde do pet. Dessa forma, a viagem pode ser mais segura tanto para o animal quanto para as pessoas que estão no veículo.