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Miou, testou: testes FIV e FeLV são importantes para identificar animais infectados

Testes diagnósticos para FIV e FeLV são indispensáveis para identificar animais infectados, orientar decisões clínicas e definir protocolos vacinais

Miou, testou: testes FIV e FeLV são importantes para identificar animais infectados
Por Danielle Assis
19 de fevereiro de 2026

O Vírus da Leucemia Felina (FeLV) e o Vírus da Imunodeficiência Felina (FIV) ainda possuem elevada incidência e, por configurarem doenças sem cura, requerem atenção de médicos-veterinários e responsáveis. 

Mesmo ambos atingindo especificamente os gatos, têm uma prevalência diferente na prática clínica. 

Para o médico-veterinário pós-graduado em Clínica Médica de Pequenos Animais e Medicina Felina e mestre em Ciências pelo departamento de cirurgia da Universidade de São Paulo (USP), Rodrigo Prazeres, a FeLV ainda apresenta uma incidência significativamente alta, especialmente em gatos jovens, não castrados, com acesso à rua ou provenientes de ambientes com elevada densidade populacional, como abrigos. 

Por outro lado, a FIV é mais frequentemente diagnosticada em animais adultos, sobretudo machos inteiros com histórico de brigas. 

“Apesar de uma percepção de redução em alguns centros urbanos, ambas as enfermidades continuam sendo doenças relevantes e corriqueiramente subdiagnosticadas devido à baixa taxa de testagem de rotina”, comenta.

Para o profissional, esse persistente elevado número de casos está relacionado, principalmente, à ausência de testagem sistemática, à introdução de gatos sem histórico sanitário em residências ou colônias, ao acesso à rua, à falta de castração e a não imunização, citando especificamente a FeLV. 

O desconhecimento dos responsáveis pelos felinos sobre as formas de transmissão também pode ser apontado como um dos motivos. 

Ferramenta fundamental 

Rodrigo esclarece que a testagem dos gatos para as doenças permite identificar animais infectados precocemente, orientar decisões clínicas, definir protocolos vacinais, reduzir a disseminação dos vírus e oferecer melhor prognóstico e qualidade de vida aos felinos positivos. 

“Além disso, é uma ferramenta essencial para a biossegurança em lares com múltiplos gatos, abrigos e gatis”, cita.

O veterinário pontua que os testes rápidos detectam antígenos do FeLV p27 e anticorpos contra a FIV, sendo indicados como triagem inicial por sua praticidade e rapidez. 

“Já a PCR detecta material genético viral e é mais sensível para identificar infecção em estágios específicos, como infecção regressiva por FeLV ou nas fases iniciais da FIV”, informa. 

No entanto, nenhum método é absoluto e a interpretação dos exames deve sempre considerar o contexto clínico do paciente.

Assim, conforme Prazeres, ao definir qual tipo de teste utilizar devem ser avaliados aspectos como idade do animal, histórico de exposição, status clínico, momento da infecção suspeita, custo, disponibilidade e impacto do resultado na tomada de decisão. 

“Testes rápidos são ideais para triagem, enquanto a PCR é mais indicada como método confirmatório ou em casos inconclusivos”, exemplifica.

Quando testar 

Para garantir resultados confiáveis é preciso entender quais situações podem levar a falsos positivos ou negativos e, ainda, definir o momento ideal para a testagem dos felinos. 

O especialista afirma que os filhotes podem ser testados a partir de seis a oito semanas de idade. 

“No caso da FeLV, um teste positivo tende a ser confiável nesse estágio de vida, existindo raros falsos positivos, que podem ocorrer por erros técnicos ou baixa especificidade do teste. No entanto, os falsos negativos podem acontecer durante a fase inicial da infecção ou em infecções regressivas”, informa.

Com a FIV isso é um pouco diferente. Resultados positivos antes dos seis meses de vida podem refletir anticorpos maternos, enquanto os falsos negativos podem ocorrer durante a fase inicial da infecção, ou seja, antes da soroconversão.

“Logo, recomenda-se retestar filhotes inicialmente negativos após 30 a 60 dias, se houver risco de exposição, e a melhor forma de evitar erros é fazer a retestagem seriada e interpretar os resultados à luz da idade e do risco epidemiológico”, aconselha. 

