Nem todo mundo sonha em ter um cão ou um gato como companheiro. Para alguns, a escolha é por animais diferentes, como cobras, lagartos e outros répteis – os chamados pets não convencionais – que vêm conquistando cada vez mais admiradores.
No entanto, os cuidados com esses pets não se diferenciam e, por isso, o check-up regular com o médico-veterinário é essencial para garantir saúde e qualidade de vida.
O médico-veterinário e proprietário da Clínica Veterinária Iguatemi (Sorocaba-SP), André Luiz Mota da Costa, informa que os répteis não demonstram sintomas sutis como cães, gatos e outros mamíferos.
“São animais que aparentam ser rústicos pelo aspecto pré-histórico, mas são bastante sensíveis a alterações ambientais, como variações de temperatura e umidade, que podem deixá-los predispostos a doenças. Nos check-ups, conseguimos detectar algumas doenças, antes que estas manifestem sintomas ou que estejam em estágio mais avançado”, relata.
De acordo com o profissional, os problemas mais comuns que começam com sinais sutis e que podem passar despercebidos são os distúrbios nutricionais, as infecções respiratórias, problemas metabólicos, as distocias e as parasitoses.
Os tutores devem procurar atendimento veterinário se notar algumas das alterações citadas pelo profissional: “Mudança de hábitos ou de local onde o animal fica, posição diferente para repouso ou modo diferente de se locomover, relutância em comer, mudança no aspecto ou frequência das fezes, regurgitação, falhas na troca de pele ou alterações na frequência desta muda, mudanças na cor da pele”.
O que é avaliado durante o atendimento?
Por conta das características, o veterinário recomenda avaliações semestrais nesses animais para exame clínico completo e exames complementares.
“Durante o atendimento, os animais passam por avaliação clínica completa, incluindo pesagem e biometria, avaliação da pele e anexos, de orifícios externos, da função cardiorrespiratória e palpação abdominal”, descreve.
E, será que existem exames laboratoriais específicos que devem ser feitos em répteis de tempos em tempos? André comenta que depende muito de cada espécie e de cada paciente examinado, conforme a queixa do responsável ou da avaliação clínica do veterinário.
“Para alguns pacientes são necessários exames sanguíneos para contagens celulares e avaliações bioquímicas e exames de imagem, como radiografia, ultrassom, videoscopia e tomografia”, sublinha.
O profissional que realiza o atendimento a esses animais deve estar sempre atento, pois, segundo André, algumas espécies são mais propensas a determinadas doenças.
“Por exemplo: as serpentes não costumam desenvolver deficiência de cálcio, já os lagartos e quelônios sim. Para esses últimos a dosagem de cálcio sanguíneo é crucial”, menciona.

Ambiente adequado
Segundo André, o ambiente onde o réptil vive impacta diretamente na sua saúde.
“O terrário ou aquaterrário nos traz muitas informações sobre o paciente e sua saúde. Os aspectos importantes neste ambiente, a variar conforme a espécie, são: o tamanho, troncos ou pedras, a temperatura média e pontos de aquecimento, umidade, área de refúgio ou toca, acesso à água, substrato utilizado, possíveis áreas propensas a gerar traumas ao animal”, destaca.
Assim, ao receber o animal e o responsável na clínica, o médico-veterinário deve passar orientações de manejo e comportamentos destes pets.
“Fazendo o manejo básico de forma adequada, as chances de surgirem doenças reduzem muito”, garante André.
O veterinário encerra compartilhando que, a cada ano, recebe clientes cada vez mais informados e conscientes da importância das avaliações rotineiras e dos exames necessários nestes animais.
FAQ sobre os cuidados com répteis
Répteis precisam de check-up veterinário como cães e gatos?
Sim. Apesar de não demonstrarem sintomas sutis, os répteis também ficam doentes e o check-up regular ajuda a identificar problemas antes que avancem, garantindo bem-estar e qualidade de vida.
Quais sinais indicam que o réptil pode estar com algum problema de saúde?
Mudanças no comportamento, na forma de locomoção ou descanso, alterações no apetite, fezes diferentes, falhas na muda de pele ou mudança de cor podem ser sinais de alerta.
O ambiente influencia na saúde dos répteis?
Sim. Temperatura, umidade, tipo de substrato, iluminação e espaço adequado são fundamentais para a saúde desses animais. Um manejo incorreto pode causar estresse, doenças e até morte.
LEIA TAMBÉM:
Animais exóticos e silvestres: o fascínio perigoso do inusitado
Veterinária explica como prevenir quadros de estresse em pets não convencionais
Interesse por pets não convencionais supera busca por cachorros no Brasil








