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Irradiação na alimentação pet: tecnologia segura pode reduzir riscos microbiológicos

Controle de patógenos segue como principal desafio da indústria, e método já aprovado globalmente desponta como alternativa eficaz

Irradiação na alimentação pet: tecnologia segura pode reduzir riscos microbiológicos
Por Equipe Cães&Gatos
22 de abril de 2026

A segurança dos alimentos para pets envolve uma cadeia produtiva complexa — e o controle microbiano permanece como um dos principais pontos de atenção. 

Nesse cenário, a irradiação surge como uma tecnologia consolidada globalmente, mas ainda pouco explorada na indústria pet, especialmente por questões de percepção do consumidor.

Segurança alimentar evoluiu, mas desafios persistem

A implementação da Food Safety Modernization Act (FSMA), em 2015, trouxe avanços importantes ao estabelecer padrões mais uniformes, ampliar a fiscalização e acelerar respostas a incidentes.

Antes disso, entre 2007 e 2015, a média anual de recalls de alimentos para cães e gatos era de 14 casos. 

Já entre 2016 e 2025, esse número ficou em 13 por ano, com causas semelhantes, como Salmonella, Listeria, micotoxinas e desequilíbrios nutricionais.

Quando analisados em escala, esses números representam uma taxa extremamente baixa de falhas diante do volume produzido. 

A cadeia envolve milhões de toneladas anuais e milhões de lotes processados, com múltiplos ingredientes, o que reforça a complexidade do controle de qualidade.

Contaminação por Salmonella e Listeria lidera recalls

Apesar dos avanços, a contaminação microbiológica segue como principal causa de recalls, representando mais da metade dos casos.

Produtos submetidos ao calor exigem etapas eficazes de eliminação de patógenos. Já alimentos não submetidos ao calor, como dietas cruas, demandam outras estratégias, incluindo:

  • Processamento por alta pressão (HPP);
  • Uso de culturas benéficas;
  • Acidificação;
  • Controle rigoroso na manipulação e transporte.

Esse cenário evidencia a necessidade de soluções adicionais que ampliem a segurança sanitária.

Irradiação se destaca como alternativa segura

A irradiação de alimentos é utilizada em mais de 60 países e aplicada em diferentes categorias, como carnes, frutas, vegetais e especiarias. No entanto, sua adoção na alimentação pet ainda é limitada.

O processo utiliza radiação ionizante para reduzir ou eliminar microrganismos, sem tornar o alimento radioativo. Entre os principais benefícios estão:

  • Redução de patógenos;
  • Aumento da vida útil;
  • Controle de deterioração;
  • Preservação do valor nutricional.

Estudos indicam que não há alterações relevantes em aminoácidos, ácidos graxos ou vitaminas. 

Além disso, pesquisas com diferentes espécies não demonstraram efeitos adversos à saúde.

A tecnologia é reconhecida por entidades como a World Health Organization, o Centers for Disease Control and Prevention, o United States Department of Agriculture e a Food and Drug Administration.

Tipos e níveis de aplicação da tecnologia

A irradiação pode ser aplicada de três formas principais:

  • Radiação gama (mais comum), geralmente com Cobalto-60;
  • Raios X;
  • Feixes de elétrons.

A intensidade é medida em Gray (Gy), variando conforme o objetivo:

  • Baixa dose (até 1 kGy): controle de insetos e maturação;
  • Dose média (1 a 10 kGy): redução de microrganismos e aumento da vida útil;
  • Alta dose (acima de 10 kGy): esterilização.

As instalações seguem protocolos rigorosos de segurança, protegendo trabalhadores e o ambiente.

Barreiras de mercado ainda limitam adoção

Apesar dos benefícios, a irradiação enfrenta resistência no mercado. O símbolo Radura nas embalagens pode gerar percepção negativa, associada, de forma equivocada, à radioatividade.

Outro desafio é regulatório: produtos irradiados não podem ser classificados como “naturais”, o que impacta diretamente o posicionamento de marcas. 

Esse ponto levanta discussões sobre possíveis revisões nas definições estabelecidas pela Association of American Feed Control Officials.

Caminhos para o futuro da segurança alimentar pet

Com a contaminação por Salmonella entre as principais causas de recalls, a ampliação do uso da irradiação pode contribuir significativamente para a redução de riscos.

A tecnologia já é amplamente validada e apresenta potencial para reforçar a segurança dos alimentos sem comprometer a qualidade nutricional. 

No entanto, sua adoção depende de maior transparência, educação do consumidor e alinhamento regulatório.

Fonte: Petfood Industry, adaptado por Cães & Gatos

FAQ sobre irradiação na alimentação pet

A irradiação torna o alimento radioativo?

Não. O processo utiliza radiação ionizante, mas não deixa resíduos nem torna o alimento radioativo.

A irradiação altera os nutrientes do alimento?

Não há alterações significativas em proteínas, gorduras ou vitaminas, segundo estudos científicos.

Por que a irradiação ainda não é amplamente utilizada em alimentos pet?

Principalmente por questões de percepção do consumidor e limitações relacionadas ao posicionamento de produtos como “naturais”.

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