Engana-se quem pensa que apenas cães e gatos podem demonstrar sinais de estresse. Os pets não convencionais, se não manejados e cuidados de forma adequada, que atenda às suas peculiaridades e necessidades, também podem sofrer com esse problema.
A médica-veterinária mestre em Animais Silvestres, Exóticos e Peixes, que atua na Clínica Reino Silvestre e na Clínica Paraíso Silvestre, Erika Midori Kida Hayashi, comenta que os papagaios e calopsitas, por exemplo, podem se automutilar e, em casos graves, gerar feridas na pele e imunossuprimir, gerando doenças secundárias.
Já os coelhos e porquinhos-da-índia, segundo ela, podem se morder e, se estiverem em grupo, ter problemas de briga e até reduzir apetite. Em casos mais graves, podem adoecer.
“Os peixes, por sua vez, podem atacar os parceiros e alguns deles podem bater nos vidros do aquário, gerando grandes lesões. Acontece, principalmente, com o peixe pangasius”, informa.
Sinais de estresse
Assim, os tutores devem estar atentos ao comportamento dos pets. Erika reitera que os principais sinais de alerta são: automutilação, alterações comportamentais, como isolamento, agressividade com outros indivíduos de sua espécie ou com o tutor, movimentos repetitivos pelo recinto, pelos ou penas com lesões por mutilação, apatia e, em casos mais graves, doenças por imunossupressão.
Com relação as aves, a veterinária informa que a automutilação pode estar relacionada a doenças e à dor, por isso, é necessário o diagnóstico diferencial para estabelecer se a causa é estresse ou não.
“Há casos de reversão total, em outros não é possível e alguns pacientes necessitam de acompanhamento pela vida toda para não haver agravamento do quadro. O fundamental é descobrir e arrumar a causa inicial do estresse”, salienta.

Atenção ao ambiente!
De acordo com Erika, o ambiente onde esses animais vivem também pode influenciar em seu comportamento e gerar estresse.
“Cada espécie animal possui uma fisiologia e necessidade e o ideal é verificar essas peculiaridades a fim de reduzir o estresse, bem como se atentar à temperatura e à umidade, elementos extremamente importantes para anfíbios, peixes e répteis”, adiciona.
No caso dos peixes, ela ainda aponta que até o pH e a temperatura da água são itens importantes, que merecem atenção para não haver estresse, doença e óbito.
“Já as aves e os mamíferos necessitam de muitas horas de sono para não haver estresse. Assim, casinha e ponto de fuga/abrigo é importante para animais como coelhos, porquinhos-da-índia e roedores menores. Isso gera segurança para eles, ainda mais que, naturalmente, eles são presas de outros animais maiores”, lembra.
A veterinária ainda lista que, para aves e hamster, os brinquedos são essenciais para evitar o tédio.
“Coelhos, porquinhos-da-índia e chinchila necessitam de brinquedos de madeira que sirvam para eles roerem e conseguirem desgastar os dentes, uma vez que os dentes deles possuem crescimento contínuo e, por fisiologia da espécie, necessitam roer para evitar hipercrescimento dentário. No geral, para todas as espécies animais, pode ser realizado enriquecimento alimentar, que estimule a caça”, ensina.
Interação
Falar com os animais, mantendo uma interação social ativa, também é uma forma de evitar que eles sofram por estresse, segundo Erika.
“Aves gostam bastante de interação social, se forem mansas e sozinhas. Papagaios amam conversas com o tutor e brinquedos e precisam de 12 horas de sono por dia. Os roedores e coelhos amam carinho e não gostam de ruídos intensos no ambiente. Já os peixes necessitam de toca, enriquecimento ambiental e local sem ruído”, discorre.
A médica-veterinária destaca ainda que, antes de adotar um pet não convencional, o tutor deve conversar com um médico-veterinário de animais silvestres e exóticos para receber todas orientações preventivas e de cuidado de manejos para cada espécie.
“O profissional ensina a reconhecer comportamentos normais e os que são anormais e explica sobre as doenças mais comuns e os principais cuidados com cada espécie animal”, conclui.
FAQ sobre estresse em pets não convencionais
Pets como aves, coelhos e peixes também podem sofrer de estresse?
Sim. Animais não convencionais também podem apresentar sinais de estresse, como automutilação, agressividade, apatia, perda de apetite e doenças por imunossupressão.
O que pode causar estresse em pets não convencionais?
Ambientes inadequados, falta de sono, ausência de brinquedos, temperatura e umidade incorretas, além da falta de interação social, são fatores que podem causar estresse nesses animais.
Como prevenir o estresse em pets exóticos?
É essencial garantir ambiente adequado, enriquecimento ambiental e alimentar, interação com o tutor e acompanhamento de um veterinário especializado para orientar os cuidados de cada espécie.
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