Além disso, a retestagem também é indicada quando existe exposição recente conhecida, em animais adotados sem histórico, antes da introdução de um felino em ambientes com outros gatos, em resultados discordantes entre métodos e previamente à vacinação contra FeLV, quando o status é desconhecido.

“Inclusive, testar os pacientes antes da vacinação contra FeLV é fundamental, pois a vacina não trata a infecção existente e pode mascarar a percepção de segurança sanitária. Com isso, testar o felino evita vacinar animais já infectados e orienta adequadamente o manejo clínico e ambiental”, pontua o veterinário.

Qual a melhor amostra? 

Para a testagem dos animais, dependendo do método escolhido, podem ser utilizadas amostras de sangue total, plasma e soro dos pacientes. 

Visando orientar os clínicos quanto a qual delas é a melhor, foi realizado um estudo retrospectivo¹ com 127 gatos positivos para o antígeno p27 do FeLV durante oito anos após o diagnóstico.

No período da pesquisa foram coletadas amostras de sangue total, plasma e soro dos animais no momento da inclusão no teste e mensalmente durante seis meses. 

Todas as amostras passaram pelo teste combinado SNAP FIV/FeLV, ELISA em microplaca (PetChek) e RT-PCR quantitativo (qPCR) para o DNA proviral, que foi utilizado para confirmação e classificação do status de infecção (altamente positivo, fracamente positivo ou críptico/negativo). 

Como resultado, o sangue total anticoagulado no SNAP teste se mostrou como o indicador mais sensível de infecção por FeLV em comparação com plasma e soro. Portanto, essa é considerada a amostra diagnóstica preferencial para testes de antígeno de FeLV. 

Já a combinação dos resultados dos testes de antígeno em sangue total, PetChek e qPCR identificou gatos como altamente positivos, fracamente positivos ou crípticos/negativos, sendo que os felinos altamente positivos apresentaram maior risco de mortalidade precoce. 

Cuidados com a introdução de novos animais 

Em casas que já possuem gatos nem sempre apenas um teste para FIV e FeLV é necessário para liberar a convivência entre os felinos. 

Segundo Prazeres, nesses casos o protocolo ideal inclui testagem inicial, período de isolamento, retestagem e vacinação contra FeLV, quando indicada.

“Na chegada do novo gato deve ser realizada testagem imediata para FIV e FeLV por teste rápido. Mesmo com resultado negativo, o animal deve permanecer em isolamento físico dos demais animais da residência, uma vez que pode estar na fase inicial da infeção”, explica.

Durante o período de isolamento, que idealmente deve durar de 30 a 60 dias, o felino deve ser acompanhado clinicamente. 

Se o primeiro teste for negativo para FeLV, a recomendação é iniciar o protocolo de vacinação nos animais considerados em risco, especialmente antes da integração definitiva ao ambiente com outros gatos. Contudo, é essencial destacar que a vacinação não substitui a testagem, mas atua como uma camada adicional de proteção.

Ainda de acordo com o veterinário, após o isolamento deve ser realizada retestagem para as enfermidades. Somente depois de dois testes negativos, ausência de sinais clínicos compatíveis com infecções retrovirais e – no caso da FeLV – vacinação concluída ou em andamento conforme o protocolo, a convivência com o gato residente negativo pode ser liberada com segurança.

“Esse protocolo reduz de forma significativa o risco de transmissão, especialmente da FeLV, que é facilmente disseminada por contacto social próximo. A associação entre testagem seriada, isolamento temporário e vacinação representa, atualmente, a abordagem mais segura e baseada em evidências para lares com múltiplos gatos”, pontua.

Prevenção é palavra de ordem 

Com a elevada incidência e os riscos proeminentes, o melhor caminho para combater a FIV e a FeLV é a prevenção. 

Rodrigo comenta que os principais métodos preventivos são testagem regular, manutenção de gatos exclusivamente indoor, castração, controle populacional, isolamento de gatos positivos – quando indicado -, introdução responsável de novos animais e vacinação contra FeLV em felinos negativos com risco de exposição. 

“A educação dos responsáveis é uma das ferramentas mais importantes na redução da incidência dessas doenças”, conclui.

Confira o artigo completo “Miou, testou!”, na íntegra e sem custo, acessando a página 24 da edição de fevereiro (nº 318) da Revista Cães e Gatos.