Conhecido como guia de triagem para o manejo inicial do paciente em situação emergencial, o protocolo ABCD do trauma na Medicina Veterinária serve para que o atendimento de urgência e emergência seja feito da forma mais organizada e rápida possível, priorizando a correção imediata das alterações que colocam em risco a vida do animal.
Baseado nos princípios do atendimento ao trauma humano, o ABCD deve ser utilizado em serviços como atropelamentos, quedas, afogamentos, fraturas expostas, hemorragias, mordeduras, dispneias, intoxicações e convulsões.
Entrevistada para a revista Cães&Gatos, Amanda Xavier da Silva, médica-veterinária especialista em emergência e terapia intensiva do Hospital Veterinário Taquaral, explica que o objetivo deste protocolo é ganhar tempo e estabilizar o paciente.
“Ele também serve para reduzir o risco de falhas críticas nos primeiros minutos de atendimento, além de padronizar o atendimento de toda a equipe e aumentar as chances de sobrevida do animal”, conta.
O guia é dividido em quatro etapas sequenciais, que devem ser seguidas:
- A (airway – vias aéreas): etapa no qual é avaliada a permeabilidade das vias aéreas;
- B (breathing – respiração): momento em que o profissional deve olhar a ventilação e a oxigenação do paciente;
- C (circulation – circulação): no qual é necessário observar a perfusão e o estado hemodinâmico do atendido;
- D (disability – estado neurológico): em que é realizada uma avaliação neurológica rápida.

A profissional ainda recomenda que o médico-veterinário evite erros críticos nos primeiros minutos, seguindo a sequência do ABCD do trauma. Ou seja: não inverter prioridades ou esperar exames para agir; não realizar as análises antes da estabilização do paciente seguindo o protocolo; reavaliar constantemente; manter a abordagem simples e objetiva; sempre trabalhar em equipe, quando possível, com funções bem definidas; deixar a sala de emergência organizada e com todos os equipamentos necessários.
Primeiras etapas do guia
No atendimento ao paciente traumatizado, a avaliação das vias aéreas é sempre o primeiro passo e, muitas vezes, é o que define o desfecho. Por isso, garantir uma via aérea patente e segura vem antes de qualquer outro procedimento, visto que é o que mantém o animal vivo tempo suficiente para que o restante da avaliação aconteça.
Amanda explica que o atendimento emergencial deve começar de forma simples, observando se o cachorro ou gato está consciente, vocalizando, respirando sem esforço e se há ruídos como estridor ou engasgos.
Em seguida, é importante inspecionar a cavidade oral em busca de sangue, vômito, secreções, corpos estranhos ou fraturas, principalmente de mandíbula.
“Ao mesmo tempo, deve-se considerar a possibilidade de lesão cervical, especialmente em atropelamentos e quedas. Portanto, a manipulação da cabeça deve ser cuidadosa, mantendo o alinhamento da coluna. Se houver qualquer sinal de comprometimento, como obstrução, esforço respiratório, cianose ou rebaixamento de consciência, a intervenção precisa ser imediata”, pontua a especialista.
A segunda etapa do guia tem como objetivo avaliar se a ventilação está efetiva o suficiente para manter a oxigenação adequada. Os principais sinais de comprometimento respiratório são clínicos e, muitas vezes, evidentes, sendo eles: taquipneia, bradipneia, esforço respiratório, respiração abdominal ou paradoxal, dispneia, cianose, ruídos respiratórios e ausculta pulmonar alterada.
Se o paciente estiver com a oxigenação comprometida, a primeira medida será a oxigenioterapia, que pode ser feita com máscara, fluxo contínuo, gaiola de oxigênio ou até via sonda nasal, dependendo do nível de estresse do animal.

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