O aumento da quantidade de pelos no ambiente é uma queixa frequente no consultório veterinário. Em muitos casos, porém, não se trata de uma perda anormal, mas de um processo fisiológico de renovação da pelagem.
A intensidade e a duração dessa troca podem variar de acordo com fatores como fotoperíodo, temperatura, genética e características do manto.
Embora os pelos espalhados pela casa sejam a manifestação mais perceptível para o responsável, esse processo não se resume à eliminação dos fios antigos: paralelamente, os folículos pilosos trabalham na produção daqueles que irão substituí-los.
“A formação dos novos fios envolve síntese proteica e diferentes vias metabólicas. É a partir desse mecanismo que podemos compreender como a nutrição e a suplementação podem contribuir durante os períodos de renovação da pelagem”, explica Lucas Piza, médico-veterinário e gerente de produtos da Avert Biolab Saúde Animal.
A relação começa pela própria composição do pelo. A haste pilosa é formada predominantemente por queratina, proteína rica em aminoácidos sulfurados. Entre eles, a cisteína participa da formação das pontes dissulfeto, ligações que contribuem para a estabilidade e a resistência da fibra.
A cistina, originada pela união de duas moléculas de cisteína, também está relacionada à estrutura da queratina e pode integrar estratégias de suplementação voltadas à pelagem.
A produção de um novo fio, no entanto, não depende apenas da disponibilidade de aminoácidos. O processo ocorre a partir da atividade das células do folículo piloso e exige energia, síntese de proteínas e o funcionamento adequado de diferentes vias metabólicas.

Nesse contexto, as vitaminas do complexo B exercem funções complementares. O ácido pantotênico integra a coenzima A, envolvida em diversas reações do metabolismo celular, enquanto a tiamina participa de processos relacionados à produção de energia.
Derivados de leveduras podem contribuir, ainda, para o aporte de aminoácidos e vitaminas desse complexo.
A atuação conjunta desses nutrientes ajuda a compreender por que a suplementação pode ser considerada durante períodos de maior renovação. Sua função não é interromper a queda fisiológica dos fios, mas oferecer suporte nutricional ao organismo enquanto a nova pelagem é formada.
“Na prática, a suplementação não tem como objetivo interromper a troca fisiológica, mas fornecer nutrientes que participam da síntese e do metabolismo necessários à formação dos novos fios. A escolha da estratégia deve ser individualizada, considerando as características da pelagem, a intensidade da renovação e as necessidades de cada paciente”, conclui Lucas.

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